domingo, 20 de agosto de 2017

Submissão


A submissão não é tanto um meio quanto uma condição para a oração eficaz. O cristão submisso aceita humildemente a autoridade e o senhorio daquEle a quem ora. Não obstante o cumprimento dessa condição prévia, ele precisa igualmente submeter-se aos lideres que Deus colocou acima dele: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar contas delas;' para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb 13.17).

Extraído do livro Teologia bíblica  da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque

Editoração: Flamir Ambrósio

Confissão


A confissão e simplesmente o reconhecimento de um fato acerca de si próprio ou de outrem. Assim, ela tanto pode ser o desvendar dos pecados pessoais, num ato de contrição (o reconhecimento da nossa miséria e falibilidade), como uma afirmação da grandeza e bondade de Deus (o reconhecimento da santidade e perfeição divinas). Ambos os significados encontram-se tanto no hebraico como no grego, e em português.
         Quando Paulo fala: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus”, em Romanos 10.9, ele tem em mente o reconhecimento de Jesus Cristo como o Filho de Deus, enviado ao mundo para tornar-se o nosso Salvador e Senhor. O texto não constitui uma referencia a “confissão de pecados”, e sim a “confissão do nome do Senhor”.
         Pelo menos dois vocábulos hebraicos são traduzidos por “confissão” nas paginas do Antigo Testamento. O primeiro, todah, é derivado do segundo, yadah . Ambos permitem os dois sentidos já mencionados, como por exemplo em Esdras 10.10,11: “Vos tendes transgredido e casastes com mulheres estranhas, multiplicando o delito de Israel. Agora, pois, fazei confissão [todah] ao Senhor, Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade” (grifos do autor). Quando ha dificuldade, o contexto e que deve determinar se ambos ou apenas um sentido — e qual deles — se aplica a passagem.
         Tanto todah quanto yadah estão alicerçados sobre o sentido literal de “estender a mão”. As mãos podem levantar-se na adoração a Deus (este e o primeiro significado) ou contorcer-se em aflição, por causa dos próprios pecados (aqui, o segundo). Nas 111 ocorrências de yadah no Antigo Testamento, ambos os sentidos de “confissão” parecem estar presentes.
         Entretanto, isso não nos deveria preocupar, pois o louvor e apropriado em meio a confissão de pecados, assim como a confissão de pecados e apropriada quando chegamos a Deus com nossos louvores. Precisamos sempre reconhecer toda a verdade que Deus nos revelar — tanto nossa própria pecaminosidade como sua santidade e majestade.
Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos*;: pecamos e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente , e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos (Dn 9.4,5).

         Os dois significados de “confissão” são representados no Novo Testamento pelo termo grego homologia (e derivações), cujo sentido básico representa “aquilo que e reconhecido ou confessado” (já visto no texto de Rm 10.9 — no caso, “confessar Jesus”). O outro sentido de “confissão” e ilustrado em 1 Joao 1.9 (“confessar pecados”).- “Se confessarmos os nossos pecados, ele e fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (grifo do autor).
         O significado de “confessar”, conforme se apresenta nos capítulos seguintes, e primariamente o reconhecimento do pecado , tanto perante Deus como diante das pessoas, sendo este um elemento essencial da oração eficaz. Este significado ficou indelevelmente impresso nos israelitas através da cerimonia anual de libertação de um bode no deserto, no Dia da Expiação.
         E Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles à terra solitária; e o homem enviará o bode ao deserto (Lv 16.21,22).

         Isso simbolizava não somente o fato de que Deus cobriria os pecados deles com o preço da redenção, o sangue vertido; mas que seus pecados desapareceriam para sempre da memoria de Deus.
         Um notável exemplo de confissão em oração acha-se em Salmos 51.3,4: “Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado esta sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos e mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares”.


Extraído do livro Teologia bíblica da oração.
“O Espirito nos ajuda a orar”

Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque
Editoração: Flamir Ambrósio

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Um panorama dos principais acontecimentos na vida desse personagem.

 Por : Antônio Gilberto.
 Retirado livro ensinador cristão nº 40.

         Os acontecimentos que vamos considerar através do estudo desta lição nos trarão uma visão mais ampla do interesse de Deus pelo bem-estar do seu povo quando ordenou ao profeta que tomasse as devidas providencias para ungir um outro rei para Israel, porquanto o seu povo estava atravessando dias difíceis em virtude do mau comportamento do rei Saul.
         Podemos também observar que Deus não se deixa levar por respeitos humanos e escolhe as pessoas que Ele acha melhor capacitadas para exercer cada função, não levando em conta a pouca ou a muita idade que elas possam ter, visto que o conceito de tempo para Deus não é igual ao conceito do homem.
Deus usou a capacidade de Davi, aperfeiçoando-a e dando a ele condições para ocupar o trono. Porem somente depois de faze-lo passar por uma serie de experiências e que foi possível ao jovem pastor tornar-se um ousado e valente monarca.

O jovem ungido rei

         Deus queria que seu povo de Israel fosse diferente de todos os outros povos da Terra no que se refere ao governo da nação. No entanto, o povo judeu, olhando para seus vizinhos, pediu um rei. Deus satisfez o desejo do povo.
Porem, não demorou muito tempo e o monarca estava desobedecendo a vontade de Deus, e tantas transgressões praticou que Deus colocou outro rei em seu lugar. O Espirito Santo de Deus afastou-se de Saul e ele não teve mais condições para liderar o povo.
         1. Deus manda Samuel ungir a Davi. Samuel, o sacerdote, estava penalizado
por Saul, pois sabia que Deus já não era mais com ele. E não tardou muito, Deus falou a Samuel que tinha um trabalho importante a realizar por seu intermédio. Assim, ordenou que Samuel tomasse o recipiente de azeite da unção e fosse ate a cidade de Belém porque lá na casa de Jesse, aquele homem simples, Ele havia escolhido um novo rei para Israel (ISm 16.1).
         a. Os temores do profeta – Samuel sabia que a situação era difícil, porque as pessoas com quem se encontrasse certamente perguntariam o motivo de sua presença ali. E ate mesmo o próprio rei Saul poderia encontra-lo, e seria muito difícil para ele contar aquela verdade para o rei.
Deus preparou todas as coisas, instruindo-o como deveria se portar, e assim Samuel seguiu o caminho indicado por Deus. Houve, de fato, surpresa por parte dos anciãos da cidade que foram ao encontro de Samuel, os quais ficaram receosos, não sabendo o motivo que teria levado o profeta ate Belém. Porem, Samuel acalmou-os dizendo ter ido sacrificar, como o Senhor lhe instruíra.
         b. A hora da escolha - Era chegada a hora da escolha. Uma grande responsabilidade pesava sobre Samuel, mas ele estava pronto a seguir a orientação divina. Dessa forma, pediu a Jessé que trouxesse seus filhos e os fizesse passar em sua presença. A medida que os jovens se apresentavam, o Espirito do Senhor falava a Samuel e este ordenava que passassem aqueles jovens vistos, nenhum deles ainda o escolhido. Todos passaram e ninguém foi apontado, mas Samuel sabia que era dali que surgiria o novo rei.
         c. Chamado do curral das ovelhas -Certamente, ainda havia mais algum filho de Jessé que não tinha se apresentado, pensou Samuel, e insistiu que trouxessem a todos (v.ll). Foram então chamar o caçula da casa, que se encontrava apascentando as ovelhas de seu pai. Samuel recusou assentar-se a mesa para comer antes que ele
chegasse. Deus não chama ocioso para o seu trabalho. Ele confia tarefas a pessoas que estão acostumadas a trabalhar. Trouxeram Davi à presença de Samuel. Aquele jovem ruivo, de boa aparência, sentia-se muito feliz e, ao entrar em casa, o Espírito falou ao profeta: "É este o escolhido".
         Tomando o chifre onde estava o azeite, e numa reunião mui singela, em presença de seus irmãos, Davi foi ungido para ser o monarca de Israel.
E ali, naquele mesmo minuto, o Espírito do Senhor tomou conta do ser do humilde pastor.
         2. A fase preparatória. Talvez o jovem Davi nem atinasse bem para o que estava acontecendo e o que esperava-o pela frente. Contudo, Davi não tinha nada a temer, pois o Senhor era com ele. Muitos anos ainda se passaram até que Davi fosse conduzido ao trono real. Esses anos que se sucederam foram como que um tempo de
escola, quando Davi aprendeu muita coisa e tornou-se adulto e capaz de liderar o povo.
         a. Testado numa guerra desigual – Em razão da vida errada que levava Saul, este começou a fazer um mau reinado, e por essa razão os inimigos começaram a atormentar Israel. O povo de Deus passou a viver ameaçado, temendo a cada momento uma inesperada invasão do inimigo em seu território.
Ameaçado pelo exército dos filisteus, que trazia à sua frente o gigante Golias, o exército de Saul se achava incompetente para vencer a batalha.
         O atrevido gigante bradava em alta voz insinuações para irritar e amedrontar Israel, pedindo que mandassem um homem para pelejar com ele. O rei Saul e todo o seu povo tremeram de espanto e de medo diante de tal provocação.
Nessa situação dramática, chega o jovem pastor e, tomando conhecimento das ocorrências, oferece-se para enfrentar o audacioso inimigo. E, apesar de ser criticado por alguns e exortado até por seus próprios irmãos, Davi continua firme no seu propósito.

         Era o Espirito de Deus que o impulsionava a luta. Depois da unção, o jovem estava revestido do poder de Deus. Dessa forma, lançou-se contra o inimigo e, para alegria e espanto de todos, saiu vitorioso deixando o forte adversário caído por terra.
         O segredo da vitória de Davi não estava em ter ele usado essa ou aquela arma, e muito menos confiado em suas próprias forcas, mas, sim, em ter depositada toda a sua confiança no Senhor dos Exércitos (I Sm 17.45; SI 40.4; 71.5).
         Naqueles momentos difíceis, Davi lembrou-se da luta que travara com o leão e com o urso para salvar as suas ovelhas, e como Deus lhe havia dado forcas para enfrentar aqueles fortes animais. Ali também não seria diferente. E de fato ele conquistou a vitória para Israel. Foi uma notável experiência para aquele jovem que, dessa forma, conquistou o respeito e a confiança tanto do rei como de todo o povo.
         b. Servindo na casa do rei - Não só de guerras vive um monarca, mas também
de varias outras situações que da mesma forma requerem capacidade de quem lidera. Deus estava preparando o inexperiente jovem para ocupar o trono e cuidar do povo, que era muito especial. Assim, era necessário que ele amadurecesse para a função que
deveria exercer. Dessa forma, também Davi teve a oportunidade de ir conviver com o rei Saul em seu palácio (ISm 18.2). Foi uma experiência totalmente diferente para Davi.
         Acostumado a beleza do campo onde passava a maior parte do seu tempo cuidando de suas ovelhas em contato direto com a natureza, ocasião em que dedilhava a sua harpa e entoava belos hinos ao Senhor, como podemos perceber no registro dos
Salmos, certamente ele não se achou muito a vontade nos primeiros dias naquele suntuoso lugar onde tudo era controlado e orientado.

         Mesmo ali, naquele ambiente de luxo e de fartura, Davi preservou um coração simples e temente a Deus. Não se envaideceu, não se precipitou e nem mesmo se achou injustiçado por não ter sido levado ao trono e colocado a coroa real, mesmo sabendo que Deus já havia rejeitado a Saul. A Bíblia diz que ha um tempo para todas as coisas (Ec 3.1-8), e quem espera os acontecimentos no tempo certo com toda a certeza será bem-sucedido.


         c. Sofrendo perseguições - Davi conquistou a confiança e a amizade de todos no palácio. O rei Saul o tinha como um valente e corajoso soldado e estava muito satisfeito em tê-lo no palácio.
Até que um dia, quando Davi voltava de uma batalha juntamente com o rei, o povo, alegre da vitória, saiu às ruas cantando e elogiando os feitos do rei e destacando a participação de Davi na Batalha.
         Entrou o espírito de inveja no coração de Saul e, dali por diante, ele começou a dirigir uma série de ostensivas perseguições a Davi, prometendo mesmo tirar-lhe a vida, o que intentou por várias vezes (ISm 18.11; 19.10; 20.33; 24.2; 26.2). Todavia, em todas essas situações, Deus livrou Davi das mãos de Saul.
         A força do homem é frágil diante do poder de Deus, por maior que seja a posição que ele ocupe, por maiores privilégios com que ele possa contar.
O homem não tem condições de resistir à vontade de Deus sem que seja fatalmente envergonhado e derrotado (Is 43.13).
         Davi estava envolvido pela graça de Deus, porque alimentava permanente comunhão com o Pai celestial.
Nas horas difíceis, quando precisava enfrentar o inimigo, clamava por socorro divino (SI 28.31); e quando voltava vencedor das batalhas, atribuía toda honra e toda a glória ao poderoso Jeová (SI 18; 30.34).
         O equilíbrio, a perseverança e a confiança com que Davi enfrentava as situações difíceis demonstram o quanto ele esperava e confiava em Deus. Assim como Deus cuidou de Davi, Ele cuida de cada um de nós.
         Neste contexto, vamos encontrar o jovem e simples pastor decidido a, mesmo sem saber do que Deus pretendia fazer dele, ocupar-se em obedecer e seguir às ordens divinas. Da mesma forma, como antigamente Deus usava jovens, como foi o caso de Davi; e crianças, como o caso de Samuel e da menina judia em casa de Naamã; e também homens e mulheres avançados em idade, como o caso de Abraão e Sara, o Senhor continua usando aqueles que se dispõem a fazer a Sua vontade e a submeter-se ao seu querer. Deus quer encontrar homens de coração puro e reto e de abnegada
dedicação ao trabalho.

         3. Uma descendência abençoada.
Deus prometeu que abençoaria a descendência de Davi e cumpriu a sua promessa. Depois de Davi, veio a reinar seu filho Salomão, que foi o monarca mais sábio, mais poderoso e mais rico de Israel. Foi uma época abençoada, quando o povo passou por um período de paz e tranquilidade, sem guerras, e por esse motivo o grande e majestoso Templo de Jerusalém pôde ser construído (lRs 6.11-13).
         A nação de Israel subsistiu a muitos ataques e até mesmo a escravidão e exílio. Deus preparou todas as coisas e tornou tudo aos seus lugares até que se cumprissem as profecias acerca da Casa de Davi (Jr 23.5; Mq 5.2,3).

         4. O ungido de Deus. Deus ungiu a Davi, isto é, separou-o para um trabalho especial, dotou-o das qualidades necessárias e encheu-o do Espírito Santo e de poder para que ele tivesse condições de conquistar vitórias sem precedentes para o povo de Israel.
Davi foi um rei segundo o coração de Deus (ISm 13.14), o que nos faz entender que Davi não fazia a sua própria vontade, mas a do Senhor. Tudo isso foi deveras muito importante.
Porém, precisamos compreender que era apenas a preparação para o maior acontecimento de todos os tempos na história da humanidade.
         Um descendente de Davi nasceria em Belém, cidade de Davi, e seria o Messias prometido, o Salvador do mundo, e este foi Jesus Cristo, o Ungido de Deus (Is 61.1-2; At 10.38).




Texto do pastor Antônio Gilberto, publicado na revista Lições Bíblicas para a Escola Dominical - Jovens e Adultos - Out-Dez/1984.