domingo, 20 de agosto de 2017

Veneração

A veneração é a reverência estendida a um  ser  reconhecidamente sobrenatural. É também o ato de expressar essa reverência, admiração  ou  devoção.  Quatro palavras  do Antigo  Testamento têm o sentido de “venerar”. Essas  palavras  originais  são  traduzidas  por um grande número de palavras alternativas na língua portuguesa, incluindo “adorar” (principalmente), “servir”, “homenagear”, “prostrar-se” e “reverenciar”. Salmos 29.2 é uma típica  tradução  da  palavra hebraica chawah [ou shachah], que tem o sentido de “prostrar- se profundamente em homenagem ”:  “Dai ao  Senhor a glória devida ao seu nome; a d o r a i [venerai] o Senhor na beleza da sua santidade” (grifo do autor). A partir deste ponto, pelo fato de em português a distinção  entre  as  palavras  “veneração”  e   “adoração”  ser praticamente  inócua,  têlas-em os com o sinónimas.

Pelo menos uma dúzia de palavras gregas são traduzidas como “adoração” ou “veneração” no Novo Testamento. A palavra grega mais usada é proskuneo — “cair prostrado em reverência e     homenagem ”. Relacionada a ela está proskunetes, que significa “adorador”. Ao falar à mulher samaritana, Jesus definiu a verdadeira adoração com o um elo espiritual entre Deus e a pessoa: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).
As 15 palavras e expressões anteriores representam 15 aspectos da oração. Nenhuma delas, isoladamente, abarca todo o significado dessa grande disciplina da vida cristã — a oração. Mas a com preensão de cada uma delas, tanto em particular com o em função do conjunto, aliada à prática, mostrará que uma vida de oração efetiva não somente é possível mas desejável. Revise seu domínio desses termos, alistando-os numa folha de papel e escrevendo ao lado suas respectivas definições. Em seguida, verifique se você incluiu todas as partes essenciais de cada uma dessas definições.
Há muitas perguntas concernentes à oração que ficarão sem resposta até enfrentarmos, face a face, aquEle a quem oramos. A oração bíblica inclui esforço árduo, intercessão e importunação. Mas também inclui submissão e confiança. Envolve tanto o lutar com Deus quanto o repousar pacificamente em seus braços, e também implica em argumentar e queixar-se diante de Deus — Ele compreende que somos humanos. Mas se não aprendermos o que significa ser submisso, nossas orações não poderão fazer muita coisa.
Quando você estudar as orações existentes na Bíblia e os ensinos sobre a oração, nos próximos capítulos, algumas perguntas invariavelmente surgirão. Não temos a pretensão de responder todas. Guãrde-as no coração. Peça ao Espírito que as use (bem como a quaisquer outras perguntas não respondidas acerca da oração) para levá-lo a uma vida devocional mais profunda e a uma comunhão mais íntima com aquEle que pode dar resposta a cada pergunta humana.


Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque

Editoração: Flamir Ambrósio

Dores

A palavra “dores” é usada na Bíblia para referir-se a todo trabalho doloroso ou laborioso, seja físico ou mental. No Antigo Testamento, a ideia é frequentemente associada com o trabalho de parto. Por extensão, as dores na oração significam aquele esforço árduo que visa obter uma resposta de Deus. Outras traduções das palavras hebraicas de maior ocorrência para “dores” incluem "labor”, “negócios”, “misérias”, “tribulação” e “tristeza”.
As palavras traduzidas por “dores” no Novo Testamento também envolvem sentidos associados ao ato de dar à luz a uma criança: “produzir”, “parir” e “dor”. Paulo comparou o sentimento que o dominava quando orava pela saúde espiritual dos crentes da Galácia às dores de uma mulher na hora do parto: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as d ores de parto , até que Cristo seja formado em vós” (G1 4.19, grifo do autor). Para os propósitos do nosso estudo, a palavra “dores” deve ser compreendida como aquela intensa dedicação à oração que chega a produzir agonia e intensa dor interior em prol duma causa espiritual, principalmente o nasci­ mento e desenvolvimento de almas e ministérios no Reino de Deus.



Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque
Editoração: Flamir Ambrósio

Ação de Graças

A ação de graças é um reconhecimento público ou celebração da bondade divina, uma expressão de gratidão. O verbo hebraico yadah e o substantivo todah estão associados à gratidão e à ação de graças no Antigo Testamento. Essas mesmas palavras também são traduzidas em outras passagens com o “louvor” e “confissão”. O papel da ação de graças, ao se prestar honras a Deus, é ilustrado em Salmos 69-30: “Louvarei o nome de Deus com cântico e engrandecê-lo-ei com ação de graças”.
No Novo Testamento, a expressão “ação de graças” é tradução' do vocábulo grego eulogia, cujo sentido básico está associado ao louvor, e também de eu charistia (“gratidão”). Esta palavra deriva-se de eu ( “bem ” ou “bom ”) e charis ( “favor”, “graça”, “graciosidade”, “benefício”, “agradecimento”). A ligação entre a ação de graças e a oração fica bem clara em Filipenses 4.6: “As vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com a ç ã o d e g r a ç a f (grifo do autor).
A ação de graças, como um elemento da oração, tanto pode ser desvalorizada como tida em alta conta. Até hoje os judeus devotos entremeiam o dia inteiro com suas orações, no geral compostas por sentenças curtas. Mais de cem bênçãos são normalmente recitadas começando com as palavras: “Bendito sejas tu, ó Senhor, Rei do Universo”. Um judeu típico expressa um breve agradecimento a Deus ao receber notícias boas ou más, ao cheirar uma flor odorífera, ao alimentar-se, ao ver um arco-íris e ao passar por uma borrasca. Durante todo o dia o judeu devoto louva e agradece a Deus por tudo que acontece, valendo-se de  orações  curtas,  que não  compreendem mais de uma sentença. A admoestação de Paulo para orarmos “sem cessar”  (cf. 1 Ts 5.17) fica muito mais clara quando compreendemos o pano de fundo hebraico a partir do qual ele escrevia. Nos capítulos  seguintes, “ação de graças” é o reconhecimento da bondade divina, uma expressão de gratidão  a Deus,  sob  a forma  de oração (inclusive  a silenciosa),em  cântico,  música ou  língua desconhecida.

Extraído do livro Teologia bíblica da oração.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa
Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: The Spirit Help Us Pray
Logion Press, Springfield, Missouri
Primeira edição em inglês: 1993
Tradução: João Marques Bentes
Revisão: Gleyce Duque

Editoração: Flamir Ambrósio