sábado, 5 de agosto de 2017

Confissão

A confissão é simplesmente o reconhecimento  de um fato acerca de si próprio ou de outrem. Assim, ela tanto pode ser o desvendar dos pecados pessoais, num ato de contrição (o  reconhecimento da nossa miséria e falibilidade), com o uma afirmação da grandeza e bondade de Deus (o  reconhecimento da santidade e perfeição divinas). Ambos os significados encontram -se tanto no hebraico com o no grego, e em  português.
Quando Paulo fala: “Se, com  a tua boca, confessares ao Senhor Jesus ”, em  Romanos 10.9, ele tem em mente o  reconhecimento de Jesus Cristo com o o Filho de Deus, enviado ao mundo para tornar- se o  nosso Salvador e Senhor. O texto não constitui uma referência à “confissão de pecados”, e sim à “confissão do nome do Senhor”. Pelo menos dois vocábulos hebraicos são traduzidos por “confissão” nas páginas do Antigo Testamento. O primeiro, todah , é  derivado do segundo, yadah .  Ambos permitem os dois sentidos já menciona­ dos, com o por exemplo em Esdras 10.10,11: “Vós tendes transgredido e casastes com  mulheres estranhas, multiplicando o delito de Israel. Agora, pois, fazei confissão  [todah] ao Senhor, Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade” (grifos do autor). Quando há dificuldade, o
contexto é que deve determinar se ambos ou apenas um sentido —  e qual deles —  se aplica à passagem. Tanto todah  quanto yadah  estão alicerçados sobre o sentido literal de “estender a mão”. As mãos podem  levantar-se na adoração a Deus (este é o primeiro significado) ou contorcer-se em aflição, por causa dos próprios pecados (aqui, o segundo). Nas 111 ocorrências de yadah  no Antigo Testamento, ambos os sentidos de “confissão ” parecem  estar presentes. Entretanto, isso não nos deveria preocupar, pois o louvor é apropriado em meio à confissão de pecados, assim com o a confissão de pecados é apropriada quando chegam os a Deus com  nossos louvores. Precisamos sempre reconhecer toda a verdade que Deus nos revelar —  tanto nossa própria pecaminosidade com o sua santidade e majestade.

Os dois significados de “confissão” são representados no Novo Testamento pelo termo grego h o m o l o g i a  (e derivações), cujo senti­do básico representa “aquilo que é reconhecido ou confessado” (já visto no texto de Rm 10.9 —  no caso, “confessar Jesus ”). O outro sentido de “confissão” é ilustrado em 1 Jo ã o  1.9 ( “confessar peca­dos”).- “Se confessarmos  o s  nossos  pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (grifo do autor).
         O significado de “confessar”, conforme se apresenta nos capítulos seguintes, é primariamente o reconhecimento  d o  p e c a d o ,  tanto perante Deus com o diante das pessoas, sendo este um
elemento essencial da oração eficaz. Este significado ficou indelevelmente impresso nos israelitas através da cerimônia anual de libertação de um bode n o deserto, no Dia da Expiação.

 E Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados; e os porá sobre a
cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem  designado para isso. Assim, aquele b ode levará sobre si todas as iniquidades deles à terra solitária; e o homem enviará o bode ao deserto (Lv 16 .2 1,2 2).

Isso simbolizava não somente o fato de que Deus cobriria os pecados deles com  o preço da redenção, o  sangue vertido; mas que seus pecados desapareceriam para sempre da memória de Deus. Um notável exemplo de confissão em oração acha-se em  Salmos 51.3,4:

“Porque eu conheço  as minhas transgressões, e o  meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti som ente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares”.



Retirado do livro: Teologia Bíblica da Oração. O Espirito nos ajuda a orar.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque
Editoração: Flamir Ambrósio

Comunhão

Ao descrever a oração, uma definição de dicionário da palavra “comunhão” é especialmente apropriada: “íntimo companheirismo ou afinidade”. A idéia de pessoas comungando-se com  Deus é muito evidente nas Escrituras; e a primeira instância, após a queda, é registrada em  Êxodo 25-22, quando Deus fala com  Moisés: “E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do Testem unho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel”. A expressão “falarei contigo” (logo depois de “virei a ti”) é uma tradução literal da palavra hebraica davar  —  seu sentido comum é exatamente “falar”. Quando dois seres comungam, eles se reúnem  e falam. A aplicação à oração é óbvia. No Novo Testamento, temos a palavra grega koinonia  ( “comunhão”), que se aplica de modo similar à oração, subentendendo uma relação de intimidade entre Deus e uma pessoa. Paulo a utiliza em 2 Coríntios 13.13, em sua bênção apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a c o m u n h ã o  do Espírito Santo sejam com vós todos” (grifo do autor). Essa mesma palavra aparece em outras passagens, como Filipenses 2.1 e 1 João 1.3, sendo também traduzida por “comunhão”. Para os propósitos de nosso estudo, a palavra
“comunhão” indica companheirismo e identificação pessoal, afinidade. Pressupõe intimidade, confiança e solidariedade, podendo ser entendida com o uma mescla de personalidades numa bendita unidade, com o o trançar de fios para formar uma única corda. Como um nível de oração, ultrapassa a comunicação pura e simples. Sugere uma intimidade exclusiva e fora do comum, com o por exemplo o  envolvimento de Abraão com Deus por causa de Sodoma e Gomorra (G n 18.17,23-33).





Retirado do livro: Teologia Bíblica da Oração. O Espirito nos ajuda a orar.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993

Tradução: João Marques Bentes

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sábado - Fl 3.8 – LBJ – A perda de tudo pelo amor a Cristo.

 E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.

Este texto comentário foi extraído do livro Comentário Bíblico Beacon GÁLATAS a FILEMOM – 9.


E, na verdade d. e., para tornar absolutamente clara sua posição), tenho (tempo presente) também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor (8). Cristo se tornara seu próprio Senhor pessoal e em relação à excelência (hyperechon, “incomparabilidade”, cf. BV, CH, NTLH) do conhecimento de Cristo, todas as outras coisas não são nada. Quando comparado com este bem sublimíssimo, todos os bens relativos não são dignos do nome (cf. Ef 3.19). A frase pelo qual sofri a perda de todas estas coisas (8) poderia ser traduzida por “eu fui desapossado de todas as minhas posses”, dando a entender um tempo específico quando Paulo se converteu. Talvez o apóstolo estivesse pensando no tratamento que recebeu às mãos das autoridades judaicas. E possível que tenha sido excomungado pelos judeus, renegado pela família ou que sua propriedade tenha sido confiscada. Por outro lado, ele pode estar pensando mais geralmente sobre o fato de que a submissão a Cristo significava a renúncia de tudo o que ele vinha computando (cf. G16.14). E as considero (agora) como esterco. O uso do tempo presente indica a atitude de Paulo no momento. O termo grego skybalon (esterco) não ocorre em outra parte do Novo Testamento. Significa “sedimentos”, “palhiço”, “escória” (ACF), “excremento” (BAB) ou “refugo” (AEC, CH, RA) que é rejeitado das mesas e deixado para os cachorros. A palavra é muito mais forte que mera “perda”, pois sugere que nunca mais será tocado.

         2. O Ganho de uma Pessoa Divina (3.8-10)

Em contraste com os sete itens especificamente mencionados como perda, nos versículos 8 a 11 Paulo faz uma lista de sete itens a serem ganhos, todos os quais se centralizam em torno da pessoa de Cristo. O primeiro é para que possa ganhar a Cristo (8). O tempo verbal indica o presente e o futuro. Paulo nunca está satisfeito com o seu atual conhecimento de Cristo, mas está constantemente almejando uma comunhão mais profunda com ele. Ele ganhou Cristo, mas não exauriu as insondáveis riquezas em Cristo (Ef 3.8; Cl 2.2ss.)