domingo, 4 de dezembro de 2016

O orgulhoso Adonias exaltou e derrotou a si mesmo.

1.1 - Israel estava próximo do fim dos anos dourados do governo de Davi. O livro de 1 Reis começa com um reino unificado, glorioso e centrado em Deus; termina com um reinado dividido, degradado e idolatra. A razão para o declínio de Israel parece simples para nós — fracassaram na obediência a Deus.
Somos vulneráveis as mesmas forcas que provocaram a decadência de Israel - concupiscência, ciúme, cobiça pelo poder, enfraquecimento dos votos de casamento e superficialidade na devoção a Deus. Quando lemos sobro estes trágicos eventos na historia de Israel, devemos nos ver no espelho de suas experiências.

1.4  Davi tinha aproximadamente 70 anos de idade. Sua saúde deteriorara-se pelos anos de sofrimento. Abisague serviu como sua enfermeira e ajudou a mantê-lo aquecido. Na época em que a poligamia era aceita e os reis tinham harens, esta ação não era considerada ofensiva.

1.5 Adonias era o quarto filho de Davi e a opção logica para sua sucessão, como rei. O primogênito. Amnom, fora morto por Absalão por ter estuprado sua irmã (2 Sm 13.20-33). Seu segundo filho, Daniel, e mencionado somente na genealogia de 1 Crônicas 3.1 e provavelmente falecera nesta época. O terceiro filho de Davi. Absalão, morreu em uma rebelião anterior {2 Sm 18.1-18).
Embora muitos esperassem que Adonias fosse o próximo rei (2.13-25), Davi (e Deus) tinha outros planos (1.29,30).
1.5 - Adonias decidiu tomar o trono sem o conhecimento de Davi. Ele sabia que Salomão, e não ele. seria escolhido por seu pai para ser o próximo rei (1.17). Por esta razão não convidou os leais conselheiros de Salomão e de Davi quando se declarou rei (1.9.10). Mas seus planos enganosos para tomar o trono fracassaram.
O orgulhoso Adonias exaltou e derrotou a si mesmo.

1.6 - As pessoas tementes a Deus. como Davi e Samuel, foram usados por Deus para liderar nações, não obstante tivessem problemas em seus relacionamentos familiares. Os lideres tementes a Deus não podem considerar como certo o bem-estar espiritual de seus filhos. Estão acostumados a terem outros que seguem suas ordens; porem, não podem esperar que seus filhos produzam fé por encomenda.
O caráter moral e espiritual é construído ao longo de muitos anos. E exige constante atenção e paciente disciplina.
Davi serviu bem a Deus como rei, mas como pai falhou frequentemente tanto para Deus como para seus filhos. Não deixe que seu serviço a Deus, ate mesmo em posições de liderança, exija tanto de seu tempo e energia que você negligencie as outras responsabilidades que lhe foram atribuídas pelo Senhor.
1.6- Pelo fato de Davi nunca interferir, ou ate mesmo questionar seu filho. Adonias não soube trabalhar dentro dos limites. O resultado foi que este sempre escolheu seu próprio caminho, a despeito do quanto suas atitudes pudessem afetar os outros.
Ele fez o que bem quis sem considerar a vontade de Deus. Uma criança indisciplinada podo parecer inteligente ou esperta para seus pais; porem, um adulto indisciplinado destrói a si mesmo e a outros. Quando impomos limites aos nossos filhos, tornamos possível que desenvolvam a auto restrição que necessitam, a fim de se controlarem mais tarde. Discipline seus filhos cuidadosamente enquanto são jovens, para que cresçam como adultos autodisciplinados.
1.7 - Para um 'retrato mais completo da vida de Joabe veja seu perfil em 2 Samuel 18. Para maiores informações sobre Abiatar.
Veja a nota sobre 1 Samuel 22.20.
1.9- Quando Saul foi ungido rei, ofertas de paz foram sacrificadas como uma lembrança do pacto da nação com Deus. estabelecido no monte Sinai. Adonias queria que fossem oferecidos sacrifícios, provavelmente na esperança de legitimar sua posse.
Mas ele não era o escolhido de Deus para suceder Davi. Selar uma ação com uma cerimonia religiosa, não faz com que esta se transforme na vontade do Senhor.
1.11 - Para maiores informações sobre Bate-Seba. esposa de Davi, leia 2 Samuel 11 e 12. Como rainha, ela era altamente influente no Palácio real.
1.11-14 - Quando Natã soube da conspiração de Adonias. tentou imediatamente dete-la. Era um homem tanto de fé como de ação. Sabia que era correto que Salomão se tornasse rei. E agiu  depressa ao perceber que outra pessoa procurava tomar o trono Frequentemente sabemos o que e certo, mas não agimos corretamente.
Talvez não desejemos nos envolver, ou sejamos temerosos ou preguiçosos. Não deixe a oração, as boas intenções ou os sentimentos inflamados. Tome as ações necessárias para corrigir as situações.
1.13 - A Bíblia não registra que Davi prometera que Salomão seria o próximo rei de Israel; mas fica claro que ele foi escolhido por Deus (1 Cr 22.9.10) o por Davi (1 Rs 1.17.30).


Bate-Seba era o vinculo entre os dois reis mais famosos de Israel — Davi e Salomão Ela era esposa de um e mãe do outro. Seu adultério com Davi quase pôs fim a familia através da qual Deus planejou entrar fisicamente no mundo. Em meio as cinzas daquele pecado, porem, o Senhor trouxe o bem. Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, nasceu de uma descendente de Davi e Bate-Seba.
A historia de Davi e Bate-Seba mostra que pequenas decisões erradas frequentemente levam a grandes erros. É provável que nenhum deles estivesse onde deveriam se encontrar.
Bate-Seba provavelmente foi imprudente ao banhar-se onde poderia ser vista; Davi deveria estar na guerra com o seu exercito. Cada decisão contribuiu para o inicio de uma triste serie de acontecimentos.
Bate-Seba provavelmente sentiu-se arrasada pela cadeia de eventos — a infidelidade para com o seu marido, a descoberta da gravidez, a morte de seu esposo e a do menino, fruto de seu adultério com o rei. Davi a confortou (2 Sm 12.24), e ela viveu para ver outro filho, Salomão, sentar-se no trono.
Por meio de sua vida. Vemos que as pequenas escolhas que fazemos em nosso dia-a-dia são muito importantes. Elas nos preparam para realizar coisas esplendidas, quando temos que tomar grandes decisões. A sabedoria para fazer as escolhas certas em diversos assuntos e um dom de Deus.
 Entender isso deve nos deixar mais conscientes das decisões que tomamos e mais dispostos a incluir o Senhor em nossas deliberações. Você tem pedido a ajuda de Deus nos compromissos que assumira hoje?

Pontos fortes e êxitos:
 • Tornou-se influente no palácio ao lado de seu filho Salomão.
• Era a mãe do rei mais sábio de Israel e ancestral de Jesus Cristo.

Fraquezas e erros:
• Cometeu adultério.

Licoes de vida:
• Embora possamos nos sentir presos em uma cadeia de eventos, ainda somos responsáveis pelo modo como participamos deles.
• Um pecado pode parecer uma semente pequena, mas a colheita de consequências será além da medida.
• Nas piores situações possíveis. Deus ainda e capaz de realizar o bem quando as pessoas verdadeiramente se voltam para Ele.
• Embora devamos viver com as consequências naturais de nossos pecados, o perdão de Deus e total.

Informações essenciais:
• Local: Jerusalém.
• Ocupações: Rainha e rainha-mãe.
• Familiares: Pai - Eliã; maridos - Urias e Davi; filhos – Simeia, Sobabe,
Nata e Salomão (1 Cr 3.5).
• Contemporâneos: Nata, Joabe e Adonias.

Versículos-chave: "Ouvindo, pois, a mulher de Urias que Urias. seu marido, era morto, lamentou a seu senhor. E passado o luto. Enviou Davi e a recolheu em sua casa; e lhe foi por mulher e ela lhe deu um filho. Porem essa coisa que
Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR" (2 Sm 11.26,27).

Sua historia encontra-se em 2 Samuel 11 -—12 e 1 Reis 1 —2. O Salmo 51 e uma passagem relacionada a vida de Davi e Bate-Seba.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

(SUBSÍDIO TEOLÓGICO LIÇÃO 10-4TR 2016) JOSAFÁ E A ADORAÇÃO A DEUS EM MEIO AO CAOS

Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.
— Isaías 55.6

Josafá foi o quarto rei de Judá depois de Asa, seu pai, o qual reinou por quarenta e um anos tendo iniciado seu reinado em 911 a.C. Foi um rei exemplar e, nos primeiros dez anos, Asa fez prosperar o reino expandindo seu domínio. Edificou cidades e as fortificou com muralhas, torres e portas pesadas (2 Cr 14.6,7), de tal modo que não era fácil a entrada de gente estranha ao reino. Depois de alguns anos de paz, Asa deixou de buscar a Deus e tomou decisões que trouxeram guerra e problemas políticos para o seu reino. Dois anos antes de sua morte, Asa ficou doente nos pés, vindo a falecer. Foi sucedido no trono por seu filho Josafá, em 873 a.C.
A história de Josafá ganha importância pelo cuidado inicial que ele teve em dar continuidade a algumas obras iniciadas por seu pai. Josafá foi um rei enérgico e muito hábil em seus dias. Sua aprendizagem inicial foi como corregente por três anos junto ao seu pai. Josafá procurou desenvolver uma relação de paz com Israel, uma vez que eram irmãos. Porém, essa aliança feita com reis de Israel lhe trouxe problemas no seu reino. Sua história nos traz lições preciosas que nos mostram uma liderança espiritual, sujeita a falhas como qualquer outra liderança, mas alicerçada em princípios de temor a Deus. As lições dessa liderança são úteis para a igreja de Cristo nos tempos atuais, quando lutamos contra potestades espirituais que procuram desestabilizar a igreja na sua relação com o Senhor. Por outro lado, aprendemos com Josafá, princípios com os quais podemos fazer a igreja crescer.

OS ANTECEDENTES DO REINO DE JOSAFÁ A Divisão do Reino de Israel
É sempre difícil entender por que Deus permitiu essa divisão do seu povo em dois reinos, o de Israel e o de Judá. Mas os livros dos reis e das crónicas do Antigo Testamento entraram no cânon das Escrituras, porque Deus não vê no sentido horizontal, mas no sentido vertical, de cima para baixo. Ele conhece todas as coisas e seu cetro de poder sobre o seu povo está em suas mãos. Quando lemos sobre os dois reinos, Israel e Judá, entendemos o paralelo histórico que existe entre os fatos registrados nos livros dos reis e nos livros das crónicas. Todos os fatos registrados nesses livros apresentam a história das divisões entre os povos do norte e do sul do povo de Israel, identificados como “o Reino do Norte, Israel” e o “Reino do Sul, Judá”. O Reino do Norte ficou com dez tribos, e o Reino do Sul com duas tribos. Essa divisão do povo de Israel aconteceu nos dias de Roboão (924 -908 a.C.), filho de Salomão que deixou de buscar a Deus e seguiu os passos de seu pai quando se envolveu com a idolatria pagã. Ele se casou com Naamá, mulher amonita, que fora uma das muitas mulheres de Salomão, e esta muito o influenciou em decisões importantes do reino. O reino enfraqueceu economicamente, e muito mais espiritualmente. Com o enfraquecimento econômico do reino, Roboão resolveu aumentar a carga tributária que já era pesada desde os tempos de Salomão sobre o povo. Por causa dessa carga tributária, Roboão não se dispôs a aliviar os impostos sobre o povo. Pelo contrário, endureceu ainda mais sem usar de bom senso e respeito pelo povo. As tribos que viviam no norte de Israel romperam com as tribos do sul (2 Cr 10.1-15), e assim aconteceu a separação do norte e do sul.

Os Dois Reinos e seus Reis, Jeroboão e Roboão
As dez tribos formaram outro reino, sobre o qual reinou Jeroboão, e o chamaram Israel; as duas tribos, Judá e Benjamim, com a capital Jerusalém, formaram o Reino de Judá, e Roboão foi o seu rei. Jeroboão, fazendo-se rei do Norte (Israel), foi um mau rei voltado para a idolatria. Ele desafiou a religiosidade do seu povo e construiu um santuário para um Bezerro de Ouro, abrindo espaço para dois centros de adoração entre as tribos do norte. Por outro lado, assumiu o reino de Judá o jovem Roboão, que foi um mau rei (2 Cr 12.14,15). Seu fracasso começou, sem dúvida, quando seguiu o mau exemplo de seu pai, Salomão, tendo uma vida polígama com muitas mulheres e concubinas. Asa era neto de Roboão e Maaca, e, quando feito rei, restaurou o culto a Deus e fez um excelente governo em Judá nos anos (905-865 a.C.). Seu filho Josafá, foi corregente com o pai, e depois da morte de Asa, reinou sobre o reino de Judá.

0 REINO DE JOSAFÁ Quem Era Josafá
Josafá foi o quarto rei de Judá (870- 848 a.C.) e adquiriu experiência no reino sendo corregente com seu pai, Asa, por aproximadamente três anos (1 Rs 22.41-50). Josafá, tendo o pai como referencial de governo e espiritualidade, exerceu um governo de grande prosperidade. Diz o texto que ele “andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai” (2 Cr 17.3). Sua mãe chamava-se Azuba e não parece que tenha exercido qualquer influência sobre ele. Enquanto o outro reino, o reino de Israel, permitiu que a idolatria dos dias de Acabe e Jezabel dominasse o reino, o rei de Judá, Josafá, ao contrário, desfez e mandou quebrar os altares construídos nos montes aos deuses pagãos. Ele entendeu de início que o seu reino prosperaria se voltasse a servir a Deus. Então ele enviou seus príncipes por todas as terras do reino de Judá para ensinarem ao povo acerca do Deus de Israel mediante a obediência e o respeito à Lei e aos mandamentos do Senhor. Para tirar o povo da crise econômica e espiritual, Josafá cria fortemente que só haveria uma reforma verdadeira e segura se o povo voltasse a reconhecer a soberania de Deus. Seus príncipes, sacerdotes e levitas se dedicaram a visitar todos os lugares do reino ensinando a Palavra de Deus.

Prosperidade de Josafá no Reino de Judá
No terceiro ano de seu reinado, Josafá estabeleceu um sistema para administrar a justiça em todos os lugares de Judá. Para tal empreendimento, visando estabelecer ordem no reino, ele nomeou juízes capazes para julgar as causas do povo em todo o reino. Eram pessoas de confiança do rei, as quais deveriam administrar a justiça sem temor, sem favores nem suborno.
Josafá levou o avivamento ao coração do povo por meio do ensino do “livro da Lei”. Principalmente, os levitas e sacerdotes de Jerusalém deveriam cumprir essa missão. De cidade em cidade, aos sábados, especialmente, eles reuniam o povo nas praças. Como não havia sinagogas nem templos fora de Jerusalém, esses comissionados do rei iam às praças e ensinavam ao povo acerca dos seus deveres para com Deus, com o próximo e com o reino, com a garantia da bênção de Deus. Essa ação promoveu um grande avivamento espiritual no coração do povo. Deus honrou a Josafá, e um grande exército — com aproximadamente 700 mil homens valentes — estava à disposição para defender a sua terra e o reino. Temos a tendência de diminuir nossa devoção ao Senhor quando gozamos de prosperidade, quando não falta dinheiro no bolso, quando temos saúde abundante, quando tudo está aparentemente em paz. Muitos líderes em seus sucessos se esquecem de buscar ao Senhor e passam a agir por conta própria, sem consultar nem depender de Deus. Josafá começou a agir com atitude independente e começou a errar.

AMEAÇAS ENFRENTADAS POR JOSAFÁ A Perigosa Aliança Feita com Acabe
Ainda nos dias de Acabe, rei de Israel — um rei que trouxe desgraça para o povo de Deus porque não temia ao Senhor —, o rei Josafá, desejando que houvesse paz entre os dois reinos, faz uma aliança com a casa de Acabe. Josafá e Acabe negociam o casamento de Jorão, filho de Josafá, com a filha de Acabe e Jezabel, chamada Atalia. Jezabel tinha uma forte influência sobre seu marido, Acabe, e, naturalmente, sobre seus filhos. Não foi diferente com Atalia, que preferia os deuses fenícios ao Deus de Israel. Nessa aliança, Acabe e Josafá entraram em guerra contra os tiros a fim de tomar a Ramote-Gileade. Acabe tramou um plano pernicioso para que Josafá fosse morto e ele levasse a fama da guerra. Nesse tempo, enquanto estão na guerra, Atalia, mulher de Jorão, toma posse do trono de Judá, levando Israel à apostasia por seis anos. Quando Josafá volta ao seu lugar no reino de Judá, entendeu o perigo do jugo desigual com os incrédulos.
Josafá deixou de buscar ao Senhor e passou a agir por si mesmo, confiado apenas na sua capacidade de governante. Por outros interesses, fez aliança com Acabe, que era um rei perverso e sem o menor temor de Deus no seu coração. Essa aliança não agradou ao Senhor porque punha o seu povo em perigo. Essa aliança foi selada com o casamento com a filha de Acabe, um parentesco que lhe traria derrota moral, física e espiritual.

Repreensão de Deus por meio do Profeta Jeú
Josafá, sem consultar a Deus, fez uma aliança com Acabe, rei de Israel. Foi uma aliança militar que produziu uma derrota para ambos os reinos. Deus levantou ao profeta Jeú, que condenou a aliança com Acabe, um rei inimigo de Deus e do povo de Israel. Mas Deus conhecia o coração de Josafá e sabia que havia temor, a despeito da atitude precipitada que havia tomado na aliança que fez com Acabe. Por isso, a ira de Deus foi desviada de Josafá, porque este havia resgatado o verdadeiro culto a Jeová. Josafá resgatou a ordem de justiça na terra de Judá, e um novo sentimento de segurança nas famílias, de justiça, de prosperidade material e espiritual passou a dominar o coração do povo. Depois da repreensão, Josafá humilha-se perante o Senhor e, além das reformas estruturais no governo das cidades de Judá, restabelece o lugar de Deus na vida do povo.

Josafá Enfrenta Ameaças contra o seu Reino
Em meio às mudanças positivas que Josafá realizou em seu reino, surge uma crise política externa provocada pelos moabitas, que declararam guerra contra Judá. A informação chegou a Jerusalém de que um forte exército estava marchando para a cidade santa. Foi uma terrível

notícia, e, então, Josafá convoca o povo para um jejum nacional com oração a Deus para o Senhor interferisse naquele ataque de Moabe.
Um pouco antes desse ataque dos moabitas contra Judá, conforme está descrito no capítulo 18, Acabe e Josafá firmam uma aliança contra os moabitas e amonitas. Eles partiram para a guerra contra esses povos, e a batalha foi trágica em Ramote-Gileade da Síria. Nessa batalha, Acabe foi ferido (2 Cr 18.33,34). Acabe tramou uma situação em que Josafá viesse a ser morto, mas os amonitas e moabitas viram que Josafá não era Acabe, por isso, não o mataram (1 Rs 22.1-38; 2 Cr 18.28-32). Sem dúvida, o Senhor o protegeu. Por essa razão, Josafá foi repreendido pelo profeta Jeú, principalmente pelo fato de ter-se aliado com Acabe (2 Cr 19.1,2).
Visto que estava seguro de que suas fronteiras eram bem protegidas e não corriam o risco de serem ultrapassadas, Josafá se descuidou. Os amonitas, os edomitas e os moabitas uniram forças para invadir Judá cruzando o Mar Morto em direção a En-Gedi com muitos soldados, cavalos e armas de guerra. Então, Josafá, consciente do erro que havia cometido na sua aliança com Acabe, entendeu que Jeová, o Senhor Todo-Poderoso, o Deus de seu povo, poderia salvá-lo, bem como ao povo de Judá, de serem destruídos pelo inimigo.

ATITUDES VITORIOSAS PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS
Josafá precisou agir rápido, com atitudes que fossem capazes de mudar o estado de espírito do povo, que estava assustado com a aproximação de um grande exército formado com aliados inimigos do reino de Judá. Essas atitudes requeriam a união de todo povo, e todas as famílias responderam positivamente ao apelo do rei.

Josafá Propõe ao Povo Invocar o Nome do Senhor
Josafá, mediante a ameaça dos moabitas, convocou o povo em jejum e oração juntamente com ele. Na sua oração, Josafá reconhece a soberania de Deus sobre todas as coisas e como sendo o único que poderia intervir naquela situação (2 Cr 20.6-12). Jejum e oração são dois ingredientes eficazes para solucionar o problema. Todo o povo de Judá sabia e, reunido numa demonstração de fé e confiança em Deus, aceitou o pedido do rei Josafá de clamar pelo Senhor em seu socorro. Era uma nação inteira buscando a Deus. Nossa nação brasileira está vivendo uma de suas maiores crises, que abrange a todos econômica e moralmente, porque a mentira, o engano e a incredulidade campeiam as mentes. É tempo de as igrejas se unirem para orar e jejuar pedindo a intervenção divina. A prática do jejum e da oração quase não mais existe, e os cristãos estão à mercê dessa tragédia moral e espiritual na nossa nação. Nenhum cristão verdadeiro duvida do poder da oração. Aquela atitude do rei Josafá significa um ato de humilhação nacional em total dependência de Deus. Era a admissão de culpa e a intenção de alcançar a misericórdia e o socorro divino para aquela situação inevitável. O povo atendeu ao apelo do rei Josafá, começando ali um grande avivamento espiritual na vida de todos. Não há crise que não possa ser vencida quando confiamos no Senhor. Davi, em um dos seus cânticos disse: “Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus” (SI 20.7).
Nos grandes desafios da igreja atual, quando ameaçada por circunstâncias materiais, morais e espirituais, as soluções espirituais têm sido menosprezadas por soluções meramente humanas. E tempo de restaurar a invocação ao nome do Senhor! Jejum e oração são práticas raras nos tempos modernos, mas sempre estiveram na experiência dos grandes servos de Deus (2 Co 6.5). Jesus declarou que aquela casta de demônios que dominava um pobre homem só seria expelida “pela oração e pelo jejum” (Mt 17.21).

Deus Fez o Povo Ouvir a Voz Profética de Jaaziel
Mesmo em meio à crise, Deus sempre tem alguém que ouve a sua voz e se torna voz profética para o seu povo. Foi o que Deus fez em Judá. No meio do povo de Deus sempre haverá espaço para ouvir a palavra do Senhor por meio de seus profetas. O Senhor não falava só nos tempos históricos, mas ainda fala pelo “dom da profecia” na sua igreja, porque cremos na atualidade dos dons espirituais. Deus levantou Jaaziel, que profetizou para o povo e levantou o ânimo de todos. Na palavra profética, Deus disse que o seu povo não entraria em guerra, com estas palavras: “Nesta peleja, não tereis de pelejar; parai, estai em pé e vede a salvação do Senhor para convosco, ó Judá e Jerusalém; não temais, nem vos assusteis; amanhã, saí-lhes ao encontro, porque o Senhor será convosco” (2 Cr 20.17). Na peleja contra o inimigo de nossas almas precisamos confiar no Senhor. Temos dois modos de ouvirmos a voz profética em nossos dias. Aquele que profetiza mediante a inspiração da palavra pregada e ensinada, bem como mediante o dom do Espírito, quando o profeta ouve de Deus e transmite à igreja a mensagem divina (Ef 4.11; 1 Co 12.10). Precisamos de um avivamento capaz de reativar os dons espirituais na igreja.

0 Povo Foi Estimulado a Louvar e Adorar ao Senhor
O rei Josafá não teve dúvida da voz profética de Jaaziel (2 Cr 20.15). Desde o rei até ao mais simples súdito do reino, todos aceitaram a mensagem de Deus e começaram a adorar e a louvar ao Senhor (2 Cr 20.18,19). Os levitas, não só os que serviam nos sacrifícios, mas aqueles que tinham a missão da adoração e do louvor, começaram a louvar ao Senhor pela sua majestade santa, pela sua benignidade eterna. Houve grande júbilo e a certeza da vitória que o Senhor daria ao seu povo. O louvor, quando ministrado de forma a reconhecer a soberania divina, tem o poder de abrir portas na presença de Deus. Quando o povo começou a adorar a Deus, Josafá acalmou seu coração porque entendeu que o Senhor cumpriria a sua palavra e nenhuma família se perderia. Quando os exércitos inimigos se aproximaram de Jerusalém e ouviram o som dos louvores, diz a bíblia que começaram a cair em emboscadas e se destruírem uns aos outros, sem que ninguém do povo judeu precisasse fazer qualquer coisa. Os exércitos inimigos foram desbaratados porque Deus os confundiu (2 Cr 20.24).
Josafá e todo o povo de Israel descobriram que as nossas batalhas sem o Senhor na direção significam tragédia. Quando reconheceram a soberania de Deus para fazer o impossível, não tiveram mais dúvidas: só o Senhor é capaz de nos dar vitória para fazer valer sua palavra sobre nós. O povo de Judá e o seu rei aprenderam a colocar Deus no seu verdadeiro lugar como Senhor e Rei soberano, e o fizeram mediante o louvor e a adoração. Deus impediu que os inimigos entrassem em

Jerusalém confundindo-os e, por isso, o povo de Judá demonstrou gratidão a Deus pela vitória que o Senhor lhes concedeu.
CONCLUSÃO

A história de Josafá é uma história de proezas políticas, econômicas e espirituais porque tinha como referencial o seu pai Asa. Como homem, teve suas falhas, mas seu coração ainda estava com o temor a Deus. Soube pedir perdão ao Senhor e arrepender-se quando errava, e Deus se agrada de um coração contrito. Os fatos da história de Josafá se constituem modelo para quem quer superar crises. Ele buscou ao Senhor e reconheceu a soberania divina para solução de seus problemas, louvando e adorando ao Senhor.

A oração e o louvor a Deus constituem a arma secreta do crente na luta contra o Inimigo.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

(SUBSÍDIO TEOLÓGICO LIÇÃO 9 ) ELISEU: MILAGRES EM TEMPOS DE ESCASSEZ

[O Senhor] faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste.
Deuteronômio 10.18

A importância do profeta Eliseu começa pelo significado do seu nome na língua hebraica — “elisha”, que significa “Deus é salvação” — e no grego do Novo Testamento é “elissaios” (Lc 4.27). A vida de Eliseu indica que tinha uma família abastada, porque arava uma terra que tinha vários empregados. Era um homem rude, sem formação acadêmica alguma, que tinha calos nas mãos pelo serviço que exigia força e saúde para ser feito. Seu tempo de vida passou por, pelo menos, quatro reis de Israel — Jorão, Jeú, Jeoacaz e Jeoás nos capítulos 5 a 13 de 2 Reis — além de outros reis, inclusive estrangeiros, como o rei da Síria, Ben-Hadade, Hazael e até o rei de Judá, Josafá (2 Rs 3.11-19). Eliseu era um homem sem discriminação, que ia à casa de uma pobre viúva e até aos palácios dos reis. Quando foi desafiado a seguir o profeta Elias, Eliseu não titubeou na decisão de segui-lo. Desvencilhou-se de suas atividades rurais e passou a seguir a Elias, de quem se tornou o auxiliar imediato.
Acompanhando Elias até o seu arrebatamento por cima de sua cabeça, Eliseu não se descuidou e assistiu à maravilha de ver um carro de fogo que, mais rápido que a força do vento, passou entre os dois e os separou um do outro, levando Elias para o alto. Uma intervenção do sobrenatural sobre o natural que só Deus pode fazer. Os racionalistas rejeitam a literalidade da história, mas nós cremos no poder sobrenatural que o Senhor manifesta quando quer.
A partir de então, a história de Eliseu toma um rumo diferente. Ao tocar a capa de Elias nas águas do Jordão e elas se abrirem fazendo um caminho para que ele passasse para o outro lado, Eliseu não teve mais dúvida. Estava investido de autoridade espiritual, e a partir daquele momento iniciava seu ministério, que se tornou ousado e com operação de milagres (2 Rs 2.1,11-14). Ele vira o que Deus havia feito por meio de Elias e, agora, investido do mesmo poder e autoridade, os milagres começaram a acontecer. Eliseu se tornou o canal de milagres operados em várias ocasiões diferentes. A começar pela casa de uma viúva e dois filhos. Era a viúva de um profeta, a qual, sem condições de pagar uma dívida deixada pelo marido, corria o risco de ter que entregar os seus dois filhos para um tempo de serviço escravo poder pagar a dívida.
Essa narrativa bíblica descreve o modo de Deus agir por meio do seu servo Eliseu, multiplicando o azeite de um vasilhame de barro que havia na casa da viúva. A bondade de Deus foi demonstrada na vida daquela família que acreditou na orientação do profeta e foi agraciada com o milagre da multiplicação do azeite.

AS PRIMEIRAS PROEZAS DO MINISTÉRIO DE ELISEU
Desde a travessia do rio Jordão mediante a visão gloriosa e literal da elevação de Elias em carro de fogo (2 Rs 2.12-14), Eliseu estava consciente de que o ministério profético estava sobre os seus ombros. Os sinais que caracterizaram a vida do profeta Elias se manifestaram sobre a vida de Eliseu.

Eliseu se Depara com uma Crise de Águas Contaminadas em Jericó
A água é vital para uma cidade, e Jericó estava vivendo o drama da água contaminada em seus mananciais. Não é de estranhar que as águas de Jericó fossem ruins, pois essa cidade era uma cidade amaldiçoada; por isso, o seu solo era improdutivo (Js 6.26). Porém, o servo de Deus estava lá e mais cinquenta moços da escola de profetas que haviam assistido
ao arrebatamento de Elias, que náo acreditavam que Elias tivesse, de fato, subido ao céu num redemoinho, mas que poderia estar em algum monte. Por três dias o procuraram e não o encontraram. Ao voltar para Eliseu, reconheceram que ele agora era o seu novo líder, e deveriam respeitá-lo e obedecer-lhe. Em Jericó, ao voltar, depararam-se com o problema das águas contaminadas em seus veios. Não só os filhos dos profetas, mas os chefes de famílias da cidade de Jericó também reconheceram que Eliseu tinha algo mais que poderia resolver o problema da água e foram até ele. Eliseu não discutiu com eles, mas exerceu sua fé no sobrenatural usando meios naturais para demonstrar o poder de Deus (2 Rs 2.20). Ao pedir que trouxessem sal num prato, não dá direito a ninguém de querer imitar milagres passados e dogmatizá-los como modo de Deus operar hoje.
Grupos neopentecostais, que gostam de explorar essas coisas, procuram ensinar a prática de colocar sal em casas, terrenos e outras coisas, como se Deus se limitasse a operar sempre do mesmo modo. Refutamos essas práticas utilizadas por líderes cristãos que dependem de manipulações para fazer acontecer alguma coisa. O Deus de milagres sempre operará como quiser porque Ele não fica circunscrito a experiências passadas.
O saneamento das águas más aconteceu com o sal colocado nas águas, mas a cura daquelas águas não era por causa do sal, mas sim pelo poder de Deus. Em outra ocasião, quando Israel peregrinava no deserto sob a liderança de Moisés, o povo encontrou água, mas aquela água era amarga, e o povo começou a murmurar contra Moisés, dizendo que ele havia trazido o povo para morrer de sede e de fome no deserto (Êx 15.22-26). Moisés chamou aquela lagoa de “Mara”, que significa “amarga”. Deus orientou Moisés a tomar um pedaço de uma árvore do deserto e lançá-lo naquelas águas; assim elas seriam saradas e transformadas em água potável (Êx 15.23-27). Naquele lugar, o Senhor se manifestou a Israel como Yahweh Ropheka, ou de forma aportuguesada como Jeová-Raphah, que significa “O Senhor que cura”.

Uma Intervenção Divina numa Circunstância Difícil
Três reis que não serviam ao Senhor Deus de Israel — Jorão, rei de Israel (2 Rs 3.1), Josafá, rei de Judá (2 Rs 3.7) e o rei de Edom (2Rs 3.9) — se uniram para enfrentar os exércitos de Moabe, que eram muito fortes. Na realidade, os três reis, mesmo não sendo tementes a Deus, reconheciam que em Israel havia um homem de Deus que tinha a resposta que eles precisavam ouvir. Joráo era o filho mais novo de Acabe, um rei que fora inimigo do profeta Elias e não merecia qualquer cooperação da parte do homem de Deus, Eliseu. Josafá foi um rei profano, e o rei de Edom era pagão. Porém, Josafá sabia que Deus agia de modo especial por meio de um homem especial, o profeta Eliseu (2 Rs 3.11). Aqueles três reis haviam marchado para ir ao encontro dos exércitos de Moabe, sabendo que aqueles exércitos eram muito mais poderosos que eles.
Pergunta-se então: Por que Deus resolveu intervir naquela guerra? Em primeiro lugar, para preservar o seu nome perante as nações e para demonstrar àqueles reis que a causa maior e mais importante daquela intervenção era Eliseu. Eliseu era o homem que representava os interesses divinos naquelas terras. Por isso, Eliseu tinha a palavra que eles precisavam ouvir. Esses exércitos se encontraram no deserto de Edom depois de sete dias de calor, sequidão e falta de água. Eliseu, confiante na providência divina, deu ordem para que eles cavassem muitas covas, porque viria uma grande chuva e encheria aquelas covas e supriria a necessidade dos soldados (2 Rs 3.16,17). Aqueles reis não duvidaram da palavra de Eliseu, e puseram seus homens para cavar covas nas terras desérticas e vermelhas de Edom. Vieram as chuvas e encheram aquelas covas. A cor da água ficou avermelhada e, quando os moabitas se preparavam para marchar com aqueles reis, foram confundidos porque a chuva caiu apenas nas terras onde estavam os três e a força do sol com seu brilho virou um espelho avermelhado que fez com que os moabitas, vendo a cor de sangue naquele deserto, entendessem que podia ser o sangue dos exércitos mortos. Os moabitas levantaram-se para invadir as cidades de Israel, mas foram surpreendidos com a reação dos exércitos dos três reis e foram destruídos, porque Deus assim o permitiu. Não importa como acontece nas intervenções divinas. O que vale é saber que Deus é poderoso para mudar situações.
Na caminhada ministerial de Eliseu, muitas proezas e milagres aconteceram porque o Senhor era com Ele.

UMA FAMÍLIA PIEDOSA EM DIFICULDADES A Crise Económica de uma Família
Esta história vem logo após um incidente internacional que provocou uma guerra de três reis contra o rei de Moabe. Nesse incidente, Deus usou Eliseu para demonstrar a intervenção divina numa circunstância que nenhum homem comum poderia resolver. Entende-se que por amor à casa de Davi, Deus deu vitória aos três reis.
No capítulo 4, Eliseu se volta às famílias dos profetas quando se depara com a situação alarmante de uma viúva e seus dois filhos que estavam vivendo um estado caótico de gêneros de primeira necessidade e uma dívida impagável. A narrativa não identifica o nome dessa mulher, que era esposa de um profeta que havia falecido e deixado uma dívida. A situação daquela família era de completa penúria, pois além da perda do marido, estavam vivendo uma crise económica, em que faltavam alimentos básicos e não tinham nenhum recurso financeiro. A viúva corria o risco de perder seus dois filhos para os credores. Seus filhos poderiam ser vendidos como escravos para saldar a dívida. O texto indica que o marido dessa mulher poderia ter sido um servidor do profeta Eliseu. A situação era gravíssima, pois não havia nem dinheiro nem qualquer tipo de alimentos dentro de casa. Era pobreza total, e isso significava privação das necessidades básicas da vida. A Bíblia nos dá a garantia de que “Deus faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt 10.18; SI 68.5; 146.9).
Vivemos em tempos de grandes dificuldades económicas, quando muitas famílias estão em total pobreza material. Famílias inteiras que vivem nas favelas das grandes cidades comem restos de comida encontrados nos lixões das cidades. Sem alimentação, nem educação, nem segurança, a pobreza gera desespero e violência, e os governos tentam fazer alguma coisa, mas muito pouco é feito para mudar esse estado caótico de pobreza. Nesse meio se encontram muitos cristãos fiéis a Deus que vivem de migalhas e muito pouco que as igrejas fazem por eles. Muitas igrejas ficaram ricas e usam os seus recursos para quaisquer projetos de construções e outras coisas mais, porém muito pouco é investido na obra social para amenizar a pobreza dos nossos próprios irmãos na fé.

A Situação daquela Viúva e seus Dois Filhos
Naquele tempo, o povo rural enfrentava muitas dificuldades para fazer as culturas locais produzirem; por isso, a pobreza era grande e a maioria dos colonos estava endividada. Uma vez que as colheitas não eram boas, os colonos rurais se viam obrigados a vender suas terras e outros bens materiais, e até a própria família, para saldar suas dívidas. Uma vez vendidos os filhos dessa viúva, as leis que regiam esses negócios exigiam seis anos de serviços para saírem da escravatura. A situação daquela viúva era triste, porque ela não tinha outra saída para a solução do problema senão pagar a dívida com o trabalho servil de escravo dos seus filhos. Naquela época, as mulheres eram privadas de direitos e, principalmente, as viúvas. A viúva poderia encontrar algum parente que se tornasse o seu remidor e se casasse com ela. No caso daquela viúva com dois filhos, não houve ninguém que a remisse. Pelo contrário, a dívida contraída por seu marido deveria ser paga com a entrega de seus dois filhos ao credor (Êx 21.1-11; Lv 25.29-31; Dt 15.1-11). Nesse contexto inevitável, essa pobre viúva precisaria de uma intervenção de Deus para mudar aquele estado de desespero. Ela lembrou-se do homem de Deus que a conhecia e sabia da situação que estava vivendo. O texto diz que ela clamou ao profeta e mostrou a sua situação. Ela sabia que Jeová é aquele que “faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt 10.18).

0 ATO BENIGNO DE ELISEU QUE OPEROU UM MILAGRE Eliseu Cria em El-Shaddai, o Todo-Poderoso
Eliseu ouviu os reclamos daquela viúva e, naturalmente, como homem comum, ele se sente incapaz de resolver o problema. Porém, ele sabia muito mais que o seu Deus, o El-Shaddai, era aquEle que podia operar o milagre na casa daquela mulher. Ele sabia que o El-Shaddai havia se manifestado muitas vezes em variadas situações na história de homens e mulheres da Bíblia, e que só Ele poderia operar o milagre na vida daquela família.

0 Deus de Milagres Operou de Modo Especial na Casa daquela Viúva
Quando Eliseu pergunta àquela viúva “Que te hei de fazer?”, estava confrontando os limites de sua pessoa como homem, que estava pronto para ajudar, dentro dos limites desse seu espírito humanitário. Eliseu não agia com atitude presunçosa só por causa dos milagres que já haviam sido operados por seu intermédio. Ele tinha consciência de suas limitações, e não ostentava atitude de senhorio sobre as operações de Deus. Mas, confiante no poder de Deus e certo de que é Deus que “faz justiça ao órfão e à viúva”, lhe daria uma solução que resultasse na glória de Deus. Na segunda pergunta do profeta à viúva, “Que é que tens em casa?”, ele vislumbrou em sua mente a operação de Deus.
“Que é que tens em casa”? (2 Rs 4.2) é uma pergunta que, colocada no contexto das famílias na sociedade atual, se choca com a realidade da pobreza, da mendicância nas cidades, da busca de alimentos nos lixões das grandes metrópoles, dos maus serviços de saúde. A igreja de Cristo na terra não pode fugir ao seu papel social, e sim seguir o exemplo da igreja que saiu do Pentecostes (At 4.32-35). Em vez de querermos espiritualizar todas as suas ações, a igreja deveria investir em exercer justiça social. Não adotamos a teologia da libertação dos teólogos modernos, nem devemos cruzar os braços sem alguma ação em favor dos necessitados. Essa pergunta deveria ser feita pelos adeptos da teologia da prosperidade, que confundem o “ser com o ter” e ensinam que os pobres são pobres porque não conseguem a bênção da prosperidade. Existe uma teologia chamada “teologia da pobreza” que ensina e declara que pobreza material é garantia de espiritualidade, usando como texto para essa ideia equivocada uma interpretação da expressão “pobres de espírito” como pobreza material. Na história deste capítulo, Eliseu era o homem de Deus, que confiava em Jeová-Jireh e sabia que Deus podia mudar aquele estado de penúria daquela viúva e seus filhos. Por isso, perguntou-lhe: “Que é que tens em casa”? (2 Rs 4.2). A resposta da viúva foi clara e precisa: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”.

Deus Começa o Milagre a partir do que Temos
“Tua serva não tem nada, senão uma botija de azeite. ” A lição maior que aprendemos com essa declaração da viúva é que, a partir do nada, ou do pouco que temos, Deus age e opera milagres. Na Bíblia temos histórias lindas dos milagres de Deus em prover a necessidades de seus servos. O que é que temos em mãos para começar a ver a operação de Deus? Moisés
tinha em mãos “uma vara”, e com essa vara Deus operou grandes maravilhas; Davi tinha uma funda, e com uma pedrinha matou o gigante Golias (1 Sm 17.23-25,40,49); Pedro e seus companheiros de pesca tinham uma rede e viram o milagre da pesca abundante depois de uma noite sem pegar nada (Lc 5.1-7); Dorcas tinha uma agulha de costura (At 9.36-40).
O que temos em mãos, ou em casa, para crer no Deus de milagres? Em 1954, na cidade de Chapecó, SC, meu pai, pastor Osmar Cabral, atendia a nova igreja na cidade e as dificuldades financeiras eram enormes. Certo dia, faltou de tudo em nossa casa. O comércio não vendia nada fiado para qualquer crente e meu pai saiu à procura de alguma coisa para trazer para casa numa outra cidade próxima. Minha mãe reuniu-se comigo e minha irmã, que tínhamos apenas 9 e 7 anos de idade, para orar a Deus que enviasse comida para a nossa casa. A noite, já muito tarde, alguém bateu à porta de nossa casa de madeira e perguntou pelo meu pai, que ainda não havia retornado. Essa pessoa se identificou e disse que Deus o enviara para trazer comida. Minha mãe o recebeu, e o homem trouxe para dentro de casa muito feijão, arroz, carne seca e outros alimentos. O Deus de milagres tocou no coração desse irmão que não nos conhecia, vindo de outra cidade, para encher a nossa casa de alimentos. E a partir de “uma botija de azeite” que Deus torna tudo abundante, porque Ele é o “Deus de toda provisão”.

A PROVISÃO NA MEDIDA CERTA
Eliseu trouxe tranquilidade e fé para aquela pobre viúva, tornando-a capaz de suprir as necessidades básicas de sua casa e com condição de pagar sua dívida com os credores. Ele a orientou como deveria fazer, porque o abastecimento da sua casa não seria momentâneo, mas serviria para ter em estoque muito azeite, que poderia ser vendido, e com o dinheiro ela sustentaria a sua casa e seus dois filhos continuariam com ela.

Provisão Abundante sem Desperdício
O que a viúva tinha em casa senão uma “botija de azeite”? Foi um bom começo o “ter uma botija de azeite”, mas se ela não tivesse nada, o Senhor operaria do mesmo modo.
O profeta orientou a viúva e seus filhos que pedissem emprestados muitos vasilhames próprios (vasos de barro), tanto quanto pudessem tomar emprestados. Sem que os vizinhos e amigos soubessem, seus filhos trouxeram muitos vasilhames para dentro de casa. Tudo quanto aquela viúva tinha em casa era “uma pequena botija de azeite”. Fecharam a porta da casa e obedeceram à orientação do profeta de “tomar a botija de azeite” e começar a derramar em cada vasilhame o restinho do azeite que havia na botija. Então o milagre começou a acontecer, porque o azeite não terminava e quanto mais eles enchiam os vasos, mas o azeite se multiplicava até o último vaso, quando o azeite parou de derramar. O azeite continuou a fluir enquanto havia vasos para recebê-los. Não houve desperdício. Tanto quanto havia em capacidade de receber azeite foi o que Deus fez fluir para resolver o problema da viúva e seus filhos.
A lição que aprendermos é que, do pouco que temos, podemos exercer nossa fé para obtermos a bênção de Deus em todos os aspectos de nossa vida material, emocional e espiritual. O apóstolo Paulo disse aos romanos que Deus dá da sua graça na medida da nossa fé, ou “conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3). Deus nos dá tanto quanto precisamos e dá abundantemente. Nunca Ele dá demais ou de menos, mas sempre na medida da nossa capacidade de gerirmos aquilo que Ele nos dá.

A Obediência à Orientação do Profeta Foi Fundamental para Perceber a Bênção
Aquela mulher podia discutir com o profeta o seu modo de resolver o problema, mas ela sabia que o homem de Deus tinha a resposta divina para a sua vida. Tudo o que ela precisava lazer era aceitar a orientação do profeta e colocar sua fé em ação. Para não haver interferência no milagre, a viúva e seus filhos deveriam “tomar vasos emprestados”, ou seja, vasilhames de cerâmica, tantos quantos pudessem conseguir, e trazê-los para dentro de casa. A viúva só tinha uma botija, um pequeno vasilhame; por isso, precisaria de muitos vasilhames. Ela sabia que deveria obedecer à orientação do seu líder espiritual como aquele que cumpre o papel de representar os interesses de Deus na terra. Para não haver a interrupção dos credores à sua porta, nem o de sentir-se orgulhosa pelo suprimento miraculoso, ela deveria fechar a porta atrás de si na sua casa. Ela fez tudo conforme a orientação do servo de Deus para que o milagre acontecesse. O princípio da autoridade espiritual é o mesmo para os nossos dias. Um pastor deve ser respeitado como homem de Deus, e esse respeito se conquista com o exemplo de vida piedosa.

0 Azeite Flui enquanto Houver Vasos Disponíveis
Houve um outro tempo na vida de Israel em que havia uma crise de fé e de espiritualidade nos dias do profeta Zacarias (519-520 a.C.). Esse profeta tem uma visão maravilhosa do modo como Deus supriria o seu povo nas suas necessidades. Entre outras coisas da visão, Zacarias viu um candelabro todo de ouro com as suas sete lâmpadas e um vaso por cima das lâmpadas que supria com azeite. Esse grande castiçal de ouro que representava o povo de Deus (Zc 4.2). Para um castiçal que estava sem azeite, não havia nenhum recurso humano que pudesse suprir esse castiçal, mas aquele vaso estava cheio de azeite para as lâmpadas.
Fazendo uma comparação com a história vivida pela viúva e seus dois filhos, o azeite que se multiplicava era a provisão de Deus para suprir as necessidades daquela família. Na Igreja, é preciso um novo azeite que traga avivamento e renovação espiritual.
O azeite torna-se uma tipologia da provisão de Deus na vida dos que dependem dEle para as suas necessidades. Os filhos da viúva conseguiram muitos vasos e os trouxeram para dentro de casa, mesmo sem saberem o que ia acontecer. Eles creram na operação divina para realizar o milagre. Matthew Henry comentou que “nós nunca estamos em dificuldades em Deus, em seu poder e generosidade, e nas riquezas da sua graça. Toda a nossa dificuldade está em nós mesmos. E a nossa fé que falha, não a sua promessa. Ele dá mais do que pedimos: houvesse mais vasos, haveria mais em Deus para enchê-los, o suficiente para todos, o suficiente para cada um”.
Muitas igrejas cristãs estão vivendo o drama da viúva com a despensa vazia. Vivem das experiências passadas porque não há mais vasos disponíveis para que o Senhor faça fluir o azeite. Os vasos podem representar aquelas pessoas que trazemos para “dentro da casa”, ou seja, que se convertem e as trazemos para o convívio da igreja.
A medida da fé é a medida das bênçãos.