domingo, 20 de agosto de 2017

Adão

O primeiro registro de comunicação entre o Criador e aqueles que Ele criou à sua imagem acha-se em Génesis 1.28: “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Foi Deus quem tomou a iniciativa, dirigindo a palavra à humanidade, estabelecendo assim um princípio fundamental: ouvir a Palavra de Deus (tomar conhecimento de sua vontade) é pelo menos tão importante quanto dirigirmos a Ele nossas preocupações — e talvez implique em maior consequência.
            Embora o termo “oração” não seja usado na narrativa de Adão e  Eva, a comunicação entre Deus e estas duas pessoas, criadas à sua imagem, é clara e evidente. Devemos observar  ainda  que  estes primeiros seres humanos se comunicaram  não  somente  com  Deus, mas também com o anjo caído, Satanás (cf. Gn 3-2-5; Ap 12.9; 20.2). Tanto Deus quanto Satanás dirigem palavras aos seres humanos; devemos aprender a discernir entre os dois. A oração eficaz está alicerçada sobre aquilo que Deus diz, sua Palavra, mas pode ser impedida  se  escutarmos  o  que  Satanás  tem  a dizer.
            Quando ouvem Satanás, as pessoas lançam uma barreira de comunicação entre elas e o Deus que  deseja  abençoá-las.  Embora Deus andasse com Adão e Eva  —  Ele  “passeava  no  jardim  pela viração do dia” (Gn 3-8) — , eles não puderam tolerar  uma  comunhão tão íntima após a queda  no  pecado.  Suas  consciências  os levaram  a  uma  tentativa  inútil  de  esconder-se.
            A brecha entre Deus e os pecadores não terá remédio  enquanto eles, por sua própria confissão, não  possibilitarem  a  abertura  da  porta  da  misericórdia:  “[Adão]  disse:  Ouvi a  tua  voz  soar no  jardim, e temi,  porque estava  nu,  e  escondi-me.  E fez o  Senhor Deus  a Adão e  a  sua  mulher  túnicas  de  peles  e  os  vestiu” (Gn 3-10,21).


Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque
Editoração: Flamir Ambrósio

Veneração

A veneração é a reverência estendida a um  ser  reconhecidamente sobrenatural. É também o ato de expressar essa reverência, admiração  ou  devoção.  Quatro palavras  do Antigo  Testamento têm o sentido de “venerar”. Essas  palavras  originais  são  traduzidas  por um grande número de palavras alternativas na língua portuguesa, incluindo “adorar” (principalmente), “servir”, “homenagear”, “prostrar-se” e “reverenciar”. Salmos 29.2 é uma típica  tradução  da  palavra hebraica chawah [ou shachah], que tem o sentido de “prostrar- se profundamente em homenagem ”:  “Dai ao  Senhor a glória devida ao seu nome; a d o r a i [venerai] o Senhor na beleza da sua santidade” (grifo do autor). A partir deste ponto, pelo fato de em português a distinção  entre  as  palavras  “veneração”  e   “adoração”  ser praticamente  inócua,  têlas-em os com o sinónimas.

Pelo menos uma dúzia de palavras gregas são traduzidas como “adoração” ou “veneração” no Novo Testamento. A palavra grega mais usada é proskuneo — “cair prostrado em reverência e     homenagem ”. Relacionada a ela está proskunetes, que significa “adorador”. Ao falar à mulher samaritana, Jesus definiu a verdadeira adoração com o um elo espiritual entre Deus e a pessoa: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).
As 15 palavras e expressões anteriores representam 15 aspectos da oração. Nenhuma delas, isoladamente, abarca todo o significado dessa grande disciplina da vida cristã — a oração. Mas a com preensão de cada uma delas, tanto em particular com o em função do conjunto, aliada à prática, mostrará que uma vida de oração efetiva não somente é possível mas desejável. Revise seu domínio desses termos, alistando-os numa folha de papel e escrevendo ao lado suas respectivas definições. Em seguida, verifique se você incluiu todas as partes essenciais de cada uma dessas definições.
Há muitas perguntas concernentes à oração que ficarão sem resposta até enfrentarmos, face a face, aquEle a quem oramos. A oração bíblica inclui esforço árduo, intercessão e importunação. Mas também inclui submissão e confiança. Envolve tanto o lutar com Deus quanto o repousar pacificamente em seus braços, e também implica em argumentar e queixar-se diante de Deus — Ele compreende que somos humanos. Mas se não aprendermos o que significa ser submisso, nossas orações não poderão fazer muita coisa.
Quando você estudar as orações existentes na Bíblia e os ensinos sobre a oração, nos próximos capítulos, algumas perguntas invariavelmente surgirão. Não temos a pretensão de responder todas. Guãrde-as no coração. Peça ao Espírito que as use (bem como a quaisquer outras perguntas não respondidas acerca da oração) para levá-lo a uma vida devocional mais profunda e a uma comunhão mais íntima com aquEle que pode dar resposta a cada pergunta humana.


Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque

Editoração: Flamir Ambrósio

Dores

A palavra “dores” é usada na Bíblia para referir-se a todo trabalho doloroso ou laborioso, seja físico ou mental. No Antigo Testamento, a ideia é frequentemente associada com o trabalho de parto. Por extensão, as dores na oração significam aquele esforço árduo que visa obter uma resposta de Deus. Outras traduções das palavras hebraicas de maior ocorrência para “dores” incluem "labor”, “negócios”, “misérias”, “tribulação” e “tristeza”.
As palavras traduzidas por “dores” no Novo Testamento também envolvem sentidos associados ao ato de dar à luz a uma criança: “produzir”, “parir” e “dor”. Paulo comparou o sentimento que o dominava quando orava pela saúde espiritual dos crentes da Galácia às dores de uma mulher na hora do parto: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as d ores de parto , até que Cristo seja formado em vós” (G1 4.19, grifo do autor). Para os propósitos do nosso estudo, a palavra “dores” deve ser compreendida como aquela intensa dedicação à oração que chega a produzir agonia e intensa dor interior em prol duma causa espiritual, principalmente o nasci­ mento e desenvolvimento de almas e ministérios no Reino de Deus.



Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque
Editoração: Flamir Ambrósio