quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Quinta - 1 Tm 3.15- LBA - A Igreja é a Casa de Deus.

Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.

Extraído do livro comentário do novo testamento aplicação pessoal.

 Para que não houvesse nenhuma dúvida, Paulo identificou a casa de Deus como a igreja do Deus vivo (veja também 1 Co3.16,17; 2 Co 6.16; Ef 2.20-22). Esta “igreja” não se refere a nenhum edifício físico em particular, mas é uma reunião de todos os crentes em Éfeso e, por extensão, por todo o mundo.
Estes crentes, cada um servindo e adorando nas suas respectivas igrejas, são a coluna e a firmeza da verdade de Deus. A igreja não é a origem desta verdade, mas funciona como a guardiã e a testemunha da verdade. Aqueles que creem na verdade de Deus têm o poder de transformar o mundo. Esta verdade está descrita no hino que Paulo citou no versículo seguinte.

Retirado deste livro 👇


SUBSÍDIO TEOLÓGICO LBJ- LIÇÃO 8 - DEPRESSÃO, UM MAL DO NOSSO TEMPO


“Quando alguém diz que não há esperança para uma situação ou uma pessoa, está batendo a porta no rosto de Deus. ”

— Charles L. Allen

O sofrimento humano é um grande mistério, uma vez que a Bíblia diz que Deus é amor e que Ele é o Todo Poderoso. Assim, uma doença incurável, a morte repentina de um ente querido, uma traição, perdas materiais, muitas vezes não se explicam racionalmente, e podem suscitar dúvidas e questionamentos sobre o agir de Deus. Isso aconteceu com Jó, um dos homens mais notáveis que o mundo já viu. Sua trajetória, sua dor, sua fé e, é claro, seus dilemas, falam muito alto sobre o que pode acontecer com um justo.

Jó foi extraordinariamente rico e irrepreensivelmente religioso.
Possuía um padrão moral tão elevado, que foi o próprio Deus quem deu testemunho sobre isso (Jó 1.8). Entretanto, quando Jó perdeu seus filhos, todo o seu patrimônio e sua saúde. Ele chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento e sobrevieram-lhe muitos dilemas (Jó 3).

Está escrito: “Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.” (Jó 10.2). Aqui, o patriarca atribuiu suas condições e suas perdas ao próprio Deus, que, supostamente, o perseguia.
Ao que tudo indicava, para ele, Deus não o amava mais. E tratava-lhe com injustiça. Foram momentos terríveis e angustiantes. A fé de Jó foi fortemente provada. E para piorar a situação, Deus, durante toda a prova, mantinha-se calado. As perguntas mais intrigantes da existência, que questionavam a bondade e justiça de Deus, perturbavam o cambaleante Jó.

Tal circunstância é bastante comum, também em nossos dias. Há algum tempo, conversei com uma mulher que, em lágrimas, confessou que antes servia ao Senhor, mas se afastou de seus caminhos depois que seu filho foi brutalmente assassinado. Ela culpou a Deus pelo ocorrido.
Seus dilemas pessoais lhe levarem para longe do seu Criador. Jó, entretanto, mesmo cheio de dilemas, por não entender os motivos que o levaram a perder absolutamente tudo que era importante na vida, continuou crendo e servindo a Deus. Mesmo estando em profunda dor, ele disse: “Eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

No fim da prova, Deus quebrou o silêncio e resolveu todos os dilemas de Jó, que reconheceu o efeito benéfico da tribulação: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos veem” (Jó 42.5, ARA).
O patriarca da paciência, mesmo sem compreender, aceitou a vontade de Deus e tudo foi solucionado maravilhosamente, no tempo e modo do Senhor. Ele viu, no fim, que Deus é digno de confiança, pois seu caráter apresenta-se maravilhosamente bom e graciosamente justo.

Em Jó 42.12 está escrito que “abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro...” Deus não ficou devendo nada a Jó, como não fica devendo nada a ninguém. Se alguém é fiel a Ele, ainda que “se envelheça na terra a sua raiz, e o seu tronco morra no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos...” (Jó 14.8, 9). A história de Jó é concluída assim: “E, depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração. Então, morreu Jó, velho e farto de dias” (Jó 42.16,17).

Os dilemas não surgem para destruir a fé do cristão. Eles surgem para fortalecê-la! Se houver paciência, como a que Jó teve, o Senhor transformará as perguntas que mais inquietam a alma em trampolins para grandes revelações, a fim de que se chegue à compreensão de qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. E, com isso, a vida poderá seguir em frente, sem sobressaltos. E sem depressão!

I. A Dor Invisível sem Fim

Conceito

Depressão não é tristeza, angústia, mas a perda do prazer e da alegria de viver. E uma profunda “dor do coração” que “abate o espírito” (Pv 15.13). Não é algo que aconteça durante algumas horas do dia ou com duração de um dia ou dois. Traduz-se, portanto, em uma dor invisível sem fim, sem limite.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão não deve ser entendida como meras mudanças de humor. Porque esse distúrbio consolida-se por um sentimento de tristeza duradouro, com a duração de pelo menos quinze dias, que impede a pessoa de levar uma vida normal. A depressão é fruto da interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos e, nos casos mais graves, pode levar o indivíduo a pensar em suicídio.

Segundo o Dr. Paul Eskin, entretanto, a depressão pode conduzir ao suicídio, e, também, ao parassuicídio, que é a tendência de chamar a atenção das pessoas para os seus sofrimentos por meio de ações desesperadas (como consumir remédios exageradamente ou cortar os pulsos). Nesses casos, a pessoa depressiva é impulsionada pela raiva ou frustração, geralmente ao presenciar brigas e desavenças familiares, constituindo-se, na maioria das vezes, “num meio de dominação e de controle interpessoal”.

0 doutor Eskin acredita que a ideia de dar cabo à própria existência faz parte da psicologia humana, e que existem poucas pessoas felizes e realizadas a ponto de nunca terem pensado em suicídio alguma vez na vida.

Características

a) Sofrimento moral

A pessoa perde a consideração pela sua própria vida. A autoestima entra em trajetória descendente, não existindo forças para reagir.
Segundo a OMS, a depressão tem se transformado, na verdade, em um problema de saúde mundial, já que entre 11% e 15% da população mundial está suscetível a ser atingido pela doença, sendo que as mulheres se mostraram duas vezes mais propensas a terem depressão do que os homens.

Essa desconsideração pessoal profunda e duradoura atinge milhões de pessoas atualmente, o que se apresenta bastante grave, mas isso não é novo. O profeta Elias, ao ser ameaçado pela rainha Jezabel (1 Rs 19.1-3), viu-se em grande sofrimento moral. Essa dor foi claramente demonstrada a Deus, de maneira repetida (1 Rs 19.10,14). A baixa autoestima do profeta pode ser vista na argumentação lamuriosa de que “não era melhor do que seus pais” (1 Rs 19.4). Observe-se que Elias da fraqueza não tirou forças, mas entendeu que sua vida valia pouquíssimo, típico quadro depressivo.

b) Perda progressiva do prazer pelas coisas

De acordo com a OMS, para a ocorrência do diagnóstico da depressão também é preciso que a pessoa, dentre outras coisas, apresente perda de interesse ou prazer pelas ‘atividades cotidianas, pouca energia e pouca concentração. Esse desinteresse pelas coisas boas da vida demonstra um perigoso caso psicológico.

O Dr. Paul Eskin pergunta: “Qual o maior erro da pessoa deprimida?”
E ele mesmo responde: “Abandonar-se”.4 Sem dúvida, quando o indivíduo entrega-se ao descaso, deixando de lutar pela vida, abandonando tudo o que lhe interessa e concede-lhe prazer, então é preciso buscar ajuda. A alegria de viver não pode ser perdida, como aconteceu com o profeta Elias, o qual se deitou debaixo de um zimbro e pediu a Deus para morrer (1 Rs 19.4, 5).

O profeta tinha perdido a alegria, a esperança e o entusiasmo pela vida, como também desistira de seu ministério, pois se via sozinho e desamparado, caracterizado pelo gesto de cobrir o rosto com a capa (1 Rs 19.13).

O professor Morrie Schwartz contou ao seu biógrafo que:

— Estar morrendo é apenas uma circunstância triste, Mitch. Viver infeliz é diferente. Muitas das pessoas que me visitam são infelizes.

— Por quê?

— Porque a cultura que temos não contribui para que as pessoas se sintam felizes com elas mesmas. Estamos ensinando coisas erradas. E preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. E melhor criar a sua própria. A maioria das pessoas não consegue fazer isso. São mais infelizes do que eu, mesmo na situação em que estou. Posso estar morrendo, mas estou cercado de almas amorosas e dedicadas. Quantos podem dizer o mesmo?

Fiquei impressionado com a completa falta de autocomiseração. Este Morrie que não pode mais nadar, tomar banho, andar a pé, este Morrie que não pode mais atender à porta, não pode se enxugar depois do banho, nem mesmo se virar na cama — como pode ser tão resignado?
Eu o vi atrapalhado com o garfo, tentando pegar uma fatia de tomate, ela escapulindo por duas vezes, uma cena patética, e, no entanto, tenho de reconhecer que a presença dele transmite serenidade....

É preciso pedir forças a Deus para lutar até o fim, como um guerreiro do Senhor. O professor Schwartz aprendeu a valorizar as coisas mais simples da vida e, com isso, viveu com qualidade nos momentos mais sombrios. Ele não desistiu de ser feliz!

c) Perda da motivação vital

Por qual razão perde-se o sentido de viver? Isso pode acontecer por muitas causas, entretanto, o desapontamento com as circunstâncias da vida, no aspecto mais amplo, pode ser a chave do problema. Sonhos que são frustrados, anelos que se esvaem...

Sobre isso, Les Parrott afirmou:

Nunca estamos felizes ou satisfeitos, até pararmos de avaliar nossas realizações na vida real em contraste com o sonho de qualquer coisa que imaginamos que nos faria felizes. Daniel Levinson chama isso de “tirania do sonho”. Cada um de nós desenvolveu esse sonho quando éramos jovens. Talvez ele foi plantado por pais, ou professores, ou talvez tenha surgido de nossa própria imaginação. O sonho era ser realmente especial um dia. Sonhamos que nosso trabalho seria reconhecido, nosso casamento seria perfeito e nossos filhos seriam exemplares.
Podemos ter ousado sonhar que seríamos famosos e influentes. E se tivermos sido atingidos por um choque maior — um diagnóstico de câncer, por exemplo — nosso sonho é adiado enquanto esperamos pela cura. Mas seja o que for que estejamos sonhando, mantemos a esperança de que um dia o sonho se realizará e o conto de fadas estará completo. Todavia, como Anaís Nin nos lembra: “Estamos
envenenados por contos de fadas. Eles não se tornam realidade. O sonho nunca pode nos fazer felizes. Mesmo se alcançarmos o sucesso que imaginamos é provável que nos sintamos vazios. Por quê? Porque nossa maior esperança não é por fama, conforto, riqueza ou poder.
Essas esperanças são rasas. Nossa maior esperança é mais profunda.
Saibamos disso ou não, nossa maior esperança é por sentido”.

A perda da motivação de viver, por falta de sentido, corroborada por decepções com os desfazimentos dos sonhos estabelecidos, precisa ser combatida. Deus restaurou a vida do profeta Elias (1 Rs 19.4-7), que estava em desânimo profundo. Aquele homem de fé se apequenou, e não tinha mais em suas emoções o brilho da existência. Não conseguia encontrar razão, inclusive, para ser usado por Deus, o qual, acreditava ele, também lhe decepcionara, conforme suas próprias palavras: “Eu tenho sido muito zeloso pelo Senhor... e eu fiquei só...” (1 Rs 19.10,14).

Com essas palavras, ele estava dizendo: O Senhor não levou em conta minha fidelidade e abandonou-me.

Tratamento medicamentoso

No tratamento de doenças da alma há posicionamento majoritário que, em regra, deve ser evitado o uso de remédios psiquiátricos. Entretanto, o Dr. Paul Eskin, PhD, recomenda, na obra aqui referida, “que além dos recursos da ciência médica, o paciente busque também uma orientação religiosa, tanto de forma isolada, por meio de leitura sistemática da Bíblia e meditação pela fé, como por meio de uma igreja na qual confie”.7 Assim, o uso de remédios é importante, mas a confiança deve ser posta em Deus. Lembremo-nos do que aconteceu com o rei
Asa, o qual morreu porque não buscou ao Senhor, mas confiou nos médicos (2 Cr 16J2).

Sendo a hipótese, porém, da depressão ser motivada primordialmente pela deficiência de substância química no corpo e, por soberania divina ou inapetência humana (há pessoas que não querem ser curadas), não aconteça o milagre, não há problema em tomar medicamentos psiquiátricos; afinal, Jesus ratificou que os doentes precisam de médico (Lc 5.31).

O grande problema é que alguns desses psicotrópicos podem causar dependência, razão pela qual a substância só deve ser administrada em último caso e com o acompanhamento contínuo de um profissional da saúde. E preciso ter muita cautela para o remédio não se transformar na causa ou na potencialização da depressão.

II. A Psicoterapia de Deus

Fortalecimento do corpo

As consequências da depressão são diversas, e oscilam de acordo com cada indivíduo, porém a perda do apetite, o que leva ao enfraquecimento, e a vontade de dormir continuamente, são bastante frequentes, e aconteceram nesse caso. O grande problema é quando a pessoa decide, realmente, abandonar a si mesma. Quando ela faz questão de não seguir adiante. Está escrito que, se no dia da angústia a pessoa se demonstrar frouxa, a força dela será pequena (Pv 24.10). O sofrimento, sem dúvida, é um traço da vida debaixo do sol, mas o indivíduo não pode se entregar à dor e aos traumas emocionais. Ele precisa reagir.

C.S. Lewis captou isso magistralmente:

O Inimigo [neste caso, Deus já deixou bem claro para seus simpatizantes humanos [os crentes] que o sofrimento é parte essencial do  que Ele chama de redenção; assim, uma fé que foi destruída por uma guerra ou por uma peste não vale todo o nosso esforço para destruí-la. (...) obviamente, naquele exato momento de horror, de luto ou dor física você poderá capturar a sua presa, quando ela deixar momentaneamente de raciocinar. Mas eu descobri que, mesmo nesse instante, se ele buscar refúgio no Inimigo, quase sempre será atendido.
Afetuosamente, seu tio, FITAFUSO.

Assim, é preciso tirar das fraquezas forças. Isso aconteceu com Elias.
No início do tratamento psicoterápico descrito em 1 Reis 19, o anjo acordou o profeta e disse: “Levanta-te e come”, por duas vezes (w. 5,7).
Elias precisava ficar em pé e alimentar-se (não era para comer deitado ou sentado) para dar início recuperação de suas energias emocionais e físicas respectivamente. Como o homem é uma unidade psicossomática (espírito, alma e corpo) com descrito em 1 Tessalonicenses 5.23, tais condutas eram primordiais.

Verbalização do problema

Sabe-se que, no processo de cura dos dramas emocionais, a verbalização da dor é de suma importância, pois é nessa ocasião em que o profissional faz o diagnóstico. O preclaro Morrie Schwartz, aqui já mencionado, afirmou:

Abra-se, deixe as lágrimas correrem, sinta a solidão em sua plenitude, e chegará o momento de se poder dizer: “Muito bem, esse foi o meu momento de solidão, não tenho medo de me sentir solitário, mas agora vou afastar essa solidão do meu caminho e reconhecer que existem outras emoções no mundo e que quero experimentá-las também”.
— Desapegue-se — repetiu Morrie.

Que grande exemplo: Desapegar-se! Abrir o coração e deixar fluir toda a dor e, depois, seguir no rumo certo. A experiência acima descrita apresenta-se importantíssima no processo de cura, e foi exatamente isso que Deus promoveu em Elias. O Senhor perguntou: “Que fazes aqui, Elias” (1 Rs 19.9, 13), quando ele expressou toda sua indignação (1 Rs 19.14), inclusive, nas entrelinhas, questionando a Deus. Aquele momento era uma parte necessária do processo psicoterapêutico para a cura daquele trauma emocional. Deus já sabia o diagnóstico e estava realizando a cura interior do seu servo, para que se cumprisse que “o justo é libertado de sua angústia” (Pv 11.8).

Vida com propósito

Ter um propósito na vida é indispensável para se viver; foi isso que Deus fez com o profeta Elias. No fim na “sessão”, o Senhor ressignificou o ministério profético de Elias: “Vai e volta pelo tu caminho... vem e unge...” (1 Rs 19.15-18). Deus lhe outorgou uma nova missão, para que ele recuperasse sua motivação vital e se sentisse restituído moralmente. Deu certo. A Bíblia mostra, a partir de então, inúmeros eventos extraordinários dos quais Elias foi o protagonista, porque está
escrito que “o coração com saúde é a vida da carne” (Pv 14.30). Uma vida com propósitos é essencial para a depressão ser debelada. Observe-se que Deus tratou Elias fazendo-o indispensável na vida de pessoas. Esse é um grande segredo que garante saúde emocional (Gn 45.15).

III. Vacina Contra a Depressão

Conhecer a Deus

A morte de Jesus trouxe, para todos os discípulos, um grande vazio.
Foi o fim de um sonho de liberdade e de amor. A sexta-feira de dor foi absorvida pelo sábado da desilusão. Quanta saudade... Não houve repouso naquele sábado, somente desânimo e medo.

As narrativas bíblicas sobre o estado emocional dos discípulos, no dia seguinte à morte de Jesus, são estarrecedoras. Marcos diz que os discípulos “estavam tristes e chorando” (Mc 16.10). Lucas deixa claro eles ficaram desiludidos (Lc 24.11, 21) e João fala sobre o medo dos discípulos (Jo 20.19). O sábado seria o pior dia, pois o sangue esfriara, a poeira baixara. Aquilo era real. Eles não veriam mais a Jesus.

Na existência, as pessoas que conhecem a Deus habitualmente se deparam com “sábados de desânimo”. São instantes em que “cai a ficha”. Desembaça-se o vidro, esclarece-se as ideias, enxerga-se a vida como, aparentemente, ela é: sem esperança. Nesses “sábados”, só tem significado, aquilo que é tangível. As promessas de Deus desaparecem das expectativas pessoais. Foi isso que aconteceu com os discípulos. Eles estavam em estado de choque. E Deus náo disse nada, nem enviou um anjo. Não naquele sábado. Essa é a parte mais complicada.

As densas sombras daquele sábado nunca seriam esquecidas. Nem deviam. Os homens precisavam delas, para saber que haveria dias de tristeza e de solidão. Dias em que a voz mais alta é do silêncio de Deus. Dias sem consolo. Dias de medo. Momentos que parecerão eternos. E o serão... pelos ensinamentos deixados, para aqueles que conhecem a Deus.

O sábado dos discípulos foi um dia mau. Que começou e terminou mau. Mas o domingo da ressurreição estava próximo. Jesus ressurgiria da morte para a vida. O sol brilharia como nunca antes bem ali, logo no dia seguinte. Os mais caros ideais dos discípulos estariam mais garantidos do que nunca, por isso eles não tinham razão para estar tristes ou chorando. Nós também não temos motivos em nossos “sábados”.
Conhecer a Deus, sempre, faz toda a diferença.

Manter o foco na Palavra

A Palavra de Deus é uma arma de ataque e de defesa da fé. Manter os olhos postos nela fará uma enorme diferença na vida do cristão. E isso porque, conforme Hebreus 4.12, ela penetra no íntimo da alma, descortinando tudo o que se encontra escondido e de difícil acesso.

A Palavra de Deus encoraja, consola, aponta o caminho. Assim, contra a depressão, a verdade das Escrituras constitui-se numa poderosa vacina. Se o cristão mantiver o foco na Palavra, meditando nela continuamente (SI 1.1,2), seus pensamentos serão bons e positivos (F1 4.8), as tristezas prolongadas, os complexos de inferioridade e os sentimentos de culpa, terão dificuldade em triunfar, haja vista que a mente redimida normalmente reage de maneira tranquila e coerente aos dramas emocionais (Gn 45.7,8; Jó 1.20-22).

Viver em comunhão fraternal

A depressão possui dificuldade em ganhar espaço na alma humana, quando o amor verdadeiro está bem arraigado. As conexões entre as pessoas — a que a teologia denomina de comunhão (gr. koinonia) — faz emergir um grande poder —, o poder do amor.

Barnabé, o filho da consolação, entendia muito bem isso. Ele agia de maneira parecida com a ação do Espírito Santo. Ele congregava as pessoas e as fazia andar juntas. Que belo exemplo! A importância do amor fraternal (amizade) é tão grande que a Bíblia diz que, quando os cristãos forem perfeitos em amor, as coisas serão bem melhores... e diferentes (Jo 13.35; 17.21; 1 Jo 4.18)... Isso pode significar a distinção entre a tristeza e a alegria, a solidão e o riso, a depressão e a vitalidade.

O Maligno quer separar e trazer animosidade às pessoas que vivem
“próximas”, para enfraquecê-las e assim destruí-las. C. S. Lewis abordou isso de forma perspicaz:

O melhor a fazer é voltar a animosidade para os semelhantes mais próximos, aqueles que ele encontra todos os dias, e voltar a benevolência para um círculo mais distante, para as pessoas que ele não conhece. Desse modo, a animosidade torna-se completamente real e a benevolência, em grande medida, imaginária.

Conheço pessoas que oram e clamam pela igreja perseguida em países muçulmanos e socialistas, e até contribuem, porém nada fazem em relação àqueles que passam necessidades em seu bairro. São indiferentes às causas da igreja local... Pode até nem parecer, mas essas pessoas caíram na armadilha do Inimigo.

Um dos antídotos para a depressão é fazer parte de uma comunidade terapêutica espiritual —normalmente uma igreja.

E a bondade com o próximo (não aquela quase “imaginária” com os distantes e inalcançáveis), no dia a dia, que trará saúde espiritual, emocional e física.




Extraído do livro:
  TEMPO PARA
  TODAS AS COISAS
Aproveitando as Oportunidades que Deus nos dá .
REYNALDO ODILO.

ISBN: 978-85-263-1464-1

Subsídio Teológico lição 8 - Adulto

A Igreja é a comunidade do Senhor Jesus Cristo formada por pessoas de todos os lugares ao longo dos séculos. Ela já existia no plano divino antes dos tempos dos séculos, mas iniciou a sua jornada histórica no dia de Pentecostes (At 2), com um grupo de 120 discípulos e discípulas, incluindo os apóstolos que estavam reunidos no cenáculo em Jerusalém aguardando a “promessa do Pai” (At 1.4, 5, 13-15). A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes marcou o início da sua longa jornada (At 2.1-12) com a conversão de “quase três mil pessoas” (At 2.41) como primícias de uma grande colheita que se iniciava naquela ocasião.

A igreja, como corpo espiritual de Cristo, é um organismo vivo com suas reuniões em torno do Senhor Jesus e suas ordenanças; como congregação ou assembleia, é também uma organização, com sua forma de governo. O ponto de partida de sua proclamação é a ressurreição de Cristo. A existência da Igreja não é resultado de um entusiasmo coletivo, mas a manifestação do poder de Deus.

A IGREJA
         O termo grego ekklesía, usado no Novo Testamento para “igreja”, vem do verbo ekkaleo, “chamar, convocar”, que a Septuaginta traduziu do hebraico qara‘ el, “chamar para” em: “E chamaram Ló e disseram-lhe...” (Gn 19.5). A ekklesía, “eclésia, assembleia, ajuntamento, igreja”, era a Assembleia do Povo na antiga Grécia que funcionava como poder legislativo, mas formada por todos os cidadãos; apesar disso, segundo Mário Curtis Giordani, “na prática, era relativamente pequeno o número de cidadãos que compareciam às reuniões” (GIORDANI, 1986, p. 172). Mas os tradutores da Septuaginta empregaram ekklesía para traduzir o hebraico qahal, “assembleia, multidão humana reunida”, em referência à congregação de Israel, além de outros termos que aparecem com menos frequência no Antigo Testamento.

O Novo Testamento grego usa ekklesía para se referir à congregação de Israel: “Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar” (At 7.38). Só mais uma vez ekklesía se aplica à comunidade de Israel no Novo Testamento (Hb 2.12). Três vezes se usa para o ajuntamento ou a assembleia provocada por Demétrio contra o apóstolo Paulo no teatro em Éfeso (At 19.32, 39, 41); e 110 vezes o termo se refere à Igreja. Nesse sentido, a comunidade do Senhor é uma congregação especial formada por pessoas de todas as épocas e de todos os lugares chamadas pelo Senhor Jesus para pertencerem a Cristo (Rm 1.6), ter comunhão com ele (1 Co 1.9) e fazer parte da família espiritual de Deus (Ef 2.19), como afirma a Declaração de Fé. O termo “igreja” refere-se
também a um grupo de crentes em cada localidade geográfica (Rm 16.16; 1 Co 1.2; Gl 1.2).
A Igreja é um organismo, um corpo espiritual em que todos os crentes em Jesus estão unidos uns aos outros e todos eles com a sua cabeça, que é o Senhor Jesus Cristo: “o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo” (Ef 1.22, 23); “ele é a cabeça do corpo da igreja” (Cl 1.18). Trata-se de uma congregação espiritual cujos membros foram remidos pelo sangue de Jesus, que veio a existir no palco da história como resultado da obra da cruz, do triunfo da ressurreição de Cristo e da vinda do Espírito Santo; é exatamente o que o Senhor Jesus chamou de “minha igreja” (Mt 16.18). Em resumo, “a Igreja é a assembleia universal dos santos de todos os lugares e de todas as épocas, cujos nomes estão escritos nos céus: “À universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” [Hb 12.23]”


(Declaração de Fé).
         É o novo povo que o Senhor Jesus formou dentre judeus e gentios (Ef 2.12-14) em torno de Si mesmo como o próprio corpo de Cristo (1 Co 12.12-27), para adoração e louvor da glória de Deus e para anunciar o evangelho da salvação ao mundo inteiro (Ef 1.11, 12; Mc 16.15). Cada crente em Jesus é a morada de Deus: Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16); “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19); “no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22).

AS ORDENANÇAS
         A ordenança é um rito simbólico universal e pessoal que aponta para as verdades centrais da fé cristã. São duas as ordenanças da Igreja. A primeira é o batismo em águas: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19); e a segunda, a Ceia do Senhor: “Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Este é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Depois da ceia tomou do mesmo modo o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22.19, 20).
Essas duas cerimônias ou ritos sagrados são conhecidos também como sacramentos por alguns grupos protestantes e também pelos católicos. Mas a Igreja Católica acrescentou mais cinco sacramentos, ao passo que os protestantes mantiveram os dois ritos bíblicos. No entanto, nem sempre os dois termos são intercambiáveis, pois isso depende da interpretação e cada grupo sobre o assunto. O termo sacramentum vem do latim que originalmente era para um juramento público de fidelidade do soldado romano, mas, antes disso, era o nome dado ao depósito feito em lugar sagrado pelas partes envolvidas numa questão jurídica até o pronunciamento da sentença. Os pais latinos empregaram essa palavra para o vocábulo grego mysterion, “mistério, secreto”, que veio a significar ordenança ou rito sagrado. Para muitos, esses rituais transmitem graça espiritual ou salvífica levando a pessoa da morte espiritual para a vida. Para os grupos que pensam dessa maneira, ordenanças e sacramentos não são termos alternativos. A Assembleia de Deus não emprega o termo “sacramento”, mas a palavra “ordenança”, do latim ordo, “fileira, ordem”, conforme o capítulo XI da sua Declaração de Fé.

         Essas ordenanças não produzem nenhuma mudança espiritual em quem se submete ao batismo e participa da ceia do Senhor.
Mas isso não diminui a sua importância; antes, pelo contrário, elas são de grande valor. Esses rituais são ordens de nosso Senhor Jesus Cristo, pois ele mesmo pediu para ser batizado (Mt 3.14, 15). E também se trata de um símbolo da nossa união com ele e ao mesmo tempo a confissão pública dessa união (Rm 6.3-5). A ceia do Senhor é o memorial de sua morte em nosso lugar (1 Co 11.23-26). Essas são razões pelas quais os crentes nunca tratam dessas coisas sagradas com leviandade. Assim, o batismo em águas e a ceia do Senhor foram instituídos por ordem de Jesus para que fossem observados na Igreja, não porque transmitem algum poder místico ou graça salvífica, mas porque simbolizam o que já aconteceu na vida de quem aceitou a salvação de Cristo.


O batismo
         O batismo em águas é o rito que simboliza o início da vida espiritual. É um testemunho público de “nossa identificação com Jesus, em sua morte e ressurreição, que tornou possível a nossa vida que temos nEle (Rm 6.1-4)” (MENZIES & HORTON, 2001, p. 93). Trata-se de um ato significativo e importante em que o crente em Jesus é mergulhado nas águas, o corpo inteiro de uma só vez, “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19), conforme ordenou o Senhor Jesus. Muitos debates surgiram ao longo dos séculos sobre o modus operandi desse ritual, como o batismo por imersão, por aspersão e assim por diante. Mas o Novo Testamento deixa claro que o ato era realizado por imersão: “porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados” (Jo 3.23); “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água” (Mt 3.16); “E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe” (At 8.38, 39). A ilustração paulina do batismo em águas reforça a do batismo por imersão: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.3, 4); “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.12). Todas essas declarações são evidências de um batismo por imersão.
         O batismo era efetuado conforme a fórmula ordenada pelo Senhor Jesus: “batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19), e isso é confirmado num antigo documento da Igreja, chamado Didaque11, ou Instrução dos Doze Apóstolos: “Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Se você não tem água corrente, batize em outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente” (Didaque, 7.1, 2). Hoje, os unicistas batizam só em nome de Jesus e colocam essa forma de batismo como condição para a salvação.
         O batismo “em nome de Jesus” não é uma fórmula. A prova disso é que não existe um padrão nessas palavras para que seja possível uma fórmula. A expressão só aparece quatro vezes no Novo Testamento: “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome do Senhor” (At 10.48). Isso apenas significa ser o batismo realizado na autoridade do nome de Jesus. Afinal, tudo o que fazemos é em nome de Jesus (Cl 3.17), isto é, na sua autoridade, como a oração (Jo 14.13; Ef 5.20), a pregação do evangelho (Lc 24.47; At 8.12), a cura de coxos (At 3.6), de paralíticos (At 9.34) e de enfermos (Tg 5.14, 15) e a expulsão de demônios (At 16.18), entre outros milagres.
         O batismo não é essencial para a remissão de pecados. A frase “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados” (At 2.38) tem sido motivo de controvérsias sem fim. Uma leitura isolada parece isso mesmo.
Muitos pais da Igreja a interpretavam dessa maneira. Isso aparece no Credo Niceno-Constantinopolitano (ver capítulo 4). Mas, segundo A. T. Robertson, a exegese do texto permite outro significado. Ele afirma que a preposição grega eis, traduzida por “para”, aqui, tem amplo significado, por isso deve ser compreendida à luz do contexto. Há outro emprego tão correto quanto o de propósito ou objetivo. Veja o uso dessa preposição em três versões diferentes de um mesmo versículo bíblico: “Quem recebe um profeta na qualidade de profeta receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo” (Mt 10.41 – ARC); “no caráter de profeta... no caráter de justo” (ARA); “por ser profeta... por ser justo” (TB). A mesma preposição é usada aqui para “na qualidade de profeta ... na qualidade de justo, no caráter de profeta... no caráter de justo ... por ser profeta... por ser justo”. Poderíamos dizer ainda: “em nome de profeta... em nome de justo”. Os ninivitas “se arrependeram com a pregação de Jonas” (Mt 12.41). O “com” nessa passagem é a mesma preposição eis. Diante disso, Robertson é da opinião que o apóstolo apelava ao “batismo para cada um daqueles que já se haviam arrependido, e que isso foi feito em nome de Jesus Cristo com base no perdão dos pecados que eles já tinham recebido” (ROBERTSON, tomo 3, 1989, p. 50).
         A salvação é pela fé somente (Ef 2.8, 9). O Novo Testamento mostra que o batismo não salva: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16). A segunda cláusula não diz: “Quem não for batizado será condenado”. João batizava as pessoas depois de manifestarem “frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8; Lc 3.8); as pessoas batizadas no dia de Pentecostes haviam primeiramente recebido a palavra (At 2.41). O malfeitor crucificado ao lado do Senhor Jesus não foi batizado; no entanto, Jesus lhe disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43).
         A prática do batismo infantil se fundamenta basicamente na interpretação de que o batismo é um meio da graça salvadora, para uns; e outros o interpretam como sinal e selo da aliança, que teria sido substituído pela circuncisão dos israelitas, mas está escrito: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl 6.15). Essas interpretações não se sustentam biblicamente. O batismo é somente para os crentes em Jesus e é necessário primeiro crer nele e também pedir para ser batizado (At 8.36-38). Para isso, é necessário arrependimento e fé. A criança não preenche esses requisitos. O Novo Testamento mostra o batismo seguido da fé (At 2.41; 8.12). Isso não deixa margem para o batismo infantil. Os que defendem essa prática costumam apelar para o testemunho de Lídia (At 16.15), do
carcereiro de Filipos (At 16.33, 34), de Crispo, o principal da sinagoga de Corinto, juntamente com os demais que receberam a Jesus como seu Salvador (At 18.8) e a família de Estéfanas que o apóstolo Paulo batizou (1 Co 1.16). Nenhum desses testemunhos remete a crianças; é uma interpretação forçada querer introduzir batismo infantil nessas passagens bíblicas.

A Ceia do Senhor
         A Ceia do Senhor é o rito da comunhão e significa a continuação da vida espiritual (1 Co 11.20). A Ceia do Senhor foi instituída diretamente pelo Senhor Jesus após a refeição da Páscoa na companhia de seus discípulos (Mt 26.26-28). Desde então a Igreja vem celebrando esse memorial e proclamando a nova aliança: “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Co 11.25). Essa solenidade envolve o passado, a morte de Jesus; o presente, a nossa comunhão; e o futuro, a sua vinda – “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11.26).
         As palavras de Jesus “Isto é o meu corpo” (Mt 26.26) e “Isto é o meu sangue” (Mt 26.28) são os seus dois elementos da ceia do Senhor. O Senhor Jesus estava pessoalmente com os seus discípulos quando disse essas palavras. Isso mostra que o corpo e o sangue aqui não são literais; trata-se de uma linguagem metafórica (1 Co 5.8). Os católicos romanos ensinam que, no ato da consagração, o pão e o vinho são literalmente transformados no verdadeiro corpo e sangue de Cristo, uma mudança metafísica; eles afirmam que essa mudança é na essência ou substância, não nos acidentes, como eles chamam, mantendo o pão a forma, a textura e o sabor do pão. Essa doutrina é chamada de transubstanciação, aprovada no Concílio de Latrão IV em 1215 e reafirmada no Concílio de Trento no século 16. Durante a Reforma Protestante, surgiram novas interpretações. Lutero rejeitou a doutrina da transubstanciação, mas defendia a ideia de que o corpo e o sangue de Jesus estão presentes “em, com e sob” o pão e o vinho, mas as moléculas não são transformadas em carne e sangue. Essa doutrina foi chamada mais tarde de consubstanciação. No entendimento dos católicos romanos, o pão e o vinho são o corpo e o sangue físico de Cristo; na concepção luterana, o pão e o vinho contêm o corpo e o sangue físico. As igrejas reformadas defendem a presença espiritual do corpo e do sangue, mas o apóstolo Paulo não fala sobre essa presença na reunião porque Jesus já está presente conosco e principalmente nos cultos (Mt 18.20; 28.20; Jo 14.23). Zwínglio, reformador suíço contemporâneo de Lutero, ensinava que esses elementos são emblemas que representam o corpo e o sangue de Jesus. Na verdade, esses elementos são metafóricos e representam o corpo e o sangue de Jesus. A Ceia do Senhor é um momento sublime de relacionamento e comunhão com Jesus.
         Trata-se de um compêndio de preceitos morais e de instrução sobre a organização das comunidades cristãs sobre diversos assuntos, como batismo, ceia do Senhor, oração, jejum e assim por diante. O texto foi produzido entre os anos 70 e 120, mas, segundo Eusébio de Cesareia, não é obra de nenhum apóstolo (História eclesiástica, livro 3.XXV).


Sobre este material:
Todo a obra aqui exposta foi extraído do livro cujas informações abaixo sem nenhuma adaptação.