quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A SANTIFICAÇÃO

1Pe 1.2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas”.



Santificação (gr. hagiasmos) significa “tornar santo”, “consagrar”, “separar do mundo” e “apartar-se do pecado”, a fim de termos ampla comunhão com Deus e servi-lo com alegria (ver também o estudo).
 A SEPARAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE).
(1) Além do termo “santificar” (cf. 1Ts 5.23), o padrão bíblico da santificação é expresso em termos tais como “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37), “irrepreensíveis em santidade” (1Ts 3.13), “aperfeiçoando a santificação” (2Co 7.1), “a caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida” (1Tm 1.5), “sinceros e sem escândalo algum” (Fp 1.10), “libertados do pecado” (Rm 6.18), “mortos para o pecado” (Rm 6.2), “para servirem à justiça para santificação” (Rm 6.19), “guardamos os seus mandamentos” (1Jo 3.22) e “vence o mundo” (1Jo 5.4). Tais termos descrevem a operação do Espírito Santo mediante a salvação em Cristo, pela qual Ele nos liberta da escravidão e do poder do pecado (Rm 6.1-14), nos separa das práticas pecaminosas deste mundo atual, renova a nossa natureza segundo a imagem de Cristo, produz em nós o fruto do Espírito e nos capacita a viver uma vida santa e vitoriosa de dedicação a Deus (Jo 17.15-19,23Rm 6.513161912.1Gl 5.1622,23; ver 2Co 5.17 nota).
(2) Esses termos não subentendem uma perfeição absoluta, mas a retidão moral de um caráter imaculado, demonstrada na pureza do crente diante de Deus, na obediência à sua lei e na inculpabilidade desse crente diante do mundo (Fp 2.14,15Cl 1.221Ts 2.10; cf. Lc 1.6). O cristão, pela graça que Deus lhe deu, morreu com Cristo e foi liberto do poder e domínio do pecado (Rm 6.18); por isso, não precisa nem deve pecar, e sim obter a necessária vitória no seu Salvador, Jesus Cristo. Mediante o Espírito Santo, temos a capacidade para não pecar (1Jo 3.6), embora nunca cheguemos à condição de estarmos livres da tentação e da possibilidade do pecado.
(3) A santificação no AT foi a vontade manifesta de Deus para os israelitas; eles tinham o dever de levar uma vida santificada, separada da maneira de viver dos povos à sua volta (ver Êx 19.6 nota; Lv 11.44 nota; 19.2 nota; 2Cr 29.5 nota). De igual modo a santificação é um requisito para todo crente em Cristo. As Escrituras declaram que sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).
(4) Os filhos de Deus são santificados mediante a fé (At 26.18), pela união com Cristo na sua morte e ressurreição (Jo 15.4-10Rm 6.1-111 Co 130), pelo sangue de Cristo (1Jo 1.7-9), pela Palavra (Jo 17.17) e pelo poder regenerador e santificador do Espírito Santo no seu coração (Jr 31.31-34Rm 8.131Co 6.111Pe 1.22Ts 2.13).
(5) A santificação é uma obra de Deus, com a cooperação do seu povo (Fp 2.12,132Co 7.1).
Para cumprir a vontade de Deus quanto à santificação, o crente deve participar da obra santificadora do Espírito Santo, ao cessar de praticar o mal (Is 1.16), ao se purificar “de toda imundícia da carne e do espírito” (2Co 7.1; cf. Rm 6.12Gl 5.16-25) e ao se guardar da corrupção do mundo (Tg 1.27; cf. Rm 6.13,198.13Ef 4.315.18Tg 4.8).
(6) A verdadeira santificação requer que o crente mantenha profunda comunhão com Cristo (ver Jo 15.4 nota), mantenha comunhão com os crentes (Ef 4.15,16), dedique-se à oração (Mt 6.5-13;Cl 4.2), obedeça à Palavra de Deus (Jo 17.17), tenha consciência da presença e dos cuidados de Deus (Mt 6.25-34), ame a justiça e odeie a iniqüidade (Hb 1.9), mortifique o pecado (Rm 6), submeta-se à disciplina de Deus (Hb 12.5-11), continue em obediência e seja cheio do Espírito Santo (Rm 8.14Ef 5.18).
(7) Segundo o NT, a santificação não é descrita como um processo lento, de abandonar o pecado pouco a pouco. Pelo contrário, é apresentada como um ato definitivo mediante o qual, o crente, pela graça, é liberto da escravidão de Satanás e rompe totalmente com o pecado a fim de viver para Deus (Rm 6.182Co 5.17Ef 2.4,6Cl 3.1-3). Ao mesmo tempo, no entanto, a santificação é descrita como um processo vitalício mediante o qual continuamos a mortificar os desejos pecaminosos da carne (Rm 8.1-17), somos progressivamente transformados pelo Espírito à semelhança de Cristo (2Co 3.18) crescemos na graça (2Pe 3.18), e devotamos maior amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-391Jo 4.10-1217-21).
(8) A santificação pode significar uma outra experiência específica e decisiva, à parte da salvação inicial. O crente pode receber de Deus uma clara revelação da sua santidade, bem como a convicção de que Deus o está chamando para separar-se ainda mais do pecado e do mundo e a andar ainda mais perto dEle (2Co 6.16-18). Com essa certeza, o crente se apresenta a Deus como sacrifício vivo e santo e recebe da parte do Espírito Santo graça, pureza, poder e vitória para viver uma vida santa e agradável a Deus (Rm 12.1,26.19-22).

Extraído:
©Bíblia de Estudo Pentecostal -23/08/2017
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus

terça-feira, 22 de agosto de 2017

“SUBSÍDIO TEOLÓGICO LBJ” - CAPÍTULO 9 HEDONISMO, UM PERIGO DO NOSSO TEMPO

"Você não tem uma alma... Você é uma alma. Você tem um corpo.
— Walter M. Miller Jr.
“A cultura que temos não contribui para que as pessoas se sintam felizes com elas mesmas. [...] E preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. ”
 — Morrie Schwartz

 I. Hedonismo, A Cultura do Prazer

Conceito

O hedonismo pode ser definido, de maneira direta, como a “doutrina filosófica, da época pós-socrática, segundo a qual o prazer individual e imediato é o supremo bem da vida”.1 Outros teóricos acrescentam que, além de buscar o prazer, o hedonismo tem como objetivo, simultaneamente, evitar a dor e o sofrimento.

Destarte, diante desse grau exacerbadamente egoísta, que coloca o bem-estar pessoal como a coisa mais importante da existência, o hedonismo se constitui numa das cosmovisões mais perniciosas deste mundo, uma vez que contamina o jeito das pessoas pensarem. O hedonismo justifica, por exemplo, às condutas que ferem a integridade e os compromissos morais, desde que sejam prazerosas pessoalmente, e pode até autorizar o estabelecimento de políticas públicas extremante cruéis com o próprio ser humano, como o aborto e a descriminalização do uso de drogas. Tudo em homenagem à satisfação pessoal, no mais elevado patamar.
Ao divinizar o prazer, o hedonismo faz dele um fim em si mesmo... O bem supremo, transformando-o em um deus ou, quem sabe, em um demônio, que fará de tudo para conseguir seu objetivo.

C. S. Lewis abordou isso da seguinte maneira:

Mas Eros, quando honrado sem reservas e obedecido incondicionalmente, torna-se um demônio. E é exatamente assim que ele exige ser louvado e obedecido. Divinamente indiferente aos nossos interesses pessoais, ele é também diabolicamente rebelde a todas as exigências de Deus ou do Homem que lhe forem contrárias. Como diz o poeta:
Os amantes são imunes à bondade. E a oposição os faz sentir-se mártires. “Mártires” é a palavra exata.

Como visto, o desejo sexual, como aduz C. S. Lewis, pode se transformar, caso não seja controlado, em um demônio. De fato, esse desejo pode se tornar em algo tão forte e irracional que lutará contra tudo e todos, independentemente das consequências e trará graves danos. Lewis, em outro livro clássico, arremata que o prazer em si mesmo é uma coisa salutar, porém o equívoco fatal consiste em buscá-lo excessivamente, a qualquer custo, pelos métodos errados.

Dizer que o hedonismo coloca o prazer como um deus, o qual deve ser adorado, não é um exagero, mas uma triste realidade. Walter Schubart afirma isso, quando engrandece o prazer sexual como um ato de redenção, e coloca “Eros” na condição de uma divindade por meio do qual virá à salvação da humanidade. Vejamos:

O processo sexual mais rudimentar já é, pois, misteriosamente ligado à entrega em si, criação e redenção [...]. Desde que é tomado pelo amor redentor, o homem é aflorado pelo absoluto. [...] O amor libertador visa a conversão do homem. Sua natureza e seus efeitos são idênticos, quer o Absoluto irrompa na alma sob a forma do sentimento divino, quer sob a forma do amor sexual.

Sem dúvida, a adoração pela satisfação do corpo não é algo que deva ser buscado. O excesso do hedonismo pode ser plenamente percebido.
E óbvio que Deus não veta o prazer aos seus servos, mas isso deve vir como consequência natural por se viver a vida adequadamente, servindo ao Senhor. É preciso entender as palavras de Walter M. Miller Jr.:
“Você não tem uma alma... Você é uma alma. Você tem um corpo”.
Isso significa que ninguém deve ser dominado por aquilo que possui, seja o corpo ou as coisas do mundo. A Bíblia afirma que “necessidade padecerá quem ama os prazeres...” (Pv 21.17). Dessa forma, pela Palavra, podemos dizer: Quem ama o prazer, penúria passará. Ceder aos impulsos impensadamente, na busca dos prazeres, não é a coisa mais sabia a ser realizada, como bem arremata um adágio popular: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece”.

Origens

A palavra hedonismo deriva do termo grego hedone, que significa prazer, deleite, aprazimento. Assim, objetivando que a felicidade assumisse o sentido de “obtenção do prazer”, surgiu na Grécia, organizado como pensamento filosófico, o hedonismo, tendo como maior arauto Aristipo de Cirene (435-335 a.C.). Ao longo da história, porém, muitos se levantaram para defender o prazer como o valor mais precioso da existência.

Thomas More (1478-1535), por exemplo, ensinava um epicurismo utópico, onde os prazeres poderiam ser satisfeitos amplamente, ao mesmo tempo em que todo o sofrimento poderia ser evitado. Já os utilitaristas Jeremy Benthan (1782-1875) e John Stuart Mill (1806-1873) ensinavam que o objetivo maior da existência humana é beneficiar e dar prazer para o maior número de pessoas, pelo tempo mais longo possível, dentre muitos outros. Também na seara da psicologia, a escola de pensamento chamada behaviorismo, igualmente, palmilhou pela teoria hedonista, defendendo que o homem deveria anelar as coisas que visam o auto interesse, de acordo com o princípio do prazer, evitando toda espécie de dor.

É importante dizer, também, que o Senhor nunca chancelou a tese que coloca o prazer ou a felicidade própria como a prioridade na vida.
Ao contrário, elegendo o prazer como o bem supremo da existência (a mesma coisa que faz o avarento, em relação ao dinheiro — Cl 3.5), o hedonista torna-se um idólatra. O primeiro lugar em cada coração deve, sempre, pertencer a Deus (Mt 6.33; Rm 11.36).

Consequências

A vida do hedonista é vazia de significado, porque “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, mas seres espirituais vivendo uma experiência humana”, como dizia Teilhard de Chardin (1881-1955).
Assim, a autossatisfação sensorial não pode preencher todo o interesse do homem, um ser triúno. Em um primeiro instante, é possível que os prazeres da carne (Rm 8.8) alcancem um patamar valorativo importante, porém os momentos de angústia posteriores, pelo vazio existencial, e pela separação de Deus, serão abundantes, significativos e determinantes.

O rei Salomão, por exemplo, depois de prometer a si mesmo “gozar o prazer” (Ec 2.1), satisfazer a concupiscência dos olhos e realizar seus desejos mais secretos (Ec 2.10), olhou para as obras de suas mãos e disse: “Eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Ec 2.11). Ele abandonou a sabedoria, tornando-se idólatra de deuses estranhos pela influência de mulheres que supostamente lhe davam prazer (1 Rs 11.1-8)!

II. Hedonismo e as Obras da Carne

Ideologia de Gênero

A Bíblia diz que haverá juízo para quem chamar o mal de bem e o bem de mal (Is 5.20), assim como para aqueles que fazem leis injustas (Is 10.1). A ideologia de gênero é uma dessas inversões de valores, pois viola imutáveis leis da natureza. Se um bebê nasce com identificação genética masculina (XY) não poderá, por inclinação sexual, ser considerado um indivíduo com a configuração cromossômica (XX) que representa e sexo feminino e vice-versa. O que se vislumbra é que essas reivindicações pós-modernas chancelam algumas obras da carne, tais como, neste caso, “prostituição, impureza e lascívia...” (G15.19). O fundamento de tudo isso, portanto, são paixões sensuais que atentam contra a própria existência da humanidade, e agridem a santidade de Deus (Rm 1.26-28).

Recentemente, uma famosa atriz brasileira contou em entrevista que “até os 14 anos, qtferia ser homem”.7 Isso chocou muitas pessoas que nunca suspeitaram que ela enfrentara tal questionamento íntimo. Se na época de sua adolescência a ideologia de gênero estivesse em alta, talvez a talentosa atriz tivesse seguido outro caminho na vida. Esse comportamento demonstra que crises existenciais, inclusive sobre identidade sexual, podem não ser para sempre e não significam que a pessoa deva assumir outra personalidade.

Aborto

Os que defendem o aborto dizem que o corpo feminino pertence à mulher e, por isso, ela pode dispor dele como quiser. Falam assim, porque acreditam ser a gestante a proprietária da vida gerada, e que o feto é tão somente um apêndice do corpo feminino; por tal motivo, arrazoam que a gravidez pode ser interrompida. Ledo engano.

O aborto é uma obra da carne chamada homicídio (G1 5.21). Não há meias palavras. No salmo 139, Davi, sob inspiração divina, mencionou como Senhor se relaciona proativamente com a vida que ainda não tem contornos humanos. Ainda que seja uma pequena “semente” no ventre materno, Deus já a trata com o cuidado de um filho ou filha. Há, nesse sentido, abundantes e irrefutáveis estudos médicos, e bioéticos que demonstram que a vida começa com a fecundação.

Sendo assim, qualquer agressão que se desenvolve contra a vida gerada, atentará contra o mandamento de Deus (Ex 20.13), violará a cláusula pétrea (que não pode ser mudada) da Constituição Federal do Brasil de 1988, que diz ser inviolável o direito à vida (art. 5o, caput) e transgredirá o art. 2o do Código Civil Brasileiro, que anui que a lei “... põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.”

A obrigação do cristão, independentemente da lei do país, deve ser proteger e até dar a vida pelos irmãos (Gn 4.9; 1 Jo 3.16) e não tolher precocemente o direito de nascer. Essa é a missão primacial de todo que tem sua existência transformada por Cristo — um pequeno vislumbre dessa maravilhosa cosmovisão transformadora chamada cristianismo.

Descriminalização das drogas

Recentemente, inúmeras publicações mencionaram o reconhecimento da Holanda de que a liberação da maconha no país foi um erro. Sem dúvida, a chancela estatal do uso de drogas que alteram a capacidade de raciocinar não pode nem poderia dar certo. Os jovens, sem esperança e Deus no mundo, sempre buscarão novas sensações incansavelmente e, em seguida, experimentarão todas as substâncias psicotrópicas que lhes forem apresentadas, num círculo vicioso interminável. Essa estrada só possui um destino: a morte precoce.

A obra da carne denominada “bebedice” (G1 5.21; Is 5.11) também tem sua motivação no hedonismo. É a busca pelo prazer que faz uma pessoa “gastar o seu dinheiro naquilo que não é pão” (Is 55.2). Está escrito: “não estejas entre os beberrões de vinho... porque o beberrão...” cairá “em pobreza”(Pv 23.20,21). O uso de substância embriagante tira o homem do senso comum, confere-lhe um novo status e provoca novas sensações prazerosas. Esse é o processo das drogas ilícitas modernas:
maconha, crack, cocaína, LSD, êxtase, etc. Consumi-las, portanto, é uma obra da carne e, por isso, devem ser evitadas e combatidas.

lil. A Cosmovisão Judaico-Cristã

O cristianismo traz consigo a verdade absoluta, inquebrável, inegociável, transformadora, o que gera, em regra, conflito no cerne da sociedade, pelo confronto de valores entre a Lei de Deus e os paradigmas humanos. Isso não tem como ser resolvido consensualmente, pois a chegada do cristianismo sempre imporá um novo padrão, que afetará a vida das pessoas. Esse conjunto de ideias, oriundas da Bíblia, convencionou-se denominar majoritariamente de cosmovisão judaico-cristã.
Os apologistas Charles Colson e Nancy Pearcey expressam com clareza o assunto, ao afirmarem:

O termo “visão de mundo” (cosmovisão) pode parecer abstrato ou filosófico [...]. Mas, na verdade, a visão de mundo de uma pessoa é intensamente prática. Ela é a soma total das nossas crenças sobre o mundo, o “quadro geral” que dirige as nossas decisões e ações diárias.
E assim, entender as visões de mundo é extremamente importante para a maneira como vivemos — saber como avaliar todas as coisas [...]. A base da visão de mundo cristã, naturalmente, é a revelação de Deus nas Escrituras. [...]

O cristianismo genuíno é mais do que o relacionamento com Jesus que é expresso por meio da devoção pessoal, da presença na igreja, do estudo bíblico e das obras de caridade. É mais do que um discipulado, mais do que crer em um sistema de doutrinas a respeito de Deus. O cristianismo genuíno é uma maneira de ver e de compreender toda a realidade. É uma visão de mundo.

Entender o cristianismo como um completo sistema de vida é absolutamente essencial, por duas razões. Primeiro, isso permite que o mundo em que vivemos faça sentido para nós e, portanto, ordenemos a nossa vida mais racionalmente. Segundo, isso permite que entendamos as forças hostis à nossa fé, nos preparando para evangelizar e defender a verdade cristã como instrumentos de Deus para transformar a cultura.

Assim, a visão de mundo esposada pela igreja de Cristo confronta os padrões hedonistas da sociedade, não admitindo, como citado, a existência de leis que justifiquem e estimem as obras da carne e permita que o corpo seja um instrumento do pecado.

0 corpo como sacrifício vivo

Enquanto o hedonismo segue transtornando o mundo, ao levar mais jovens à sensualidade, libertinagem, prostituição e drogas, e a todo o tipo de vícios, Deus oferece um jeito diferente de enxergar os valores da vida: com pureza de coração. Roberts Daniels, ao abordar a questão do desejo sexual, assim arremata:

Deus fixou padrões para uma vida santa e correta levando em consideração a conduta e o pensamento sexual. Violar esses padrões irá
afundar nossa fé. O inimigo vence outra batalha sempre que afunda um cristão antes mesmo de ele entrar na luta.

Esse pensamento sobre a sexualidade é repelido fortemente pelo mundo, que deseja que a libertinagem seja o ponto alto da civilização ocidental. Na proporção que o mundo, com sua sensualidade, leva os jovens à morte, o Senhor conduz seus filhos pela estrada da vida, ensinando-os a levarem a cruz de cada dia. Isso significa, em poucas palavras, oferecer o corpo em sacrifício vivo, santo é agradável a Deus; o culto racional (Rm 12.1).

A mente transformada (Rm 12.2)

Outro aspecto da cosmovisão judaico-cristã é a necessidade de se ter uma “mudança de mente”, do grego metánoia (Rm 12.2). Novos pensamentos que visem à glória de Deus, para que se compreenda toda a sua vontade.

A mentalidade a sociedade atual inclina-se totalmente ao hedonismo, nos seus mais variados aspectos. O sentimento de ter prazer pessoal com as coisas da vida, e nada padecer, suplanta todo o sentimento de amor ao próximo. Assim, por exemplo, contribuir com a obra missionária de povos não alcançados pelo Evangelho, ajudar na melhoria da saúde de crianças pobres e desnutridas, trazer algum consolo aos órfãos, viúvas, presos e doentes, como ensinou Jesus, são ideias impensáveis para um hedonista, o qual não sai da sua “zona de conforto” para cumprir o segundo Mandamento. O interesse é tão somente de crescer, brilhar e desfrutar dos prazeres do mundo. Phil Callaway, com perspicácia, traz à tona o que está acontecendo nos dias atuais:

Nossa televisão nos promete que um carro mais novo, uma bebida mais gelada ou uma esposa mais bonita são a chave para chegar lá.
Os cartazes de rua garantem-nos que um degrau a mais na escada, um voo para algum lugar exótico ou uma viagem despreocupada até a aposentadoria vão tornar a vida mais rica. Mas, lá no fundo, sabemos que é tudo mentira. Apesar disso, milhões que nós gastamos a vida inteira atrás do que não têm... e acabam se esquecendo do que realmente precisam. [...]

Esta é a nossa cidade — um lugar onde as pessoas gastam dinheiro, que não suaram para ganhar, para comprar coisas de que não precisam, para impressionar gente de quem não gostam.

O brilhante Charles Colson (1931-2012) também visualizou o mesmo problema no mundo atual. Ele disse:

Toda vez que ligamos a televisão, ou abrimos uma revista, ou um jornal, somos bombardeados com as boas novas do comercialismo:
para cada necessidade, cada insegurança, cada preocupação, existe um produto à venda que pode satisfazer as nossas necessidades, levantar a nossa autoestima e acalmar a nossa preocupação. [...] elaboram imagens sedutoras e frases apropriadas para nos prender, levando-nos a pensar que adquirindo os produtos anunciados satisfaremos aquelas necessidades fundamentais."

Assim, como visto, a cultura deste mundo hedonista não deve ser paradigma para aqueles que pretendem andar com Deus. Mas como fazer para não ser influenciado por um modo de pensar tão amplo e atraente? Para responder essa pergunta, fazemo-nos valer, mais uma vez, da afirmação do professor Morrie Schwartz: “A cultura que temos não contribui para que as pessoas se sintam felizes com elas mesmas. É preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela”.

A mentalidade deste tempo, portanto, representa bem o que o escritor de Eclesiastes pontificou: “Vaidade de vaidades. Tudo é vaidade” (1.2).
O cristianismo, por outro lado, traz ao mundo a única visão capaz de solucionar todos os problemas da sociedade moderna: a cosmovisão judaico-cristão. Se o homem deste século a absorvesse, o mundo seria um lugar bem melhor para se viver.

A contracultura do Reino

A cultura deste mundo produz, diariamente, uma grande quantidade de lixo cibernético hedonista. Calcula-se que, ao dia, cerca de 1 bilhão de novos arquivos são postados na Internet. A presente geração é, de fato, viciada em novas informações, como acontecia, em menor grau, com os habitantes da Atenas, os quais “[...] de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade” (At 17.21). Se em Atenas as pessoas eram ávidas em compartilhar “alguma novidade”, a sociedade contemporânea já compilou grande conhecimento, em multiformes áreas, por milênios, entretanto, a ânsia por uma nova sensação, a busca desenfreada por um novo prazer, sem nenhum sofrimento, ainda não chegou ao fim. E nunca chegará, pois essa é a essência do hedonismo.
Neste mercado do prazer, sempre haverá espaço para uma nova droga, um pecado mais atual, uma experiência prazerosa mais intensa.

A busca licenciosa pelo prazer contaminou, de maneira decisiva, a terra com o pecado. Haveria necessidade de os pais da raça humana experimentarem novas sensações, além daquelas propiciadas por Deus no Éden? Claro que não! Eles tinham tudo para ser felizes. A Queda de Adão e Eva, portanto, foi o resultado de um impulso hedonista primário, como explica Tiago (Tg 1.14,15). A cultura do prazer, de fato, é uma coisa muito antiga.

Diante disso, os cristãos devem viver uma contracultura, uma confrontação com os paradigmas sociais, que desafie a mentalidade dominante no mundo decaído, como faz o filósofo Roger Scruton, o qual se insurge contra alguns valores estabelecidos socialmente, criticando, por exemplo, a denominada arte erótica, ao compará-la à pornografia, e asseverando que tais condutas estão em oposição aos interesses da humanidade:

[...] a pornografia não pertence à esfera da arte, porque ela é incapaz da beleza em si e porque dessacraliza a beleza das pessoas que retrata.
A imagem pornográfica é como uma varinha mágica que transforma sujeitos em objetos e pessoas em coisas; assim, acaba por tirar-lhes o encanto e destruir a fonte de sua beleza. [...]

A comparação entre a pornografia e a arte erótica revela-nos que o gosto está enraizado em nossas preferências mais amplas e que essas preferências expressam e estimulam certos aspectos de nosso caráter moral. O ataque à pornografia é o ataque ao interesse que ela serve — o interesse em ver as pessoas reduzidas a seus corpos, objetificadas como animais, reificadas e obscenizadas. Trata-se de um interesse que muitos têm, mas está em oposição à nossa humanidade.

Roger Scruton, com isso, defende uma contracultura que afronta o prazer a qualquer custo. Ele critica a utilização da arte com temas eróticos ao afirmar que isso não é arte, e sim uma forma de pornografia. Que ideia! Essa concepção do filósofo conservador inglês traz em seu bojo a contracultura do Reino, calcada nos paradigmas da Palavra de Deus.

O mais importante disso tudo é saber que cada cristão, dentro da sua área de atuação, deve rechaçar a mentalidade dominante no mundo, seja com açóes concretas ou defendendo um jeito de viver baseado na cosmovisão judaico-cristã. O certo é que, por amor, a Igreja do Senhor não pode ficar calada, mas deve cumprir com ousadia o mandato cultural recebido de Deus de transformar o mundo, porquanto “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”.


Extraído do livro:
  TEMPO PARA
  TODAS AS COISAS
Aproveitando as Oportunidades que Deus nos dá .
REYNALDO ODILO.
ISBN: 978-85-263-1464-1

(SUBSÍDIO TEOLÓGICO) LIÇÃO 09 3T 2017-ADULTO - A NECESSIDADE E A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA.




A doutrina da santificação pertence em parte à doutrina de Deus e em parte à doutrina da salvação, a soteriologia; é a santidade como atributo divino e a santidade como elemento constituinte da salvação. Deus é absolutamente santo, sua santidade é infinita e inigualável, Ele é santo em Si mesmo, em sua essência e natureza; no entanto, está escrito: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
Essa passagem é citada no Novo Testamento (1 Pe 1.16). Deus exige santidade de seu povo porque Ele é santo. Temos aqui a santidade em Deus e nas pessoas; isso explica a dúbia classificação, apesar de haver enorme e incomparável diferença entre a santidade de Deus e a santidade do ser humano.

SANTIDADE COMO ATRIBUTO DIVINO
         A santidade é uma das perfeições de Deus conhecidas como atributos morais ou transitivos, pois há nos humanos alguma ressonância. Ele é absolutamente santo em natureza e conduta; sua santidade é sui generis e se distingue de tudo o que há no universo, porque lhe é próprio, é uma característica inerente ao seu Ser, absoluta e perfeita. É o atributo mais solenizado nas Escrituras. Sua Pessoa é santa: “o nosso Deus é santo” (Sl 99.9); seu nome é santo: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo” (Is 57.15); sua morada é santa: “Olha desde a tua santa habitação, desde o céu” (Dt 26.15); Cale-se, toda a carne, diante do SENHOR, porque ele despertou na sua santa morada” (Zc 2.13); santo é o seu templo: “Mas o SENHOR está no seu santo templo” (Hc 2.20); sua promessa é santa: “Porque se lembrou da sua santa palavra” (Sl
105.42).
         A conclusão de tudo isso é: “Não há santo como é o SENHOR” (1 Sm 2.2); “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores” (Êx 15.11); “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3); “E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4.8); “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” (Ap 15.4). Isso é ensinado ao longo das páginas da Bíblia; não se trata apenas de um dos seus atributos comunicáveis, mas de algo fundamental a tudo o que se refere a Deus. Sua santidade é em majestade e
transcendência; Ele é separado e acima de todos os povos e muito distante de tudo o que é pecaminoso.


DEFININDO OS TERMOS
         A raiz do verbo hebraico qadash e seus termos derivados como substantivo e adjetivo têm um significado amplo, e não é possível descrevê-los por causa da escassez do espaço. Os dicionários e léxicos da língua hebraica ocupam muitas páginas para descrever e explicar esses termos. O significado básico de qadash é “ser santo, ser santificado, santificar, ser posto à parte” (Êx 29.21). O adjetivo qadôsh, “santo”, designa o próprio Deus: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3). Isso diz respeito à santidade como pureza ética. O equivalente grego é hágios: “Quem não te temerá, Senhor, e quem não glorificará o teu nome? pois só tu és santo” (Ap 15.4). Deus é santo em si mesmo completamente separado de tudo o que comum e impuro ou pecaminoso: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). A revelação aqui mostra um Deus transcendente e imanente. Ele é exaltado e elevado das nações e habita na eternidade do tempo e do espaço, e seu nome, natureza e caráter é Santo [qadôsh]. Isso é transcendência. Mas habita também com o contrito e abatido para vivificar o pecador abatido de espírito e contrito de coração. É a graça salvadora de Deus para todas as pessoas (Tt 2.11).
         A etimologia da raiz de qádash é ainda incerta; parece ser uma combinação que indica “queimar no fogo”, uma referência à oferta queimada, ou “brilho, brilhante”, especificamente divino, como no substantivo “santidade”, qodesh: “Quem é semelhante a ti, glorioso em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas? (Êx 15.11 – TB), mas a ideia básica é de “separar, retirar do uso comum”. A natureza essencial do substantivo qodesh pertence ao domínio do sagrado; a ideia é de santidade, que distingue daquilo que é comum ou profano: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10); “e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença, nem discernem o impuro do puro” (Ez 22.26); “E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o impuro e o puro” (Ez 44.23).
         Mas “qadôsh, que significa santo, era uma palavra cananeia antes de se tornar uma palavra hebraica. Na religião cananeia essa palavra não tinha um sentido ético especial. Os sacerdotes e sacerdotisas eram chamados de qadôsh no sentido de serem devotados a um deus ou deusa, mas não no sentido de pureza ética. Eles, na verdade, eram impuros, como as deidades. A prostituição sagrada fazia parte de suas práticas religiosas” (CULVER, 2012, p. 146). Isso esclarece o uso do termo qadesh e do feminino qedeshâ, “consagrado a/consagrada a”, que se aplicava a homens e mulheres consagrados aos santuários pagãos e se traduz também como “prostituto/prostituta cultual, sodomita, rameira” devido à licenciosidade da adoração aos deuses cananeus. Era o culto à fertilidade. Na cultura pagã, não havia aí conotação moral, nem bom nem mal, apesar de se tratar de uma prática repugnante aos olhos de Deus.
         A palavra qedeshâ e o termo masculino qadesh são traduzidos por “rameira” e “sodomita”, respectivamente: “Não haverá rameira dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel” (Dt 23.17). Dizem respeito à chamada prostituição sagrada” ou “cultual”. Aqui se refere à proibição de os filhos de Israel participarem dos rituais de fertilização prática dedicada a certos deuses dos cananeus (Jz 8.33). A palavra qadesh é também traduzida por “rapazes escandalosos” (1Rs 14.24; 15.12) ou “sodomitas” (TB), ou ainda “prostitutos-cultuais” (ARA) e também por “prostituto sagrado” (NVI).
         O verbo hebraico zanah, “cometer fornicação, praticar prostituição”, designa primariamente um relacionamento sexual fora de uma união formal, uma relação sexual irregular e ilegal entre um homem e uma mulher. O particípio do verbo zanah é zonah, “prostituta, meretriz”, e se refere à mulher que se entrega a tal prática, à mulher que recebe pagamento por favores sexuais (Pv 6.26; Ez 16.31, 33, 34). Essa palavra se aplica à Raabe (Jo 2.1; 6.17) e à mãe de Jefté (Jz 11.1), entre outras. Esse mesmo termo é usado para a nora de Judá (Gn 38.15), mas, logo adiante, ela é identificada como qedeshâ (Gn 38.21, 22). A Septuaginta traduziu zonah (Gn 38.15) e qedeshâ em Gênesis 38.21, 22, por porne, “prostituta, meretriz”, a mesma palavra usada para Raabe no Novo Testamento (Hb 11.31; Tg 2.25). A referência à rameira e ao sodomita é no sentido cultual; a raiz da palavra hebraica é a mesma, mas esses pagãos eram consagrados ou dedicados à imundícia, à prostituição cúltica e à idolatria, e não à santidade.
         A Septuaginta emprega os vocábulos hagiazo, “santificar”, hagiasmós, “santificação”, e hágios, “santo”, que são os termos mais usados no Novo Testamento com o mesmo sentido. A influência da Septuaginta nos escritores do Novo Testamento foi determinante, servindo de ponte linguística e teológica entre o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo. Os apóstolos encontraram nela uma fonte de conceitos e termos teológicos para expressar o conteúdo e o pensamento cristão.

A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA
         Os deuses da mitologia greco-romana apresentavam os mesmos vícios e as mesmas características dos homens – ódio, inveja, ciúme, imperfeições – e além disso cometem prostituição, comem, bebem etc. Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores. O caráter e a atividade das pessoas eram iguais aos dos deuses que eles serviam. Elas se comportavam como seus deuses sem temê-los. De modo, que é dedicado a eles, pois que praticam as mesmas coisas. Isso transmite a ideia de legitimidade às pessoas sobre as mesmas práticas dos deuses. Resumindo, as pessoas têm o direito de fazer tudo os que os deuses fazem. É exatamente isso o que se vê na sociedade greco-romana.
         Mas com o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras as coisas são diferentes. O seu caráter é puro e santo por natureza, completamente isento de pecado, portanto, e todos os que pertencem a ele precisam igualmente de pureza e santidade: “Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores” (Lv 19.2); “Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7). Essa exortação não se restringe aos filhos de Israel, pois ela reaparece no Novo Testamento ensinando aos cristãos a necessidade de uma vida santa: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15, 16).
         Quando Deus introduz os dez mandamentos com as palavras “Eu sou o SENHOR, teu Deus” (Êx 20.2), está se referindo ao resgate dos israelitas da terra do Egito, à grande libertação das garras de Faraó. Esta redenção é o tema do livro de Êxodo. A “casa da servidão” é o símbolo da opressão social. Quem paga o preço do resgate tem o direito legal de posse. A santificação dos filhos de Israel era uma exigência porque eles pertencem a um Deus que é santo em Si mesmo e também porque Ele os resgatou.
         A Igreja é agraciada com a mesma bênção e herança de Israel.
Dentre todos os povos da terra, Deus separou os israelitas para serem nação santa: “E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26); “Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt 7.6); “Porque és povo santo ao SENHOR, teu Deus, e o SENHOR te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora ter se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina; Ele exige santidade do seu povo (Lv 11.44, 45).
         A Bíblia ensina que as bênçãos de Israel são equivalentes às da Igreja. Há certa correspondência entre o chamado de Israel e o da Igreja, pois os mesmos três privilégios de Israel – “propriedade peculiar”, “reino sacerdotal e povo santo” (Êx 19. 5, 6) – são também concedidos à Igreja: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). O compromisso de santidade dos israelitas é o mesmo dos cristãos, pois Israel foi resgatado do Egito, da casa da servidão, e nós fomos libertados do poder das trevas. É assim que pertencemos a Cristo e devemos viver em santidade.
         Há certa correspondência entre o padrão das antigas nações cananeias e também dos diversos povos pagãos da Antiguidade com a sociedade atual. O estilo de vida da Antiguidade e o de hoje mantêm os mesmos princípios, como o desprezo pelos valores cristãos. A idolatria é a manifestação pública da infidelidade a Deus, comparada ao adultério e a diversas formas de prostituição (Ap 2.20). O povo de Deus em todas as épocas precisa se afastar dessas coisas, e não somente isso, mas também combater essas práticas com a pregação do evangelho. Aí estava a diferença entre as nações cananeias e a nação de Israel (Lv 11.44) e entre os cristãos e o mundo (Rm 12.1, 2; Fp 2.15). E isso vale para os nossos dias.

MODOS DE SANTIFICAÇÃO
         A santificação apresenta três estágios ou aspectos na vida do cristão: começo, desenvolvimento e conclusão; passado, presente e futuro; instantânea, progressiva e completa. O pecador é santificado no ato de sua conversão a Cristo; ela é imediata e coloca o convertido na posição de filho de Deus (Hb 3.1) e de posicionalmente santo: “mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11). Essa santificação é chamada de passada ou posicional e foi realizada por Cristo (Jo 17.17; Hb 10.10). É posicional por causa da mudança de pecador para santo ou santificado (At 26.18; 1 Co 1.2). Essa mudança moral coincide com a regeneração (Tt 3.5).
         É a santificação definitiva em que o pecador rompe de uma vez por todas o seu relacionamento com o pecado e assume um novo relacionamento com o Senhor Jesus (Rm 6.1, 2, 18; 1 Pe 2.24). É uma santificação que não se baseia no que fazemos ou no que devemos fazer, mas tem consequência na nossa vida; é uma ação do Deus trino (1 Pe 1.2).
         A santificação presente é progressiva, também conhecida como santificação real, (Pv 4.18) e continua em desenvolvimento (Hb 12.14). Apesar do seu caráter instantâneo, não significa que seja estagnada; ela se desenvolve na vida cristã: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3.18). Gradualmente o cristão vai se tornando cada vez mais semelhante a Cristo (Fp 3.13, 14; Cl 3.10). À medida que o crente em Jesus se afasta do pecado, mais ele se aproxima de Deus: “Deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.1, 2). A expectativa revelada no Novo Testamento é no sentido de que cada crente aumente a santificação durante o curso da vida.
         A santificação presente não é ainda completa e perfeita porque o cristão não está totalmente isento do pecado: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8). Por maior que seja o grau de santidade, ela nunca será plena enquanto estivermos neste corpo mortal (Rm 6.12, 13). Mas o terceiro estágio da santificação, a santificação futura e completa (1 Co 15.49; 2 Co 7.1; 1 Ts 5.23), será quando Senhor vier; Ele mesmo “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.21). É a glorificação dos salvos (Rm 8.30), uma promessa de transformação futura de nosso corpo mortal (1 Co 15.43). 

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