segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Terça - At 2.33 – LBA - O batismo no Espírito Santo é resultado da obra de Cristo.

De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.

O comentário abaixo foi extraído do livro comentário bíblico pentecostal.
Livro este da editora CPAD, poderá comprar no site www.cpad.com.br.


Deus derramou o Espírito. Depois de estabelecer Jesus como o Messias, que tinha de ser ressuscitado dos mortos, Pedro mostra que o Salvador foi, de fato, exaltado ao trono de Deus (v. 33). Embora ele e seus companheiros tenham visto Jesus ascender ao céu, dizer que viram Jesus desaparecer na nuvem (At 1.9) não os convenceria. Então, seu apelo é para o que a audiência viu e ouviu —Pedro e seus colegas falando em línguas, as línguas de fogo vistas sobre suas cabeças e um som como um grande vento do céu. Para Pedro, este derramamento do Espírito é a prova de que Jesus foi “exaltado [...] à destra de Deus” (ARA.), significando que Ele está num lugar de honra ao lado de Deus. Outra possível tradução é “exaltado pela destra de Deus” (RC), enfatizando o poder de Deus na exaltação de Jesus.
Tendo ascendido ao céu, “[Jesus recebeu] do Pai a promessa do Espírito Santo” . Imediatamente depois do batismo nas águas, Jesus foi cheio com o Espírito (Lc 3.21,22) e durante todo o seu ministério público foi o portador do Espírito por excelência (At 10.38). Ele não precisava do Espírito como dotação para si mesmo; mas quando Ele ascendeu ao céu, o Pai lhe deu o Espírito Santo para ser distribuído à Igreja (Haenchen, 1971, p. 183). Em consequência, Jesus, o Senhor da Igreja, derrama o Espírito Santo. Tudo o que é visto e ouvido no Dia de Pentecostes emana do Cristo ascendido. De corpo, Ele está ausente da terra, mas presente com o Pai no céu. Como o Cristo exaltado, Ele continua distribuindo aos crentes o poder do Espírito Santo e os dons que Ele recebeu do Pai.





Segunda - At 2.1-4 – LBA - A descida do Espírito no dia de Pentecostes.

O comentário abaixo foi extraído do livro comentário bíblico pentecostal.
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Sinal: Os Discípulos São Cheios com o Espírito Santo (2.1-4). No Dia de Pentecostes, os discípulos estão orando e esperando, prontos para serem batizados com o Espírito. Uma de suas características surpreendentes é a unidade. Lucas já descreveu que eles estão unidos em oração, sugerindo que eles têm uma mente e propósito (At 1.14). O Dia de Pentecostes começa com eles “todos reunidos no mesmo lugar” (At 2.1) — muito provavelmente no templo onde eles se reuniam diariamente (Lc 24.53; At 2.46; 5.42; cf. At 6.13,14). Devido ao contexto, eles não estão meramente no mesmo lugar, mas estão em comunhão uns com os outros. Seu verdadeiro senso de comunidade centraliza-se no conhecimento pessoal que eles têm do Cristo ressurreto e da devoção para com Ele.
Quando o Dia de Pentecostes desponta, o tempo de orar e esperar terminou para estes cento e vinte discípulos. A princípio, há um som sobrenatural vindo do céu, como um vento violento. A medida que o som enche a casa (o templo) onde eles estão sentados, línguas como fogo pousam sobre os presentes. Sinais milagrosos introduzem o Dia de Pentecostes como no monte Sinai (Êx 19.18,19), em Belém (Mt 1.18—2.12; Lc 2.8-20) e no Calvário (Mt 27.51-53; Lc 23.44). O vento e o fogo enfatizam a grandeza da ocasião e são evidências audíveis e visíveis da presença do Espírito — o som do vento poderoso significa que o Espírito Santo está com os discípulos, e as chamas de fogo em forma de língua que posam em cada um deles são manifestação da glória de Deus, acrescentando esplendor à ocasião.
Os relatos posteriores de enchimento com o Espírito em Atos não sugerem que o som do vento e as línguas de fogo ocorrem de novo. Estes sinais são introdutórios, somente para aquela ocasião. O sinal constante e recorrente da plenitude do Espírito em Atos é falar em outras línguas (At 10.46; 19-6). No Dia de Pentecostes, Pedro declara que Cristo derramou o que as pessoas vêem e ouvem (At 2.33). Falar em línguas (ou glossolalia)—um sinal externo, visível e audível — marca a dotação dos discípulos com poder sobrenatural, isto é, o fato de eles serem cheios com o Espírito.
O verbo traduzido por encher (pimplemi), usado em Atos 2.4, está estreitamente ligado como Espírito(Lc 1.41,67; At4.8,31; 9.17; 13-9). Este verbo é usado por Lucas para indicar o processo de ser ungido com o poder do Espírito para o serviço divino. Ser cheio com o Espírito significa o mesmo que ser batizado com o Espírito ou receber o dom do Espírito (cf. At 1.5; 2.4,38).

O Espírito Santo habilita os discípulos a “falar em outras línguas”. Falar em línguas não é meramente questão de vontade humana, pois é o Espírito que inicia a manifestação. Em plena submissão ao Espírito (“o Espírito Santo lhes concedia”), eles falam e agem conforme o Espírito os conduz. Tais expressões vocais não são fala estática ou mera algaravia; mas, como o termo “falar” (apophthengomai) sugere, elas são poderosas e capacitadoras (cf. At 2.14; 26.25). Este verbo se refere no Antigo Testamento grego à atividade de videntes e profetas que reivindicam inspiração divina (Ez 13.9,19; Mq 5.11; Zc 10.2) e indica uma proclamação divinamente inspirada.
As línguas no Dia de Pentecostes podem ser corretamente descritas como proféticas e confirmam o padrão de Atos 2.17,18: “Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão”. No batismo com o Espírito, declarações inspiradas originam- se com o Espírito Santo. Os crentes são porta-vozes do Espírito, embora permaneçam em pleno controle de suas faculdades. O Espírito respeita a liberdade e busca a cooperação deles. Ele fala por meio deles, mas eles estão falando ativamente em línguas e podem parar à vontade. Por exemplo, Pedro fala em línguas, mas pára quando se dirige à multidão. Assim a manifestação de línguas pode ser entendida como resposta e obediência ativas ao Espírito Santo.
A experiência dos discípulos no Dia de Pentecostes tem um significado quádruplo.
1) A principal característica do batismo com o Espírito é primariamente vocacional em termos de propósito e resultado. Como nos tempos do Antigo Testamento, a unção com o Espírito é primariamente vocacional, em vez de ser salvadora (i.e., que leva à vida eterna). O batismo com o Espírito não salva ou faz da pessoa um membro da família de Deus; antes, é uma unção subsequente, um enchimento que equipa com poder para servir. No Dia de Pentecostes, os discípulos se tornam membros de uma comunidade carismática, herdeiros de um ministério anterior de Jesus. Eles são iniciados num serviço capacitado pelo Espírito e dirigido pelo Espírito para o Senhor.
2) Falar em línguas é o sinal inicial do batismo com o Espírito. Serve como manifestação externa do Espírito e acompanha o batismo ou imersão no Espírito. Para Pedro, o sinal milagroso demonstra a plenitude do Espírito. Ele aceita línguas como a evidência de que os cento e vinte foram cheios com o Espírito. Como sinal inicial, as línguas transformam uma profunda experiência espiritual num acontecimento reconhecível, audível e visível. Os crentes recebem a certeza de que eles foram batizados com o Espírito. O próprio Jesus não falou em línguas, nem mesmo no rio Jordão. Sua unção especial foi normativa para seu ministério, mas o derramamento do Espírito em Atos 2 é normativo para os crentes. A distinção entre Jesus e os crentes é que Ele inicia a nova era como Senhor.
3) As línguas proporcionam aos discípulos os meios pelos quais eles louvam e adoram a Deus. Estes discípulos falam em línguas que nunca aprenderam, mas ao celebrarem os trabalhos poderosos de Deus elas são completamente inteligíveis aos circunstantes (v. 11). Todos os que testemunham o que está acontecendo reconhecem que os discípulos estão louvando a Deus. Em vários idiomas, eles magnificam e agradecem a Deus pelas grandiosas coisas que Ele fez.

4) Falar em línguas é sinal para os ouvintes descrentes (cf. 1 Co 14.22). As palavras de louvor nos lábios dos discípulos servem como sinal de julgamento para os incrédulos. Com base na manifestação milagrosa, Pedro declara: “Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Falar em línguas é o meio pelo qual o Espírito Santo condena os judeus por terem crucificado Jesus e por serem incrédulos. Tanto quanto a evidência inicial do batismo com o Espírito, as línguas podem ser sinal do desgosto de Deus.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O que é uma Parábola?

Dificilmente tudo o que se fala a respeito das parábolas -para tratar da sua definição ou da explicação das suas características - é verdade para todos os casos. Por esse motivo, cada parábola precisa ser abordada de maneira exclusiva e não se deve pressupor que o seu desenvolvimento ocorre de acordo com o das demais. Uma parábola é, normalmente, definida como uma ilustração em função da ''falácia de raiz'' de se derivar o sentido de paraballo, que significa, literalmente, ''atirar ao lado''. A partir disso, as pessoas passaram a encarar as parábolas como histórias terrenas que expressam significados celestiais. Apesar de haver uma boa dose de verdade nisso, essa abordagem ao entendimento das parábolas do Novo Testamento mostrar-se-á inconsistente. As parábolas são muito mais do que ilustrações, e embora algumas tratem da escatologia futura, não estão falando do céu. Elas são dirigidas à vida neste mundo.
Na verdade, possivelmente nenhuma definição de parábola se      mostrará  completamente eficaz, pois toda definição que seja ampla o suficiente para englobar todas as formas acaba se revelando tão imprecisa a ponto de se mostrar praticamente inútil. Algumas definições bem conhecidas merecem uma menção da nossa parte. T. W Manson sugeriu que: ''A parábola é una criação literária na forma de narrativa desenvolvida para retratar uma espécie de caráter por advertência ou exemplo, ou para encarnar um princípio do governo de Deus para com este mundo e com os homens (sic}''. As parábolas nos falam de Deus e da humanidade, mas nem todas são narrativas. C.H. Dodd declarou que as parábolas ''são a expressão natural de uma mente que visualiza a verdade em figuras concretas em vez de concebê-la por meio de abstrações'' ,e esta sua definição é frequentemente repetida: ''No nível mais básico, a parábola é uma metáfora ou imagem tirada da natureza ou da vida comum que prende o ouvinte pelo seu caráter vivo ou esquisito, que deixa a mente com um nível suficiente de dúvida acerca da sua aplicação precisa a ponto de lhe lançar pensamentos ativos''. Tecnicamente falando, uma parábola é muito mais do que uma metáfora ou uma imagem, e apesar dessa definição ser útil para muitos casos, para outros ela não será adequada. Algumas parábolas não são nem vivas, nem esquisitas (por exemplo, Me 13.28), e algumas não deixam qualquer sombra de dúvida acerca da sua aplicação. Paul Ricoeur descreveu as parábolas como ''a conjunção de uma forma narrativa com um processo metafórico''. Esta também é urna definição útil, mas algumas parábolas, especialmente se considerarmos a forma como o Novo Testamento utiliza a palavra parabole, não são narrativas; além disso, algumas nem são metáforas ou, pelo menos, o seu caráter metafórico é questionado. Mais adequada é a definição que Theon dá ao que é uma fábula (mythos) - o gênero ao qual as parábolas pertencem - como sendo ''um dito fictício que ilustra a verdade'', ou o melhor de todos, se adotarmos as palavras de um poeta moderno: ''As parábolas são jardins imaginários que contêm sapos de verdade''. Elas criam um mundo imaginário que reflete a realidade. Sobre as fábulas diz-se que são manobras táticas para despertar novos pensamentos que o autor passa a manipular. Este também é o caso das parábolas. Totalmente alinhada com isso está a definição de mashal (a palavra hebraica correspondente ao vocábulo parabole no grego) como sendo ''uma narrativa alusiva que é feita por um objetivo ulterior''. As parábolas são uma forma de comunicação indireta que tem por intenção ''enganar o ouvinte no sentido da verdade''. Os rabinos judeus falavam das parábolas como sendo instrumentos para a compreensão da Torá; antes das parábolas ninguém conseguia compreender a Lei, mas quando Salomão e outros criaram as parábolas, o povo passou a compreendê-la. De forma análoga, podemos dizer que as parábolas de Jesus são instrumentos de compreensão do seu ensino acerca do Reino.
O tratamento dispensado por Soren Kierkegaard à comunicação indireta merece uma cuidadosa reflexão. Ele nos ajuda a entender que a comunicação direta é importante para a propagação da informação, mas que o aprendizado é mais do que a informação, especialmente quando as pessoas pensam que já entendem do assunto. As pessoas levantam as suas defesas contra a comunicação direta e aprendem a conformar a sua mensagem aos canais da sua compreensão da realidade. A comunicação indireta ocorre pela janela dos fundos e confronta aquilo que entendemos por realidade. As parábolas são uma forma de comunicação indireta.
Se o significado é o valor atribuído a um conjunto de relações, as parábolas proporcionam novos conjuntos de relações que nos capacitam (ou nos forçam) a ver as coisas de uma maneira inteiramente nova. As parábolas funcionam como lentes que fazem com que enxerguemos a verdade e corrijamos a distorção da nossa visão. Elas permitem que vejamos aquilo que, de outra forma, não veríamos, e pressupõem que devamos olhar e ver uma realidade específica. Elas não são exames de Rorschach*, mas histórias com um objetivo, analogias por meio das quais somos capacitados a enxergar a verdade. Com exceção de cinco parábolas contadas por Jesus... elas são histórias com dois níveis de significado, o nível da história por meio do qual vemos as coisas e o nível da verdade, ou seja, a realidade que está sendo retratada.

         O  objetivo imediato de uma parábola é ser algo bastante atraente e, ao ser atraente, ela redireciona a atenção e desarma o ouvinte. O objetivo final de  uma  parábola é despertar uma compreensão mais aprofundada, estimular a consciência  e levar os ouvintes a uma  ação.  A  razão principal  por  que  as parábolas  de Jesus são histórias  com  propósito  é, como veremos,  o fato de elas servirem como instrumentos proféticos, uma ferramenta de uso especial das pessoas que  são portadoras de uma  mensagem divina. Elas não ocorrem em porções da Bíblia concentradas  na Torá, em narrativas históricas  ou  nos escritos da Igreja Primitiva.  Elas são utilizadas por pessoas que  procuram fazer  com  que o  povo de Deus  pare,  reconsidere  os seus  caminhos  e  modifique o seu comportamento. As parábolas  bíblicas  revelam  o caráter e a maneira como o nosso Deus age; mostram também o que é a humanidade e o que ela deve -    e pode -    se tornar. As parábolas não são meramente historietas informativas.  Da mesma forma que os profetas que o antecederam, Jesus falava por meio de parábolas para despertar o raciocínio e estimular unia reação das pessoas  em  relação  a Deus.  As parábolas  normalmente  atraem os ouvintes, provocam  reflexão e geram  ação.  Elas constituem  argumentos decisivos que  são lançados diante de um público normalmente recalcitrante e de  raciocínio lento.   Elas  buscam  incitar as pessoas a atitudes  dignas do evangelho  e  exigidas  no  Reino  de  Deus.  Um  dos  maiores  problemas  das igrejas cristãs, particularmente do cristianismo ocidental, é a nossa passividade absurda. As parábolas nos instigam -    literalmente, por causa de Jesus -a fazer algo! As parábolas não procuram uma ''moralidade branda'' sobre a qual Kierkegaard reclamava, mas uma resposta radical de pessoas que tomam para a si a sua cruz e passam a ser imitadoras de Deus: uma mudança a tal ponto de receber, merecidamente, o nome de ''conversão''.
         Na maioria dos casos, portanto, a parábola é uma analogia ampliada utilizada para ..convencer  e persuadir. Como veremos, é desta forma que os gregos da antiguidade também utilizavam esse termo e ele se mostra abrangente  o  bastante  a  ponto  de  englobar  a  maioria  dos  usos  que  os evangelistas  fizeram  dele.  A lógica das  parábolas  de Jesus  é a analogia proporcional. 4° Correspondentes aos termos alemães Sache e Bild, as palavras teor e veículo são utilizadas na língua portuguesa para explicar o funcionamento da analogia. O teor se refere ao tema que está sendo comparado, o item do qual se busca formar uma ideia, e o veículo se refere à imagem que o ilustra, a parábola, o instrumento pelo qual a compreensão é transmitida. Uma analogia, de forma explícita ou implícita, vale­ se de um ou mais pontos de semelhança. Por exemplo, um discípulo é para Deus (teor) o mesmo que um escravo é para um senhor (veículo) no que diz respeito às suas obrigações irrevogáveis (ponto de semelhança). De acordo com John Sider, todas as parábolas que assim são chamadas nos Evangelhos envolvem mais de um ponto de semelhança - exatamente o contrário do que defendia Jülicher. A analogia, pela sua própria natureza, pode facilmente se tornar ''alegórica''.


Informação do arquivo:
Foto e dados do livro o qual foi extraído .

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Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: Stories with Intent
William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, EUA
Primeira edição em inglês: 2008
Tradução: Marcelo S. Gonçalves
Preparação dos originais: Daniele Pereira, Gleyce Duque e Elaine Arsenio
Revisão: Gleyce Duque, Elaine Arsenio e Zenira Curty
Capa: Josias Finamore

Adaptação de projeto gráfico: Fagner Machado                                                     
CDD: 225 - Novo Testamento ISBN: 978-85-263-1065-0
As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, da Socie­dade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário.
 Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
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1ª edição: 2010