sexta-feira, 24 de junho de 2016

Memórias da Graça ( Subsídio Teológico)

Romanos 16.1,2
Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo.

Um Documento Preciosíssimo!
“Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia” (16.1). Chegou o momento especial de Paulo terminar a carta e apresentar quem a levaria até Roma: uma cristã a quem Paulo chama apenas de Febe. Warren W. Wiersbe destaca que essa foi a encomenda mais preciosa que Febe teve a oportunidade de levar. Febe era de Cencreia, um porto de Corinto. Os intérpretes acreditam que Febe se converteu durante a estadia de Paulo em Corinto, que durou dezoito meses. Ela era uma pessoa de confiança e que ajudava na obra de Deus. Paulo diz que ela “servia” à igreja de Cencreia. A palavra grega para “servir” é a tradução do grego diakonos, que tem o sentido de “servir”. Febe auxiliava e ajudava a sustentar a obra ali.
“para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (16.2). Paulo destaca que Febe era uma “protetora” de muitos e também dele. O sentido aqui, como destacam os lexicógrafos, é de uma pessoa que não mede esforços para ajudar alguém. Febe, portanto, foi um apoio espiritual, moral e financeiro para o apóstolo em seu projeto missionário.


Estou convencido, e a prática pastoral me dá esse convencimento, de que muito mais poderia ser feito pela obra de Deus se muitas pessoas a quem Deus deu condições privilegiadas se dispusessem a ajudar. Todavia, o que se observa é que quem de fato mais ajuda a igreja são aqueles que pouco tem. São os aposentados, as pensionistas, o trabalhador braçal, etc. Não é a regra, mas há grandes empresários que não se envolvem com nada da igreja que demanda gastos. Ficam olhando de longe. Muitos nem dizimistas conseguem ser. Andam na contramão de Febe.
Romanos 16.3-16
Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia em Cristo. Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós. Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo. Saudai a Amplíato, meu amado no Senhor. Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado. Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo. Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de Narciso, os que estão no Senhor. Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor. Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha. Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermas, a Pátrobas, a Hermes, e aos irmãos que estão com eles. Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas, e a todos os santos que com eles estão. Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam.
Uma Igreja sem Estrelas
“Saudai... ” (16.3). O apóstolo estava chegando ao final de sua carta. A saudade batia no peito. Chegara o momento de enviar congratulações às pessoas que ele tanto estimava. Eram todas pessoas queridas, do convívio apostólico, e isso ele demonstra quando lembra nominalmente de cada um. Eugene Peterson diz que nunca quis pastorear uma igreja que tivesse mais do que trezentos membros porque isso o impossibilitaria de conhecer todos os membros. Ele gosta de conhecer as ovelhas e chamá-las pelo nome. Vemos esse mesmo princípio aplicado na vida de Paulo.
Como todas essas pessoas que Paulo conhecia estariam naquele momento em Roma? É uma pergunta que tem intrigado os comentaristas. Todavia, deve ser levado em conta que Roma era a capital do império e para lá concorria gente do mundo todo, inclusive os cristãos. O edito do imperador que mandava expulsar todos os judeus de Roma havia sido revogado e isso permitiu o retorno de muitos cristãos de origem judaica à capital do império.
O apóstolo já havia dito na introdução de sua carta que “em todo o mundo é anunciada a vossa fé” (Rm 1.8). A igreja de Roma se torna uma igreja relevante, visível para o mundo. Na sua pregação havia eco. Era uma igreja formada por judeus e gentios, a grande maioria gentios. Havia pessoas das classes sociais mais altas, mas a grande maioria eram pessoas simples. Não havia estrelas, mas cristãos dispostos a se tornar mártires. Paulo lembra o nome de umas 26 pessoas, a grande maioria permaneceu no anonimato. Era nessa igreja, formada em sua maior parte por anônimos, que Paulo viu uma oportunidade de estabelecer ali uma base missionária. Na nossa cultura personalista, onde se cultua a imagem, é bem difícil encontrar espaço para os anônimos. Todavia, eles existem e estão fazendo muito pelo Reino de Deus. Nessa palavra de saudação, o apóstolo tira alguns deles do anonimato, mas muitos outros continuaram lá. Não há dúvidas de que a obra de Deus é feita na sua grande maioria por cristãos que não têm o seu nome exposto. São anônimos que estão construindo a história do Reino de Deus.
Como não me lembrar de Antonio de Pádua Mendes Ferro Gomes? Um homem que não tem seu nome exposto na literatura, mas que causou um enorme impacto nos primeiros anos da minha via espiritual. Foi ele que há mais de trinta anos me introduziu na leitura da Bíblia, da literatura evangélica e na oração. Causou um impacto tremendo em minha vida espiritual. Como esquecer os jejuns, acompanhados da leitura do livro de Provérbios, que fazíamos no sítio de sua avó? Jamais vou me esquecer do seu zelo evangelístico que o levava a pregar nas praças e se jogar de corpo e alma no evangelismo pessoal. Devo muito a esse homem de Deus. Sem dúvida, ele também faz parte desse livro e de todos os outros que escrevi. E com esse sentimento de saudade que Paulo envia suas últimas saudações e recomendações.
“...a Priscila e a Aquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (16.3,4). O apóstolo lembra primeiramente de velhos cooperadores — Priscila e Áquila. Eles haviam trabalhado com Paulo em Corinto (At 18.1-3,18,19,26). Agora estavam em Roma. Paulo tem uma dívida de gratidão com esse casal porque eles arriscaram a vida pelo apóstolo. É interessante notar que o nome Priscila aparece sempre em primeiro lugar quando o casal é citado. Os intérpretes acreditam que ela era a pessoa que mais se destacava. Quem não conhece um casal em que a mulher se destaca mais do que o homem? Eu poderia citar muitos casos. Paulo reconhece que tem uma dívida com esse casal — eles haviam arriscado a vida por ele (v. 5). Como naqueles dias as igrejas eram domésticas, esse casal hospedava uma parte da igreja na casa deles.1
“... Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Asia em Cristo. Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós. Saudai aAndrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo” (16.5,6,7). Ao lado das saudações, o apóstolo sempre põe em destaque o que o fazia lembrar-se desses irmãos. Um deles fora as primícias do seu labor missionário; outras trabalharam muito pela igreja, enquanto outros se tornaram notáveis entre os apóstolos. Outros haviam se convertido antes de Paulo. Isso deveria servir de exemplo para muitos novatos que querem desprezar o legado deixado pelos mais velhos. Não adianta querer passar por cima da história quando se deu apenas os primeiros passos. É preciso aprender com a história.
Todos esses fatos narrados marcaram a memória do apóstolo. Eles também nos marcam. Um nome aqui se destaca dos demais, Maria, a quem Paulo acrescenta que “muito trabalhou” pela igreja. Expressão “trabalhou muito” traduz o termo grego kopiao, que tem o sentido de “esforçar-se”, “trabalhar duramente”. O sentido no grego é que ela se sacrificou, derramou muito suor, gastou tudo o que tinha para que pudesse ajudar seus irmãos na fé. E o fato é que se tratava de uma mulher. Isso mostra como nas Escrituras as mulheres têm um papel de destaque. Infelizmente, hoje queremos um cristianismo sem custo, sem gasto e sem esforço. Talvez seja por isso que a fé tenha perdido aquele poder de contagiar como fazia antes.
“Saudai a Amplíato, meu amado no Senhor. Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado. Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo. Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de Narciso, os que estão no Senhor” (16.8-11). Algumas palavras usadas aqui pelo apóstolo se destacam: “amigo” (v. 8, ARA); “amado” (v. 9) e “aprovado” (v. 10). Essas palavras mostram o grau de comunhão que havia na Igreja Primitiva. Eles eram amigos, amados e aprovados.
No livro de minha autoria As Ovelhas Também Gemem, escrevi sobre a necessidade da koinonia cristã. Sem dúvida, uma das doutrinas mais exaltadas nas páginas da Bíblia é a da unidade cristã. A falta de unidade foi uma das principais razões que levou o apóstolo Paulo a escrever a sua Primeira Carta aos Corindos. Escrevendo àquela igreja ele disse estar informado de que havia contendas entre eles (1 Co 1.11). Aos efésios, o mesmo apóstolo aconselhou a que se esforçassem diligentemente para “guardar a unidade do Espírito” (Ef 4.3); a dois crentes filipenses o apóstolo dos gentios recomendou: “pensem concordemente, no Senhor” (Fp 4.2, ARA). E inegável o valor da unidade cristã. A unidade traz a comunhão. E bom lembrar que um dos segredos do grande e explosivo crescimento da Igreja Primitiva era justamente a comunhão existente entre os crentes. No livro da história da igreja, Atos dos Apóstolos, lemos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42). A palavra “comunhão” traduz o termo grego koinonia. W. E. Vine observa que a koinonia é “um ter em comum, companheirismo, comunhão” e denota “a parte que um tem em qualquer coisa, uma participação, um companheirismo reconhecido, e se usa das experiências e interesses comuns dos cristãos”.2 É oportuno observarmos o uso desse termo na literatura grega, incluindo o Novo Testamento. William Barclay nos dá uma excelente visão panorâmica desse termo na literatura grega, incluindo o Novo Testamento:

1. Na vida cristã há uma koinonia que significa um “compartilhar de amizade” e uma permanência no convívio dos outros (At 2.42; 2 Co 6.14).
2. Na vida cristã há uma koinonia que significa uma “divisão prática” com os que são menos afortunados. A comunhão cristã é uma coisa prática (Rm 15.26; 2 Co 8.4; 9.13).
3. Na vida cristã há uma koinonia que é uma “cooperação na obra de Cristo” (Fp 1.5).
4. Na vida cristã há uma koinonia “na fé”. O cristão nunca é uma unidade isolada; é membro de um convívio da fé (Ef 3.9).
5. Na vida cristã há uma “comunhão (koinonia) no Espírito” (2 Co 13.14; Fp 2.1).
6. Na vida cristã há uma koinonia “com Cristo”. Os cristãos são chamados para a koinonia de Jesus Cristo, o Filho de Deus (1 Co 1.9).
7. Na vida cristã há a koinonia “com Deus” (1 Jo 1.3). Mas deve ser notado que aquela comunhão tem condições éticas, porque não é para aqueles que escolheram andar nas trevas (1 Jo 1.6). A koinonia cristã é aquele vínculo que liga os cristãos aos outros, a Cristo e a Deus.
Princípios Bíblicos para um Bom Relacionamento
Seguem alguns princípios bíblicos que extraí do livro de Provérbios, que nos ajudarão a nos relacionar bem uns com os outros:
1. Saiba ouvir (Pv 18.13).
Um dos grandes problemas em nos relacionar bem uns com os outros surge por conta da nossa falha em ouvir. Ouvimos, mas ouvimos mal. Ou ainda: ouvimos mais do que foi dito. Precisamos aprender a ouvir.
2. Não se apresse para falar (Pv 19.2; 17.28).
A precipitação em falar é outro grande problema. Jesus mesmo condenou o juízo temerário. Isto é, falar apressadamente sem um conhecimento total dos fatos.
3. Fale pouco (Pv 10.19; 13.3; 12.18).
Aqui talvez esteja um dos maiores fatores de desajuste nos relacionamentos. É um comentário inoportuno que fazemos. Uma palavra a mais, que aparentemente não tem a intenção de ofender, mas que vem sublimada.
4. Fale coisas boas das pessoas (Pv 16.24; 16.28; 20.19).
A tendência de só enxergar coisas ruins nos outros é uma herança da nossa velha natureza adâmica. Dificilmente falamos de alguém para exaltar suas virtudes. Necessitamos enxergar algo de bom no nosso semelhante se queremos nos relacionar bem.
5. Não atice (fomente) conversas (Pv 30.33; 26.20,21).
Acredito que se não passássemos à frente as fofocas que chegam até nós muitas intrigas seriam evitadas.
6. Fale pouco de si mesmo (Pv 27.2).
A atitude de falar de si mesmo, além de revelar um complexo de inferioridade, acaba também por arranhar os relacionamentos. Isso por uma razão simples: é difícil louvar a si mesmo sem diminuir o outro.
Romanos 16.17-20
E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos símplices. Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal. E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém!
Uma Palavra de Advertência
“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (16.17). Os versículos 17 a 20 aparecem como uma intersecção entre os versículos 16 e 21. No meio das saudações, o apóstolo lembrou que havia aqueles que trabalhavam contra a unidade da igreja. Era preciso alertar a igreja de Roma nesse ponto. Depois ele voltaria às saudações. Esses “cristãos” eram agentes de Satanás e trabalhavam contra a paz na igreja (v. 20). Eram agentes semeadores de contendas; por isso, a melhor forma de neutralizar suas ações era afastar-se deles. Muitos intérpretes acreditam que o fermento gnóstico está presente na ação dessas pessoas, pois a forma escandalosa como se portavam é aqui denunciada por Paulo. O que eles faziam estava em desacordo com o ensino que os crentes romanos haviam recebido. A igreja possui uma padronização, e os seus membros precisam se ajustar a ela.
Romanos 16.21-23
Saudação da minha própria mão, de Paulo. Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja anátema; maranata! A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.
Lembrança dos Amigos
O expositor Warren W Wiersbe comenta com maestria essa porção das Escrituras: “Que lista de heróis! Timóteo é mencionado com frequência no livro de Atos e nas Epístolas. Era um dos ‘filhos na fé’ de Paulo e trabalhou com o apóstolo em vários lugares difíceis (ver Fp 2.19-24). Lúcio era um compatriota judeu, como também o eram Jasom e Sosípatro. Não há evidência alguma de que foi esse mesmo Jasom que protegeu Paulo em Tessalônica (At 17.1-9). E bem provável que esse Jasom fosse um gentio. Tércio foi o secretário que escreveu a carta enquanto Paulo a ditava. Gaio foi o homem que abriu a casa para hospedar Paulo, enquanto o apóstolo estava em Corinto. 1 Corindos 1.14 relata como Paulo ganhou Gaio para Cristo e o badzou quando fundou a igreja de Corinto. Tudo indica que havia uma congregação de cristãos se reunindo na casa dele. Erasto ocupava um cargo importante na cidade, provavelmente de tesoureiro. O evangelho alcançou tanto os mais altos escalões de Corinto quanto o povo mais humilde (1 Co 1.26-31; 6.9-11)”.
Romanos 16.24-27
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém! Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé, ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!
Graça para todos
“Ora, àquele que époderoso para vos confirmar segundo 0 meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto” (16.25). Não havia uma maneira mais adequada de terminar essa magistral carta senão com um profundo sentimento de gratidão a Deus. Foi ele quem revelou os mistérios ocultos noutros tempos e que agora se tornaram manifestos por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Paulo já havia dito em Romanos 11.36 que “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!”. A esse Deus, eternamente sábio, que nos justificou pela sua infinita graça, pertence toda honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

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1 Nos primeiros anos do cristianismo, as igrejas eram domésticas. Nesse período o termo “igreja” era sinônimo de “crentes”. Todavia, somente no segundo século, com o aparecimento das estruturas arquitetônicas, o termo “templo” passou a ter o sentido de “igreja” (SNYDER, Howard. Vinho Novo, Odres Novos — VidaNovapara a Igreja. São Paulo: ABU Editora).
2 VINE, W. E. Diccionario Expositivo de Palabras Del Nuevo Testamento. Vol. 1. Barcelona, Espanha: Editorial CLIE, p. 285.
3 BARCLAY, William. Palavras-Chaves do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, p. 123.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Uma Graça Além-Mar (Subsídio Teológico)






















Romanos 15.14-21
Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros. Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada, que eu seja ministro de Jesus Cristo entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo. De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus. Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado o verão, e os que não ouviram o entenderão.
Cosmovisão Missionária
“Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (15.14). Em Romanos 1.8, o apóstolo havia reconhecido o valor da fé dos crentes de Roma. Aqui novamente ele os trata com afeto, chamando-os de “irmãos” ao mesmo tempo em que reconhece serem eles possuidores das virtudes cristãs. Eles estavam possuídos de bondade, cheios de conhecimento e aptos para se exortarem mutuamente.
‘Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras” (15.18). A partir desse ponto, Paulo acha oportuno mostrar a dimensão missionária do seu projeto evangelístico. Esse projeto havia alcançado os pontos mais extremos da bacia mediterrânea. Lucas registrou em detalhes como se deu esse avanço evangelístico ao registrar as três viagens missionárias de Paulo. Vejamos um esboço dessa gigantesca obra:
1. A primeira viagem missionária
1.1. Uso da Palavra de Deus como instrumento de evangelização — “E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus” (At 13.5).
1.2. Consciência da realidade do mal — “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano...” (At 13.10).
1.3. Reconhecimento da necessidade do preparo missionário — “Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém” (At 13.13).
1.3.1. O Espírito recepcionado (At 13.52).
1.3.2. O Espírito demonstrado (At 14.3).
1.3.3. Reconhecimento da dimensão humana da missão (At 14.6).
1.3.4. Constituição de líderes autóctones (At 14.21-23).
1.3.5. O perigo da fragmentação (At 15.1).
1.3.6. A busca pela padronização (At 15.28,29).
2. A segunda viagem missionária
2.1. O cuidado com o discipulado (At 15.36).
2.2. Fundamentação doutrinária dos convertidos (At 16.4,5).
2.3. Buscando os povos não alcançados (At 16.6-9).
2.4. Zelando pela vida devocional (At 16.13).
2.5. Limites na contextualização (At 16.21).
2.6. Defendendo os seus direitos civis (At 16.37).
2.7. Alcançando diferentes classes sociais (At 17.12).
2.8. Defendendo a relevância cultural do evangelho (At 17.16-31).
2.9. Gastando-se por missões (At 18.11).
3. A terceira viagem missionária
3.1. A busca pelo trabalho em equipe (At 18.24-28).
3.2. Manutenção dos símbolos pentecostais (At 19.1-6).
3.3. Mostrar o caráter pedagógico do evangelho (At 19.9).
3.4. Viver um evangelho sem engessamento (At 19.12).
3.5. Possuir um coração missionário (At 20.17-35).
3.6. O aspecto não clerical do evangelho (At 21.9-11).
3.7. Desfrutando do fruto do discipulado (At 21.16).
No Poder do Espírito
“pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao llírico, tenho pregado 0 evangelho de Jesus Cristo” (15.19). Uma das características mais marcantes no apóstolo Paulo é a sua dependência de Deus na realização de seu serviço. Em nenhum momento ele credita o seu êxito ao mérito próprio. Tudo era fruto da graça de Deus. Paulo dissera aos crentes de Corinto que havia trabalhado mais do que todos os apóstolos, mas reconhece que isso só foi possível por conta da graça de Deus derramada em sua vida (1 Co 15.10). Novamente ele reconhece que chegou às regiões mais remotas graças ao poder do Espírito Santo que estava em sua vida. A incursão missionária de Paulo não se deu apenas em palavras, mas, sobretudo, por meio de sinais e prodígios, e pelo poder do Espírito Santo. Nenhuma obra missionária terá êxito se não for acompanhada pela ação soberana do Espírito Santo.
O avanço do pentecostalismo clássico pelo mundo afora foi marcado pela poderosa ação do Espírito Santo. Basta citarmos os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, que trouxeram as Assembleias de Deus para o Brasil, para constatarmos esse fato. O Diário de Vingren contém relatos de sinais e prodígios que o Espírito Santo realizou por seu intermédio. O próprio envio sobrenatural, a partir de uma palavra profética que os ajudou a localizar no mapa-múndi a palavra “Pará” como um local situado no Norte do Brasil, comprova isso.1 Mas não são somente os fatos relacionados à chamada dos missionários suecos para o Brasil que atestam a operação do Espírito do Senhor no pentecostalismo brasileiro. A nossa história está permeada de intervenções sobrenaturais operacionalizadas pelo Espírito Santo.2
Romanos 15.22-29
Pelo que também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. Mas, agora,
que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, quando partir para a Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Mas, agora, vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais. Assim, que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo.
Planejamento Missionário
“Mas, agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, quando partir para a Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gomado um pouco da vossa companhia” (15.23,24). Os intérpretes da Bíblia estão convencidos de que uma das razões que levou Paulo a escrever sua carta era o seu desejo de fazer de Roma uma base missionária. Dentro desse propósito, Paulo tratou de muitos temas teológicos de extrema relevância para os cristãos romanos. Chegara o momento de expor o desejo que inflamava seu coração — levar à frente a obra missionária e chegar com ela até a Espanha.
O apóstolo possuía um coração voltado para missões. Quando o Espírito Santo escolheu os primeiros missionários na igreja de Antioquia, Paulo estava entre eles. Na verdade, foi por intermédio dele que o Espírito do Senhor deu início ao movimento missionário da igreja. Acredito ser oportuno verificarmos alguns princípios missionários que encontramos no envio de Paulo e Barnabé a partir de Antioquia.
O capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos é emblemático por várias razões. É nesse capítulo que a igreja, de uma forma organizada, envia seus primeiros missionários (At 13.1-13). É verdade que antes de Antioquia houve investidas missionárias, como por exemplo, a ida de Filipe à cidade de Samaria (At 8.5). Contudo, a ida de Filipe à terra dos samaritanos não aconteceu em decorrência de uma mobilização da igreja como aconteceu em Antioquia.

Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, Manaém, que fora criado

com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador. E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus. Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul. Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão. Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor. E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. (At 13.1-13)
Sendo que a Igreja Primitiva é o nosso modelo e que o livro de Atos deve servir de paradigma para a igreja contemporânea, faz-se necessário atentarmos para as lições que esse texto traz.
Em primeiro lugar, missões se fa% com fundamentação. Missões se faz no contexto de uma igreja local. É ela que fundamenta as missões “Havia na igreja de Antioquia”. Podemos ler esse texto na sua ordem invertida e teremos: “Em Antioquia havia uma igreja”. Foi nessa igreja que aconteceu o envio dos primeiros missionários. Missões acontece no contexto de uma igreja. É a igreja que gera missionários e é a partir dela que eles são enviados. Sem igreja não há missões. Hoje tenho observado que há uma terceirização do movimento missionário que sai da esfera da igreja para uma esfera simplesmente institucional, como por exemplo, uma Convenção. As Convenções são importantes, mas a responsabilidade de gerar missões não é delas. Convenção não é igreja! Essa missão é da igreja local. Se a igreja local não se envolver com missões, então nada feito.
Em segundo lugar, missões sefa% sob inspiração — “Havia na igreja profetas”. Profeta é alguém que fala sob inspiração divina. Paulo, o apóstolo, diz que quem profetiza edifica-a igreja (1 Col4.3). Foi nesse contexto de inspiração divina que o Espírito Santo comissionou os primeiros missionários. Sem inspiração não há missão. Qualquer igreja que faz missões sem a participação direta do Espírito Santo está fadada ao fracasso! Não tenho dúvida alguma de que em Antioquia a profecia, como oficio e também como dom, estava em operação. Foi essa capacitação profética que permitiu a escolha dos primeiros missionários — Paulo e Barnabé.
Em terceiro lugar, missões éfeita com instrução — “Havia na igreja mestres”. A palavra “mestres” (gr. didaskalos) vem da mesma raiz da palavra ãdaquê, ensino ou instrução. Se a inspiração é importante para as missões, a instrução da mesma forma. Sem ensino, e ensino bíblico sob a direção do Espírito Santo, não há missões de verdade. Tenho observado muitas pessoas querendo os dons do Espírito e reivindicando-os para o movimento missionário, mas negligenciando a instrução que vem pela Palavra de Deus. O resultado disso são movimentos com muito “peneumatismos”, mas sem nenhuma fundamentação teológica consistente. O resultado disso é o fracasso.
Em quarto lugar, missões éfeita com adoração — “E servindo eles ao Senhor . Servindo e a tradução do grego leitougeo, de onde procede a palavra portuguesa “liturgia”. É um termo usado para se referir ao culto ou serviço cristão. Nesse contexto significa, sem dúvida alguma, adoração. Eles estavam adorando quando o Espírito Santo os comissionou para fazer missões. É no contexto da adoração cristã que acontecem os despertamentos missionários. Foi assim com o envio dos primeiros missionários oriundos do avivamento da Rua Azusa e foi assim com o envio dos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren para o Brasil. Esses últimos estavam adorando a Deus quando o Espírito Santo os comissionou a viajarem para o Brasil. Hoje nós temos muita música, muito show, mas pouca adoração. Qual é a consequência disso? Um esvaziamento do movimento missionário.
Em quinto lugar, missões éfeita com consagração — “E jejuando”. Em todo movimento de avivamento, que desaguou em missões, estão presentes uma volta à Palavra de Deus e à santidade. O que se depreende de uma leitura dos Atos dos Apóstolos é que o jejum era uma prática comum na igreja apostólica (At 13.1-4; At 14.23). O jejum bíblico estava associado à prática da oração, e a oração conduz a uma vida santa. Não se trata de uma questão legalista ou simplesmente um rigorismo ascético. Uma vida piedosa, onde os limites entre o sagrado e o profano são respeitados,
invariavelmente tem como resultado um cristianismo contagiante. Não há dúvidas de que a igreja hodierna perdeu muito da sua piedade pessoal, enveredando por um instituicionalismo fossilizado. Não há mais espaço para práticas piedosas, como por exemplo, o jejum. As consequências são sentidas nas tentativas frustradas de fazer missões.
Em sexto lugar, missões é feita com vocação — “Separai-me a Barnabé e Saulo”. Evidentemente que aqui foi o próprio Espírito que vocacionou e selecionou Barnabé e Paulo para a obra missionária. Já disse no livro de minha autoria As Ovelhas Também Gemem que a vocação é o pilar sobre o qual se alicerça toda a vida ministerial.3 Todavia, ela vem sempre acompanhada de sua irmã gêmea — a preparação, que também denomino de lapidação. Deus nos vocaciona, mas somos nós que precisamos nos preparar, bíblica ou teologicamente, para melhor servirmos ao nosso Deus. Já conheci diversos movimentos missionários, alguns deles fora do Brasil, e os vi sofrer por conta de obreiros mal preparados e mal treinados. Foram vocacionados, mas não foram lapidados. Alguns se envolveram com mulheres, enquanto outros foram corrompidos pelo dinheiro. Não há dúvidas de que a igreja deve investir no preparo espiritual de seus missionários, mas o mesmo pode ser dito do preparo moral. A prática de uma vida disciplinada evitaria muitos acidentes (1 Tm 4.7).
Em sétimo lugar, missões é feita com adoção — “E impondo-lhes as mãos . A imposição de mão implicava cuidado, responsabilidade pelo envio. Ao impor as mãos nos missionários, a igreja se compromeda a cuidar deles. Alguém já disse que quando uma pessoa desce para dentro do poço, alguém precisa segurar a corda! Infelizmente a igreja não tem segurado a corda daqueles que têm sido enviados ao campo missionário. E lamentável que o número de patrocinadores da obra missionária diminui ou até mesmo deixa de existir à medida que os resultados demoram a aparecer. Há missionários que trabalham sob pressão, alguns são tentados até mesmo a maquiar relatórios para apresentarem nas suas agências. A igreja deve dar todo apoio espiritual e material a fim de que o missionário possa fazer com alegria a obra para a qual foi comissionado.
Romanos 15.30-33
E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus, para que seja livre dos rebeldes que estão na Judeia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; a fim de que, pela vontade de Deus, chegue a vós com alegria e possa recrear-me convosco. E o Deus de paz seja com todos vós. Amém!
Cobertura Espiritual
“E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (15.30). Tendo exposto o seu projeto missionário, Paulo faz um pedido à igreja de Roma — que ela ore por ele. Mas não era uma simples “oração”, e sim uma oração de guerra. A palavra “luteis” traduz o grego synagonispomai, que tem o sentido de “lutar junto com alguém”, “ajudar alguém”, “apoiar alguém”.4 Isso coloca a oração numa dimensão de conflito espiritual. Na verdade, quando oramos enfrentamos obstáculos (Dn 10.12,13). O apóstolo tencionava ir a Jerusalém cooperar com os crentes daquela localidade, mas havia muitos adversários. Era por essa razão que pedia que os romanos intercedessem por ele.
Um amigo contou-me um acontecimento ocorrido com o pastor Estevam Ângelo de Sousa, o apóstolo do sertão nordestino. Era o final dos anos 40, e Estevam Ângelo de Sousa fazia missões nas cidades piauienses de Luzilândia e Esperantina, Estado do Piauí. O catolicismo era muito forte nessa região, e os fazendeiros locais se valiam de jagunços como instrumento de proteção. Durante o seu trabalho missionário, Estevam ganhou um vaqueiro para Cristo, ficando acertado um culto na casa do novo convertido, que, como a maioria dos nordestinos, era agregado de um fazendeiro.
Pois bem, certo dia quando se preparava para ir dirigir aquele culto, Estevam chamou sua esposa e pediu-lhe oração. Contou-lhe que o Senhor havia lhe mostrado durante uma visão um grande boi partir em sua direção para atacá-lo. Na visão, Estevam disse que derrubava o boi com um soco na cabeça. Entendeu que teria problema durante a realização daquele culto. Despedindo-se da esposa, foi até o local combinado para a realização do culto e ali chegando encontrou muitas pessoas reunidas. Após cantar os primeiros hinos, alguém ao fundo falou em voz grave: “Pare já com essa besteira!”. A voz era de um dos jagunços daquela região. Ele não queria que o culto fosse realizado. O pastor continuou dirigindo o trabalho do Senhor, quando novamente foi interrompido pelo jagunço: “Eu já disse para parar com essa besteira!” Dessa vez o pastor respondeu dizendo que não estava falando besteira, mas a Palavra de Deus.
Incomodado, o jagunço levantou-se dizendo que ia provar que tudo aquilo era bobagem. Puxando uma faca da cintura, o jagunço se dirigiu em direção ao pastor. Mesmo à distância, o pastor levantou a mão e gritou: “Satanás, eu te repreendo no nome de Jesus”. Naquele momento o homem foi atirado ao chão à vista de todos. O impacto da queda fora grande, e ele não conseguiu mais se levantar. Era o boi que o pastor tinha visto na visão que procuraria atacá-lo. O Diabo caiu por terra. O nome do Senhor foi glorificado. Eu fui pastor naquela região e testemunhei o grande crescimento da obra de Deus ali. Mas tudo começou com o poder da oração.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Subsídio Teológico (A Tolerância da Graça)






















Romanos 14.1-12
Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará em firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
Buscando a Maturidade
“Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas” (14.1). O apóstolo introduz aqui uma nova discussão — o relacionamento entre crentes maduros e imaturos. Essa seção revelará como deve ser o convívio entre os “fracos” e os “fortes” na fé. Essa não é uma peculiaridade da igreja de Roma. Nenhuma igreja é nivelada, possuindo somente crentes fortes ou somente crentes fracos. Essas duas modalidades de crentes estão presentes em qualquer discipulado cristão. As vezes incorremos no erro de achar que a igreja deve ter somente os “fortes”, e acabamos relegando os débeis na fé para segundo plano. Diante de Deus todos são importantes. O que precisamos ter é amor e paciência para descer até ao nível do irmão mais fraco para ajudá-lo a crescer.
O cristão “débil”, tradução do grego astheneo, possui o sentido de “fraco”, “doente”. Esse termo era usado tanto para enfermidades físicas como espirituais (Lc 5.15; 1 Co 11.30). Godet destaca que o sentido nesse texto é de alguém que enfraquece num dado momento e num caso especial.1 Já destacamos que a igreja de Roma era formada por judeus e em grande maioria por gentios. O problema não era com os gentios adotando práticas pagãs, pois não vemos aqui as mesmas recomendações que Paulo deu à igreja gentílica de Corinto (1 Co 8). Os judeus — com suas tradições milenares, como por exemplo, a observância de vários ritos cerimoniais — eram mais propensos a entrar em choque com a nova fé. Toda essa carga cultural vinha junto quando um deles se convertia ao evangelho. Como conciliar a tradição com os princípios do evangelho? Evidentemente que essa foi sem dúvida uma fonte de tensão na igreja de Roma. Não se tratava de uma prática judaizante, pois não vemos o apóstolo enfatizando isso em seu discurso como fez, por exemplo, com a igreja da Galácia. A referência à guarda de dias especiais e a observância a regras alimentares se ajusta melhor com a cultura judaica.
Esse conflito estava gerando debates acalorados na igreja, e essas “opiniões” (gr. dialogismos) estavam gerando muitos questionamentos. Em qualquer igreja viva, onde há a presença de novos manifestos, esses questionamentos aparecem. A orientação apostólica é no sentido de que isso não venha a causar tropeço naquele que é mais fraco. À propósito, lembro-me de que quando eu e minha família recebemos Jesus como Salvador nos anos 80, um amigo nosso também se converteu. Ele era muito dinâmico e possuía o hábito de tudo questionar. Ele não questionava por questionar, mas por queria saber de tudo de forma muito rápida. Nesse propósito ele se debruçou na leitura da Bíblia. Certa noite, ele chegou em nossa casa com uma pergunta. Dirigindo-se a meu irmão, perguntou: “De onde veio Deus?” Meu irmão, que havia se convertido alguns meses antes, respondeu que Deus não tinha origem, visto que era isso o que a Bíblia afirmava em Salmos 90.2: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus”. Aquele amado irmão não se deu por satisfeito porque, segundo ele, também havia lido na Bíblia que “Deus veio de Temã” (Hc 3.3). Estava formada a polêmica! Por cerca de uma hora eles discutiram de forma acalorada. Eu ficava apenas observando de longe. Em determinado momento, já com os ânimos alterados, meu irmão pediu que nosso amigo se retirasse para sua casa. Dias depois procuramos aquele irmão para uma reconciliação. Mais de trinta anos já se passaram e continuamos amigos.
Não tenho dúvidas de que em Roma havia também debates assim.
“Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que éfraco, come legumes” (14.2). Aqui o crente “forte” aparece como aquele que acredita que está livre para comer de tudo. De acordo com o versículo 21, o comer carne está em evidência nessa discussão. Por outro lado, o crente “débil” não possuía estrutura para fazer o mesmo que seu irmão mais “forte” fazia. Em vez disso, ele ficava escandalizado. Mudou o cardápio, mas as controvérsias continuam hoje. Conheci um estimado irmão em Cristo que não conseguia usar camisa de mangas curtas porque achava que as mesmas o deixavam mundano. Outro achava que crente nenhum devia ir à praia. Isso parece tolice, mas são fatos reais e que precisam ser vistos com amor para que não haja um aleijão na formação cristã.
“O que come não despreze 0 que não come; e 0 que não come não julgue 0 que come; porque Deus 0 recebeu por seu” (14.3). Aqui está o ponto de equilíbrio — o respeito pelas convicções de cada um. Paulo não entra em um juízo de valor, decidindo por um dos lados. Mas procura mostrar que acima de tudo a lei do amor fraternal deve imperar nesses casos. O que comia carne não deveria desprezar o que não comia e o que não comia carne também não deveria desprezar o que comia. À propósito, lembro que no início da minha fé éramos exortados a não usar bermudas e jogar futebol. Agora imagine que nesse tempo eu tinha 18 anos e jogava em um time de futebol amador. Sofri por conta da força do hábito, mas me ajustei às normas da igreja naqueles dias. Tantos anos se passaram que não sinto nem a falta da bermuda nem tampouco do futebol.2 Hoje eu sei que esses usos e essas práticas não são pecaminosas em si e nunca foram. Mas como obediência à comunidade que abracei naqueles dias, abandonei essas práticas.
“Um fa% diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo” (14.5). Os comentaristas destacam que o prosélito tinha por hábito considerar sagrado alguns dias, como por exemplo, o Dia da Expiação. Evidentemente que isso estava fixo de tal forma em sua mente que a não observância era um motivo de escândalo. Todavia, um novo convertido vindo do paganismo rejeitava essa prática por não achá-la mais necessária.3 Elvis Carballosa, em seu comentário de Romanos, observa que a ideia aqui é a de que qualquer prática cristã deve visar à glória de Deus.4 Evidentemente que aqui não está em foco a guarda do sábado como fazem determinados grupos heterodoxos em nossos dias, pois Paulo tinha convicção de que essa prática era apenas uma sombra que se cumpriu em Cristo (Cl 2.16).
“Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também,por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” (14.10). Há algumas coisas que são centrais na fé cristã enquanto outras são periféricas. A maioria das controvérsias entre irmãos em Cristo se dá por conta de coisas não essenciais. Muitos debates se fundamentam em futilidades sem fundamentação bíblica. O grande humanista do século XVI, Erasmo de Roterdã, em sua avassaladora sátira ao catolicismo medieval, mostrou esse fato com uma retórica impecável: “Escutei outro igualmente divertido: era um velho octogenário, teólogo da cabeça aos pés, e tão teólogo que o teriam tomado por Scotus ressuscitado. Explicando um dia o mistério do nome de Jesus, ele demonstrou com maravilhosa sutileza que tudo o que se pode dizer do divino Salvador está oculto nas letras do seu nome: ‘De fato, dizia, o nome de Jesus em latim tem apenas três casos, o que designa claramente as três pessoas da Santíssima Trindade. Observai, além disso, que o nominativo termina em S, JesuS, o acusativo em M, JesuM, e o ablativo em UJesU. Ora, essas três terminações, S, M, U, encerram um mistério inefável; pois, sendo as primeiras letras das três palavras latinas Summum (zénite), Médium (centro) e UItimum (nadir), elas significam claramente que Jesus é o princípio, o centro e o fim de todas as coisas’. Restava ainda um mistério bem mais difícil de explicar que todos esses, mas nosso doutor encontrou uma solução inteiramente matemática. Ele dividiu a palavra Jesus em duas partes iguais, de maneira que a letra S ficou sozinha no meio. ‘Essa letra T, disse em seguida, que suprimimos do nome de Jesus, chama-se Sjn entre os hebreus; ora, Sjn é uma palavra escocesa que, ao que eu saiba, significa pecado. Isso nos mostra então claramente que foi Jesus que tirou o pecado do mundo’. Todos os ouvintes, sobretudo os teólogos, atentos a um exórdio tão maravilhoso, estavam paralisados de admiração; por pouco não teriam se transformado em pedra como outrora Níobe, depois que Apoio matou seus filhos. [...] Mas nossos sábios doutores [...] julgam que esses preâmbulos, como os chamam, são obras-primas de eloquência quando neles nada se pode perceber que os ligue ao resto do discurso, e quando o ouvinte, cheio de espanto e admiração, pergunta a si próprio: ‘Onde ele quer chegar?’”.5
Romanos 14.13-23
Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas jusdça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. E verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.

Desmamando a Criança
“Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja 0 vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão” (14.13). Essa seção de Romanos 14.13-23 mostra que tolerância, crescimento e conhecimento devem andar juntos. Paulo já deixou claro que a responsabilidade de manter a fraternidade cristã é responsabilidade tanto do crente “fraco” como do “forte”. A passagem de Gênesis 21.8 serve como metáfora que ilustra a necessidade do crescimento. Isaque cresceu e foi desmamado. Todos nascemos como bebês em Cristo, e nessa fase de nossa vida adotamos alguns comportamentos que são peculiares a essa faixa-etária. Não há nada errado com isso. Todavia, chegará o dia em que precisaremos ser desmamados! A. W. Tozer mostrou que precisamos sair da infância espiritual e crescer. O cristão que não cresce é carnal. Tozer mostra algumas características do crente carnal: egocêntrico, temperamental, dependente de fatores externos, carente de propósitos, improdutivo, alheio as próprias falhas e alimenta-se com restrição.6
E preciso, portanto, tirar a mamadeira do crente. Warren W. Wiersbe comentou com muita propriedade: “Tanto o cristão mais forte quanto o mais fraco precisam crescer. O mais forte precisa crescer em amor, enquanto o mais fraco precisa crescer em conhecimento. Enquanto um irmão for débil na fé, devemos tratá-lo com amor em meio a sua imaturidade. No entanto, se realmente o amarmos, o ajudaremos a crescer. E errado um cristão permanecer imaturo e com consciência hipersensível [...] Os cristãos recém-convertidos precisam de comunhão que os proteja e estimule seu crescimento. No entanto, não podemos tratá-los como ‘bebês’ a vida toda! Os cristãos mais velhos devem usar de amor e paciência e cuidar para não fazê-los tropeçar. Todavia, esses cristãos mais novos devem crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18)”.7
Romanos 15.1-13
Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança. Ora, o Deus da paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus. Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto, eu te louvarei entre os gentios e cantarei ao teu nome. E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. E outra vez: Louvai ao Senhor, todos os gentios, e celebrai-o todos os povos. E outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, e, naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão. Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo.
Cristãos Amadurecidos
“Mas nós que somosfortes devemos suportarasfraquejas dosfracos e não agradar a nós mesmos” (15.1). O contexto de Romanos 14 mostra o apóstolo falando sobre os “fracos” em contraste com os “fortes”. Somente aqui em Romanos 15.1 aparece pela primeira vez nessa seção a palavra “forte” em referência aos cristãos mais maduros na fé. A palavra “forte” traduz o termo grego dynatos, que nesse contexto tem o sentido de cristãos mais firmes ou amadurecidos.8 O contexto revela que esses crentes mais “fortes’, entre os quais o apóstolo se incluiu, eram aqueles que haviam compreendido o senüdo da Nova Aliança em Cristo. Para esses cristãos, os rudimentos do antigo pacto já haviam passado, não sendo exigido deles nenhuma observância quanto aos seus preceitos. Para os crentes mais “fracos”, formado por judeus vindos do judaísmo e convertidos ao cristianismo, o desapego a essas tradições não era tão fácil assim.
Nessa situação, aqueles crentes que já possuíam um maior discernimento da fé cristã deveriam demonstrar amor e paciência para com esses crentes mais lentos na fé. Eles deveriam suportar as fraquezas dos mais fracos. Paulo já havia escrito sobre esse assunto na Carta aos Gálatas, quando exortou os crentes da Galácia: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (G1 6.2). Há um momento na nossa caminhada cristã em que precisamos levar o outro nas costas, talvez não por muito tempo, mas enquanto for necessário.
'Torque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam” (15.3). Paulo mostra que o exemplo máximo de tolerância veio do Senhor Jesus Cristo. Essa lição já havia sido mostrada pelo apóstolo em Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Ora, se Cristo nos amou na condição de pecadores, totalmente rebelados contra Deus, então por que não deveríamos suportar as debilidades dos mais fracos? Todos nós conhecemos alguma história envolvendo cristãos que no início da fé demonstraram lentidão no seu crescimento espiritual e como a paciência e o amor de quem o discipulou ajudou nesse processo.
“Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus” (15.7). Paulo se dirige diretamente aos cristãos de origem gentílica. Ele pede que eles olhem para sua própria história. Eles não faziam parte da oliveira verdadeira, como já havia sido demonstrado em Romanos 9—11, mas graças à misericórdia e bondade de Deus, haviam sido enxertados. Agora estavam produzindo frutos para a vida eterna. Por que não esperar pelos seus irmãos que demonstravam um pouco de lentidão na compreensão das verdades espirituais? Eles deveriam aprender com a própria Escritura que mostrava como a misericórdia de Deus o levou a acolhê-los no plano da salvação. Era uma lição para não ser esquecida.


Extraído do livro Maravilhosa Graça

José Gonçalves
Maravilhosa Graça!
O evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos