quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CAPÍTULO III. SOBRE A TRINDADE


CREMOS, professamos e ensinamos o monoteísmo bíblico, que Deus é uno em essência ou substância, indivisível em natureza e que subsiste eternamente em três pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo, iguais em poder, glória e majestade e distintas em função, manifestação e aspecto: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). As Escrituras Sagradas claramente revelam que a Trindade é real e verdadeira. Uma só essência, substância, em três pessoas. Cada pessoa da santíssima Trindade possui todos os atributos divinos — onipotência, 1 onisciência,2 onipresença, 3 soberania 4 e eternidade. 5 A Bíblia chama textualmente de Deus cada uma delas;6 as Escrituras Sagradas, no entanto, afirmam que há um só Deus e que Deus é um: “Todavia para nós há um só Deus” (1 Co 8.6); “mas Deus é um” (Gl 3.20); “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.6).

1.    A unidade na trindade. A unidade de Deus não contradiz a doutrina da Trindade porque Deus não é uma unidade absoluta, e sim uma unidade composta e dinâmica. Seu relacionamento com o Filho e o Espírito Santo é desde a eternidade.7 O nome Elohim, plural de Eloah, “Deus” em hebraico, revela os primeiros vislumbres da Trindade no Antigo Testamento. É o nome que aparece na declaração: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). O verbo “criou” está no singular, e o sujeito Elohim, “Deus”, no plural, o que revela uma pluralidade na deidade. Além disso, o monoteísmo do Antigo Testamento não é absoluto e permite a pluralidade na unidade: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26); “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós” (Gn 3.22); “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua” (Gn 11.7). Essa pluralidade na unidade é vista também no profeta Isaías: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Is 6.8). Mas o Novo Testamento tornou explícito o que antes estava implícito no Antigo Testamento, mostrando clara e diretamente as três pessoas associadas em unidade e igualdade, como a fórmula batismal em Mateus 28.19 e em outras passagens: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Co 12.4- 6); e na bênção apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” (2 Co 13.13). Essa unidade de natureza reaparece mais adiante: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.4-6); e na obra da redenção: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2). Assim, o que estava implícito no Antigo Testamento é revelado explicitamente no Novo Testamento e fica confirmado que a pluralidade na divindade é tríplice, como Jesus deixou claro ao ordenar o batismo “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

2.      Negação ao unicismo, unitarismo e triteísmo. Negamos o unicismo sabelianista e moderno, ou seja, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam três modos de uma mesma pessoa divina, porque está escrito que as três pessoas são distintas.8 Negamos também o unitarismo, pois essa doutrina afirma que somente o Pai é Deus, negando, assim, a divindade do Filho e do Espírito Santo, ao passo que as Escrituras Sagradas ensinam a divindade do Filho e do Espírito Santo.9 Também negamos o triteísmo, ou seja, que existam três deuses separados, pois a Bíblia revela a existência de um único Deus verdadeiro: um Deus e que não outro além dele (Mc 12.32); todavia, para nós um Deus (1 Co 8.6). Essa doutrina monoteísta tem implicação para a salvação: E a vida eterna é esta: que conheçam a ti por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo 17.3). Cremos que a doutrina da santíssima Trindade é uma verdade bíblica, conforme definida no Credo de Atanásio: “A universal é esta: que adoremos um Deus em trindade, e trindade em unidade; não confundimos as Pessoas, nem separamos a substância”. Os triteístas acreditam em mais de um Deus, os unicistas confundem as pessoas, e os unitaristas separam a substância. São crenças inadequadas que estão em desacordo com a cristã bíblica e histórica, razão pela qual nós as rejeitamos. Há um só Deus que subsiste em três pessoas distintas, definidas e identificadas com a mesma natureza divina.

3.    A função das três Pessoas da Trindade. É possível um membro da Trindade subordinar-se voluntariamente a um ou aos dois outros membros, mas isso não significa ser inferior em essência. uma absoluta igualdade dentro da Trindade, e nenhuma das três Pessoas está sujeita, por natureza, à outra, como se houvesse uma hierarquia divina. Existe, sim, uma distinção de serviço. O Pai possui a mesma essência divina das demais pessoas da Trindade.10 O Filho é gerado do Pai,11 e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.12A paternidade é o papel da primeira pessoa da Trindade que opera por meio do Filho e por meio do Espírito Santo.13 O Pai proclamou as palavras criadoras,14 e o Filho executou-as.15 O Pai planejou a redenção,16 e o Filho, ao ser enviado ao mundo, realizou-a.17 Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e Ensinador.18 A subordinação do Filho não compromete a sua deidade absoluta e, da mesma forma, a subordinação do Espírito Santo ao ministério do Filho e ao Pai não é sinônimo de inferioridade. Quando o Senhor Jesus disse: o Pai é maior do que eu (Jo 14.28) pois Ele fez-se servo,19 como consequência da encarnação não quis dizer, com essa declaração, que se tornou, em substância, menor que o Pai, e sim que se subordinou funcionalmente à vontade do Pai: porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou (Jo 5.30); Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo 6.38); Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade (Hb 10.9). A submissão do Filho foi uma condição voluntária para o seu messiado: também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15.28). Isso não compromete a deidade absoluta do Filho: porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9), nem a igualdade de essência e de substância das três Pessoas da Trindade.

4.     O Deus Pai. O Pai já é identificado como Deus com abundante frequência nas Escrituras: “porque a este o Pai, Deus, o selou” (Jo 6.27); “e por Deus Pai [...] da parte de Deus Pai” (Gl 1.1,3). O Pai possui a mesma essência divina das demais pessoas da Trindade. Isso está mais do que evidente na fórmula batismal: “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

5.       O Deus Filho. O Senhor Jesus Cristo é, desde a eternidade, o único Filho de Deus e possui a mesma natureza do Pai, como afirmam os credos: “consubstancial com o Pai”, em grego, homooúsion to patrí, que significa “da mesma substância com o Pai”, qualifica a unidade de essência do Pai e do Filho. Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Ele é a segunda pessoa da Trindade e que foi enviado pelo Pai ao mundo.20 Ensinamos que o Filho se fez carne, possuindo agora duas naturezas, a divina e a humana21, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.22 Acreditamos em sua concepção sem pecado no ventre da virgem Maria.23 Negamos que tenha sido criado ou passado a existir somente depois que foi gerado por obra do Espírito Santo. 24 Confessamos que o Filho é autoexistente: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26); “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8.58) e eterno,25 que voluntariamente se sujeita ao Pai.26 Que, em obediência ao plano do Pai, morreu e ressuscitou para que o mundo fosse salvo. 27 Que, vitorioso, ascendeu ao céu, assentando-se à direita de Deus Pai. 28 Que o Filho é o único mediador entre Deus e os seres humanos,29 o propiciador,30 o único salvador,31 o nosso sumo sacerdote e intercessor.32

6.      O Deus Espírito Santo. O Deus Espírito Santo possui a mesma essência do Deus Pai e do Deus Filho; Ele é a terceira pessoa da Trindade e foi enviado ao mundo pelo Pai e pelo Filho; Ele é o Espírito que provém de Deus (1 Co 2.12) e penetra até as profundezas de Deus.33 Negamos que o Espírito Santo seja apenas um atributo da divindade porque Ele é Deus e Senhor.34 A obra do Espírito Santo é dar prosseguimento ao plano de salvação idealizado por Deus Pai e executado pelo Deus Filho.35 Ensinamos que o Espírito Santo possui o papel de regenerar, purificar e santificar o homem e a mulher36 e que é Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo.37 Quem concede a segurança da redenção38 e capacita o salvo para o serviço cristão;39 que guia, dirige e conduz o povo de Deus;40 quem inspirou os profetas e apóstolos bíblicos,41 reparte os dons espirituais42 e produz nas pessoas as virtudes que refletem o caráter de Deus, denominado fruto do Espírito: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23).



 1.   Onipotência: o Pai “E qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (Ef 1.19); o Filho “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8); o Espírito Santo “pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo” (Rm 15.19).

2.              Onisciência: o Pai “SENHOR, tu me sondaste e me conheces. Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces” (Sl 139.1-4); o Filho “Agora, conhecemos que sabes tudo e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso, cremos que saíste de Deus” (Jo 16.30); o Espírito Santo “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

3.              Onipresença: o Pai “E não criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13); o Filho “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, estou eu no meio deles” (Mt 18.20); o Espírito Santo “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10).

4.              Soberania: o Pai - “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13); o Filho “acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” (Ef 1.21); o Espírito Santo “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17 Versão Almeida Atualizada).

5 Eternidade: o Pai “O teu trono está firme desde então; tu és desde a eternidade” (Sl 93.2); o Filho “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6); o Espírito Santo “quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).

6 Deus: o Pai “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3); o Filho “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1); o Espírito Santo “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4).

7 “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5).

8 “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17).

9 “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1); “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3, 4).

10 “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30); “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

11 “Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Hb 5.5).

12 “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede cará de mim” (Jo 15.26); “E, havendo dito isso, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito (Jo 20.22).

13 “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Co 12.4-6); “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.4-6).

14 “Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu” (Sl 33.9); “Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11.3).

15 “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada que foi feito se fez” (Jo 1.3); “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.16).

7. “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” (Tt 1.2).

8. “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17.4); “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.9).

9. “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26).

19 “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.6,7).

20 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.16,17); “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 4.9).

21 “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.6-11).
22   “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus [...]. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.1,14); “acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.3,4); “dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!” (Rm 9.5).

23   “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20); “Quem dentre vós me convence de pecado? E, se vos digo a verdade, por que não credes?” (Jo 8.46); “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22); “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” (1 Jo 3.5).

24 “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.16,17).

25 “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6); “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2); “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8).

26 “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34); “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38).

27 “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17); “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15); “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo” (1 Jo 4.14).

28 “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus” (Mc 16.19); “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da26sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, haven e à destra da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3).
29 “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5).

30 “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).

31 “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11); “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

32 “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.24-27).

33 “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.10,11).

34 “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4); “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17 Versão Almeida Atualizada).

35 “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14.16,17).

36 “E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11); “não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5).

37 “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.7,8).

38 “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória” (Ef 1.13, 14).

39 “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49).

40 “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).

41 “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21).

42 “Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.8-11).

Extraído do livro: Declaração de Fé.

Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil
Casa Publicadora das Assembleias de Deus

CAPÍTULO II. SOBRE DEUS

CREMOS, professamos e ensinamos que Deus é o Supremo Ser, Criador do céu e da terra: “Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra e a fez; ele a estabeleceu” (Is 45.18); que Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: “[...] para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31); que Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida: “O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida” (Jó 33.4); que Ele é o único Deus verdadeiro:1E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3) e não há outro além dEle: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim, não há deus [...] que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro” (Is 45.5,6). Ele é identificado na Bíblia como Deus: “Eu sou Deus, o Deus de teu pai” (Gn 46.3), Deus Altíssimo2 e Deus Todo-poderoso,3 Jeová4 e Senhor,5 além de outros nomes. Deus é um ser pessoal, que possui atributos naturais, morais e de poder, qualidades e virtudes que lhe são próprias.

1.    Sobre os atributos naturais. Deus é espírito: Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.24). Ele é eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim: O Deus eterno te seja por habitação, e por baixo de ti estejam os braços eternos (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo (Jo 5.26). Deus mesmo disse: “EU SOU O QUE SOU (Êx 3.14). De eternidade a eternidade, Ele é Deus desde antes da fundação do mundo6 e subsiste em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo: Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mt 28.19). Deus é invisível. Espírito não se compõe de matéria, não tem carne nem osso,7 pois é substância imaterial e invisível. O qual é imagem do Deus invisível (Cl 1.15). Nenhum ser humano o viu nem o pode ver.8 Ele é imutável: Porque eu, o SENHOR, não mudo (Ml 3.6); é o mesmo desde a eternidade.9 É um ser transcendente (fora da criação) e imanente (relaciona-se com a criação),10 além de infinito: Grande é o nosso SENHOR e de grande poder; o seu entendimento é infinito (Sl 147.5). Deus é um ser pessoal. Ele tem consciência de si mesmo11 e possui poder de autodeterminação.12 A Bíblia mostra que em Deus os elementos constitutivos da personalidade, como intelecto,13 emoção14 e vontade,15 além dos atributos como alguém que fala: E disse Deus (Gn 1.3); vê: E viu Deus que era boa a luz (Gn 1.4); e ouve: e tenho ouvido o seu clamor (Êx 3.7).

2.      Sobre os atributos morais. Deus é amor: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor (1 Jo 4.8). Ele é incomparável em santidade;16 nenhum outro atributo divino é tão solenizado nas Escrituras como esse: “Não há santo como é o SENHOR; porque não há outro fora de ti (1 Sm 2.2). Incomparável é, ainda, em verdade 17 e fidelidade, 18 em justiça 19 e amor, 20 em bondade,21 benignidade,22 misericórdia23 e graça.24

3.        Sobre os atributos de poder. As perfeições exclusivas de Deus, como a onipotência, a onisciência e a onipresença, são elementos que comprovam a sua grandeza e infinitude. Deus é onipotente; Ele é o Deus Todo-poderoso: Porque para Deus nada é impossível (Lc 1.37). O poder de Deus é ilimitado, não coisa alguma impossível para Ele.25 A sua vontade, porém, é determinada por sua natureza santa e justa, pois Ele não pode ver o mal e nem praticá-lo: Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a vexação não podes contemplar (Hc 1.13); nem pode mentir: a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos (Tt 1.2). A onisciência é o conhecimento pleno de todas as coisas necessárias ou contingentes que acontecem,26 aconteceram, acontecerão27 e que poderiam ou não acontecer.28 O conhecimento de Deus é perfeito e absoluto sobre todas as coisas no céu e na terra,29 de todos os eventos e de todas as circunstâncias que devem e podem ser, que serão e que seriam por toda a eternidade passada e futura: que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam (Is 46.10). Trata-se de um conhecimento infinito e imediato em que não esquadrinhação (Is 40.28). Deus é onipresente.30
Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam
conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27).

4.     Sobre o nome “Deus”. O Deus verdadeiro revelado nas Escrituras apresenta-se a si mesmo com diversos nomes e títulos que são inerentes à sua natureza e que revelam suas obras e seus atributos. Há três termos no Antigo Testamento hebraico para “Deus”. São eles: El, Eloah e Elohim. O Novo Testamento grego usa o substantivo theós para “Deus”. O nome El significa “ser forte, proeminente”, sendo um termo semítico muito antigo para a divindade, usado para identificar o Deus de Israel: E levantou ali um altar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel (Gn 33.20). É, contudo, empregado também para deidades dos antigos povos semitas como nomes próprios e como apelativos.31 Eloah é uma forma expandida de El, e Elohim é o plural de Eloah. O nome Elohim refere-se à ideia mais abstrata da deidade, de um Deus universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da sua natureza. Deus é apresentado pela primeira vez na Bíblia com esse nome: No princípio, criou Deus os céus e a terra (Gn 1.1). É o único nome empregado para o Criador no relato da criação em Gênesis, capítulo 1.

5.    Sobre outros nomes de Deus. Outros nomes são mencionados nas Escrituras, os quais também revelam a natureza e os atributos do Deus de Israel, como Elyon, Shadday, Adonay e Yaweh. O nome Elyon significa “Altíssimo”: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo (Gn 14.19); Shadday quer dizer “Todo-poderoso”: apareceu o SENHOR a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso (Gn 17.1); e Adonay indica “Senhor”: eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono (Is 6.1). O nome Yaweh é conhecido por meio do Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino YHWH), identificado também como “Jeová”, cuja forma foi inventada no final da Idade Média quando as vogais do nome Adonai foram inseridas no Tetragrama. A forma híbrida “Jeová” não é bíblica, mas assim ela foi passada para a cultura ocidental; entretanto, aos poucos, esse nome vem sendo substituído pela forma Iavé ou Javé, que é a pronúncia mais próxima do original. O Tetragrama vem do verbo “ser”, no hebraico, da expressão: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). Isso revela que Deus é o que tem existência própria, ou seja, existe por si mesmo. É o imutável, o que causa todas as coisas, é autoexistente, aquEle que é, que era e que de vir, o Eterno. O nome Javé aparece quando as características estão claras e concretas, sugerindo, assim, um Deus pessoal que se relaciona diretamente com o povo: E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração (Êx 3.15), e nisso difere do emprego do nome Elohim no Antigo Testamento. A partir de 300 a.C., o nome Adonai passou gradualmente a ser mais usado que o Tetragrama, até que o nome Javé tornou-se completamente impronunciável pelos judeus.

6.    Sobre as obras de Deus. A Bíblia ensina que o universo foi planejado por Deus antes de ser criado.32 Planejamento, origem e manutenção de todas as coisas no céu e na terra envolvem governo e preservação de toda a criação. Tudo foi criado com propósito: Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3.11). Deus trouxe o universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade.33 Os decretos ou conselhos divinos são o plano eterno e imutável de Deus claramente revelados nas Escrituras; dizem respeito à vontade e ao propósito de Deus, tais como a criação,34 a encarnação do Verbo,35a eleição de Jesus como Salvador36 e a eleição de Israel37 e da Igreja.38 Trata-se de deliberações absolutas que nasceram do desígnio e propósito do Deus Trino na eternidade e que independem da ação humana ou de qualquer outro ser no Universo.39 Ninguém é capaz de frustrar esses desígnios de Deus: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido (Jó 42.2) ou e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (ARA). A providência divina é atividade de Deus na preservação, concorrência e governo de todas as criaturas e de tudo o que ocorre na criação até seu destino final. A preservação é o cuidado divino em conservar e manter todas as coisas criadas: sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). Isso inclui o homem na providência divina, bem como os demais seres viventes, sejam eles animados ou inanimados, e toda a natureza.40 Deus cuida de todos os viventes, desde a estrutura mais simples
7.   até a mais complexa.41 O mundo não subsistiria sem o cuidado e a vontade preservadora de Deus. É também nesse sentido que opera a concorrência.42 Por seu turno, o governo divino não é um controle meticuloso43 ao ponto de excluir a liberdade humana; o seu reger por direito fixa limites a essa
8.   liberdade: “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28).


Extraído do livro : Declaração de Fé.

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