quinta-feira, 14 de abril de 2016

SUBSÍDIO LIÇÃO 3/ 2ºTRIMESTRE 2016- JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO


   Para explicar a doutrina da Justificação pela Fé, o apóstolo Paulo usa dois tipos de linguagem na carta: a do judiciário e a do sistema de sacrifício levítico. Como o apóstolo pretende convencer o seu público leitor, os judeus, bem como os gentios, que mais do que o observar o sistema de Lei como requisito para a salvação, Deus havia manifestado a sua graça justificadora lá no tempo da Antiga Aliança por intermédio do pai da fé, Abraão. Logo, o apóstolo afirmaria com todas as letras: "Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós. [...] Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça" (Rm 4.16,22). Desta forma o apóstolo argumentava ao judeu de que, pelo motivo do gentio ainda não ter a Lei, a condição do gentio em relação a Deus em nada é inferior ao do judeu. Em Jesus, pela fé mediante a Graça de Deus, o gentio é filho de Abraão por intermédio da fé, que é pai tanto do judeu quanto do gentio achado por Deus (Rm 4.9-13).

A linguagem judiciária da Justificação

   Ser justificado por Deus é ser inocentado por Ele mesmo da condição de culpado pelos atos. Ou seja, o indivíduo não tem quaisquer condições de se autodeclarar inocente ou de aliviar a sua consciência, pois sabe que nada poderá apagar a sua culpa. Por isso, Deus, em Cristo, na cruz do Calvário, nos reconciliou para sempre (2 Co 5.19). De modo que o apóstolo Paulo ratifica esse milagre: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus" (Ef 2.8).

A linguagem sacrifical da Justificação

   Trocar o culpado pelo inocente. O sangue de Jesus Cristo foi derramado no lugar do sangue da humanidade. Foi a substituição vicária de Cristo Jesus por nós. Éramos os culpados, Cristo se tornou culpado por nós; éramos malditos, Cristo se tornou maldito por nós; éramos dignos de morte, Cristo morreu em nosso lugar e por nós (Rm 3.25).
   A linguagem judiciária e sacrifical da justificação nos mostra um Deus amoroso e misericordioso, que não faz acepção de pessoas e que deixa clara a real condição do ser humano, seja ele judeu ou gentio: somos todos carentes da graça e da misericórdia do Pai.
Caro professor, esse trecho bíblico [3.1-4.25] é importante para o desenvolvimento do argumento do apóstolo em sua epístola. Estude-o com rigor.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Subsídio: Lição 2/10 de Abril de 2016 A NECESSIDADE UNIVERSAL DA SALVAÇÃO EM CRISTO


Caro professor, abordaremos a seção da Epístola aos Romanos que se inicia em Romanos 1.18 e se encerra em 3.9. Observando a estrutura da lição ora estudada - I. A necessidade da salvação dos gentios; II. A necessidade da salvação dos judeus; III. A necessidade da salvação da humanidade -, percebemos que o comentário segue a estrutura que o apóstolo Paulo estabeleceu nesta seção de Romanos, 1.18-3.9. É fundamental que a organização da estrutura da epístola esteja bem clara em sua mente.

Sobre os gentios
Na seção de Romanos 1.18-32 é demonstrada com muita clareza a situação dos gentios diante de Deus. Eles não reconheceram a Deus, que se manifestou por intermédio da criação, fazendo que o Pai Celestial os entregasse "aos desejos dos seus corações, à impureza". Esta expressão é uma das mais importantes no desenvolvimento da explicação de Paulo em relação à situação dos gentios. Os principais estudiosos dessa epístola concordam que a expressão "Deus os entregou" não tem o sentido de uma condição "decretada" por Deus para que os gentios jamais se arrependessem, mas, pelo contrário, seria uma deliberação divina permitindo que o gentio seguisse o seu próprio caminho de futilidade de vida, aprofundando mais no pecado e na imundícia, pois na verdade esta seria uma consequência natural de escravidão do pecado. Segundo o estudioso, C.E.B Cranfield, esta condição não seria um "privilégio" só dos gentios, mas de toda a humanidade, mostrando assim que a sessão 1.18-32 também engloba a realidade dos judeus, que de maneira oculta, repetia o caminho dos gentios (Rm 2.1). Ou seja, ainda assim Deus não perderia de vista a possibilidade do mais vil pecador de se arrepender, pois Ele quer que todo homem seja salvo (1 Tm 2.4).

Sobre os judeus
Ora, a eleição dos judeus como povo de Deus deveria lhes trazer humildade, gratidão e quebrantamento. Mas aconteceu o contrário. A soberba, a ingratidão e a dura cerviz fizeram com que esse povo vivesse de maneira hipócrita perante Deus. Enquanto criticava os gentios, ocultamente vivia os caminhos do ser humano escravo do pecado. Por isso, o homem judeu não tinha a desculpa de ser filho de Abraão, pois na prática era filho do pecado: "Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós" (Rm 2.23,24 cf. vv.17-22).


sábado, 2 de abril de 2016

Jejum não se aprende na escola




























O jejum é uma das práticas devocionais mais antigas do povo de Deus. Consiste na abstinência total, ou parcial de alimento durante um determinado período, tendo como objetivo o aperfeiçoamento do exercício da oração e da meditação da Palavra de Deus. Apesar de ser praticado por outras correntes religiosas, o verdadeiro jejum que agrada ao Senhor deve estar de acordo com a Sua Palavra, pois ela é o nosso manual de fé e prática. Moisés, Davi, Daniel e Ester estão entre aqueles que praticavam o jejum. O próprio Senhor Jesus, nosso maior exemplo, jejuou. Através destes exemplos somos convidados a jejuar e buscar um momento de mais consagração e intimidade com Deus.
Recentemente uma cantora gospel que também é pastora inaugurou uma “Escola de Jejum”, onde os interessados devem pagar a quantia de R$ 50,00 (cinquenta reais) por uma aula que tem a duração de duas horas, sendo ministrado uma vez por semana, por duas semanas. Nessas aulas, que segundo ela são “tremendas”, os alunos aprendem que o verdadeiro significado do jejum que é “fazer a vontade de Deus”. O jejum sempre é citado por esta cantora como uma fonte de bênçãos, mas seu entendimento sobre o assunto é totalmente equivocado, pois para ela a pessoa ao mesmo tempo pode jejuar e continuar comendo normalmente, bastando que ore a cada seis horas.
Ela afirma que o jejum não precisa ser necessariamente de alimentos, pode ser um período sem ver televisão ou acessar a internet ou basta abster-se de certo tipo de alimento como doces e refrigerantes (alimentos supérfluos) e pães. Seu embasamento, para ensinar um jejum tão flexível, parte do pressuposto de que “não há regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar”. Interpretando erroneamente o texto de Isaías 58, a pastora afirma que “jejum não é ficar sem comer, é fazer a luz de Deus brilhar”. Mas com uma leitura atenta do texto, podemos concluir que Deus não condena a abstenção de alimentos praticada por Israel no jejum, mas adverte que antes de jejuar, os israelitas deveriam ter uma vida de obediência aos mandamentos divinos e de amor ao próximo, pois somente assim seriam abençoados. O profeta ensina que jejum sem vida piedosa é hipocrisia. Suas declarações sobre o assunto dão a entender que para ela tudo é jejum. Quando o cristão ora, louva, pratica boas ações e libera o perdão para quem o ofendeu está também jejuando. Mas ao afirmar que tudo é jejum, ela na verdade está dizendo que o jejum é nada, pois o está esvaziando de seu verdadeiro sentido. Mas será que realmente a Bíblia não nos ensina a maneira correta da prática do jejum? Com certeza a Palavra de Deus tem as respostas para todas as perguntas feitas pelo ser humano. Se pensarmos o contrário, estamos negligenciando seu proveito para o ensino, para redarguir, para corrigir e nos instruir em justiça (cf. 2Tm 3.16). A Bíblia nos ensina de maneira clara e simples o real significado do jejum e a maneira correta de jejuar. Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, no seu Sermão da Montanha, abordou de maneira contundente o assunto afirmando que o jejum não deve ser feito com o objetivo de chamar a atenção dos homens, pois é hipocrisia. A humilhação não deve ser exterior, mas no coração onde somente Deus vê (Mt 6.16-18). O reformador francês João Calvino afirmou que o objetivo principal do jejum é quebrantar ou romper os corações e não a roupa. O jejum em si, como qualquer outra forma de ascetismo, em nada acrescenta a nossa salvação, pois ela já foi conquistada por Cristo na cruz do Calvário. Nossa salvação não depende da quantidade de vezes que jejuamos. Mas então por que devemos jejuar? Qual a importância do jejum para a vida cristã? A atitude de jejuar não deve ser encarada como uma autoflagelação, antes deve ser vista como um momento de alegria (Zc 8.19), pois quando jejuamos estamos nos dedicando integralmente a oração e a meditação. Todo o nosso tempo, ser e emoções estão voltados para a busca de objetivos espirituais em Deus. O jejum deve ser feito com algum propósito, pois se não for assim, será apenas uma dieta alimentar. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, o jejum pode ser feito com os seguintes objetivos: honrar a Deus (Lc 2.37; At 13.2); pode ser uma atitude de humilhação perante o Senhor (Sl 35.13; Ed 8.21) para alcançar mais graça e assim desfrutar da presença intima de Deus (1Pe 5.5; Is 57.15); expressar arrependimento pelos pecados cometidos e pesar pelos pecados da igreja, da nação e do mundo (1Sm 7.6; Ne 9.1,2); buscar o auxílio divino na realização de novas tarefas e reafirmar nossa consagração a Ele (Mt 4.2); como forma de buscar a Deus e assim prevalecer contra forças espirituais do mal que lutam contra nós (Jz 20.26; Jl 2.12); como um meio de libertar as almas da escravidão maligna (Mt 17.14-21). A pastora, que está na direção de uma denominação e que possui uma legião de seguidores nas redes sociais, gosta de declarar que “nosso jejum não muda a Deus”, uma afirmação bastante óbvia já que uma das características do Senhor é a imutabilidade (Hb 13.8), mas podemos jejuar para demonstrar nosso arrependimento e assim preparar o caminho para Deus mudar Seus propósitos declarados em julgamento (Jn 3.5,10; 1Rs 21.27-29; 2Sm 12.16,22); através do jejum é possível obter o conhecimento da vontade de Deus (Dn 9.3,21,22; At 13.2,3); e abrir caminho para o derramamento do Espírito e para o retorno de Cristo para buscar a Sua Igreja (Mt 9.15). Afirmar que a Bíblia não estabelece regras para o jejum é demonstrar desconhecimento sobre o assunto. Através da leitura bíblica somos advertidos que os casados não podem se dedicar por longos períodos ao jejum, a não ser por consentimento mútuo (1Co 7.5). Aprendemos através da observação dos exemplos dados pelos personagens bíblicos que o jejum absoluto, onde há total abstenção de alimentos e água, não deve ultrapassar três dias (Et 4.16; At 9.9), pois após este período o corpo desidrata colocando a saúde em risco. Um jejum que prejudica a saúde não é aceitável a Deus, pois obedecer é melhor do que sacrificar (1Sm 15.22). Moisés e Elias fizeram este tipo de jejum por 40 dias, mas em condições sobrenaturais (Êx 34.28; 1Rs 19.8), o jejum feito pelo Mestre, foi um jejum normal, onde há abstenção de alimentos, mas não de água (Mt 4.2). Observamos com pesar um evento pseudo-teológico onde são ensinadas “novas revelações e interpretações” travestidas de práticas devocionais cristãs sendo tão procurado por cristãos que “tem a mente de Cristo” (1Co 2.16). Isto é apenas um reflexo do mercantilismo da fé que infelizmente é comum em nossos dias, e que tem atraído cada vez mais pessoas interessadas mais nas bênçãos do que no Abençoador. Para se conhecer sobre a prática do jejum não é necessário pagar R$ 50,00 por aula, basta uma leitura atenta da Palavra de Deus, mas se mesmo assim as dúvidas persistirem, não é preciso se matricular em uma “escola” específica sobre o tema, basta procurar o maior seminário teológico do mundo, que atende a todas as faixas etárias e não cobra nenhuma taxa de seus alunos: a Escola Bíblica Dominical.


Fonte: Jornal Mensageiro da Paz.

Sérgio de Moura Sodré é presbítero da Assembleia de Deus Ministério de Cordovil (RJ), bacharel em Teologia, bacharelando em Administração de Empresas, pós- -graduado em Filosofia e comentarista do currículo infanto-juvenil da CPAD