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TIMÓTEO.3.14-17.
3.14 Sitiado
pelos falsos ensinadores e pelas pressões inevitáveis de um ministério que
crescia, Timóteo pode ter se sentido tentado, às vezes, a abandonar a sua fé ou
modificar a sua doutrina. Paulo aconselhou Timóteo a olhar para o seu passado e
permanecer naquilo que havia aprendido sobre Jesus, coisas que ele sabia que
eram completamente verdadeiras. Os falsos ensinadores podiam se mover
constantemente para idéias e conceitos novos e mais estimulantes para se
discutir e se comentar, mas Timóteo precisava permanecer firme naquilo que
tinha aprendido e em que acreditava firmemente. Isto não significa que Timóteo
não precisasse continuar estudando, mas que o básico que ele tinha aprendido
com pessoas em quem confiava nunca mudaria.
3.15 Timóteo
era um dos primeiros cristãos da segunda geração: ele tinha se tornado cristão,
náo porque um evangelista fez um sermão poderoso, mas porque sua mãe e avó o
tinham ensinado as Escrituras quando ele ainda era uma criança (1.5). Para
Timóteo, as sagradas letras, isto é, as Escrituras Sagradas, eram basicamente o
Antigo Testamento - Gênesis a Malaquias. As origens da fé de Timóteo
forneceriam outro incentivo para que ele prosseguisse na fé: Paulo, seu mentor
e amigo, que lhe deu um exemplo inconfundível da fidelidade de Deus; as
Escrituras infalíveis, que Timóteo tinha estudado e amado desde sua meninice; e
as suas queridas mãe e avó, que o tinham criado e amado. As Escrituras, a
Palavra de Deus, ensinam sobre a salvação:
Mas somente
conhecer as Escrituras não salva ninguém (muitos judeus tinham conhecido as
Escrituras desde sua infância, mas ainda assim tinham se oposto a Jesus e à
salvação que Ele oferecia - veja 2 Co 3.15,16; o próprio Paulo exemplificou
isto nos seus anos anteriores, At 26.9-11). As Escrituras mostram às pessoas a
sua necessidade de salvação e também como consegui-la - pela fé que há em
Cristo Jesus.
3.16 Timóteo
conhecia as Escrituras desde a sua infância, de modo que ele sabia que toda
Escritura é inspirada por Deus. Quando Paulo falou de toda Escritura, ele
estava basicamente se referindo ao Antigo Testamento, uma vez que naquela ocasião
já estava concluído. Mas o escopo da afirmação de Paulo incluía qualquer texto
que fosse considerado suficientemente confiável para ser lido nas reuniões da
igreja, que, no final do século I, teria incluído os quatro Evangelhos e as
cartas de Paulo. De acordo com 2 Pedro 3.15,16, as cartas de Paulo eram
classificadas como “Escrituras”.
As
Escrituras, afirmou Paulo, são divinamente inspiradas. Uma tradução mais
próxima do texto grego original seria: “Toda Escritura tem o sopro de Deus”.
Isto nos diz que cada palavra da Bíblia foi “soprada” por Deus. As palavras da
Bíblia vieram de Deus e foram escritas por homens. O apóstolo Pedro afirmou
isto quando disse que “os homens santos de Deus falaram inspirados pelo
Espírito Santo” (2 Pe 1.21).
As palavras
de Paulo lembraram Timóteo de que, pelo fato de as Escrituras serem inspiradas
e infalíveis, elas também são proveitosas. A Bíblia não é uma coletânea de
histórias, fábulas, mitos ou simples ideias humanas a respeito de Deus.
Por
intermédio do Espírito Santo, Deus revelou a sua pessoa e o seu plano a
determinados crentes, que escreveram a sua mensagem para o seu povo.
Este
processo é conhecido como “inspiração”. Os autores escreviam nos seus contextos
pessoais, históricos, e culturais. Embora usassem as suas próprias mentes, seus
talentos, sua linguagem, e seu estilo, eles escreviam o que Deus queria que
eles escrevessem. As Escrituras são completamente dignas de confiança porque Deus
estava no controle da sua escrita. As suas palavras são completamente
confiáveis para a nossa fé e as nossas vidas.
As
Escrituras eram proveitosas para todos os aspectos do ministério de Timóteo.
Elas:
• São
proveitosas para ensinar a verdade.
O conteúdo e
o ensino da verdade, que devem fluir das Escrituras e ser coerentes com ela. Ao
chamar a Bíblia “inspirada por Deus”, Paulo estava identificando a sua origem
divina; ao torná-la a fonte da doutrina, ele estava lembrando a Timóteo da sua
autoridade. O ensino de uma doutrina bíblica contrária devia ser rejeitado,
corrigido, ou substituído pelos ensinos corretos.
• Podem
condenar o erro, ou seja, podem redarguir. O impacto inicial da verdadeira
doutrina envolve a confrontação do falso ensino e compreensão. A agressividade
de alguns que ensinam a verdade bíblica pode ter que ser desculpada, mas a
agressividade da verdade bíblica dirigida ao erro e ao mal não exige desculpas.
• Podem
corrigir as faltas, ajudando-nos a enxergar os nossos erros. Na área da
correção, as Escrituras têm duas funções: (1) elas fornecem uma apresentação
completa dos ensinos, onde somente uma parte da verdade tinha estado presente;
e (2) possibilitam uma compreensão correta e a aplicação onde a verdadeira
doutrina pode ter sido ensinada, mas não surtiu efeito.
• Ensinam a
maneira certa de viver, ou seja, instruem em justiça, mostrando-nos como
agradar e glorificar a Deus.
A natureza
das Escrituras nos permite ensiná-las confiantemente aos nossos filhos e
aprender com elas.
A Bíblia não
é simplesmente um registro do passado - a história dos judeus e, a seguir, da
igreja. Na verdade, cada história, cada profecia, cada ensino, cada admoestação
e cada ordem apontam para além do autor, a Deus, que veio até nós na pessoa de
Jesus Cristo. Deus nos confronta nas páginas da sua Palavra - dizendo-nos o
quanto Ele nos ama, como podemos ser seus filhos, e como devemos viver para
agradá-lo.
3.17 O
objetivo das Escrituras é preparar e capacitar os crentes para toda boa obra
que Deus quer que eles realizem. Timóteo tinha uma grande responsabilidade em
Éfeso, mas, por meio da sua fé e confiança na Palavra de Deus, ele era capaz e
proficiente – capaz de satisfazer todos os deveres e desafios. Os crentes devem
estudar a Bíblia para que possam saber como realizar a obra de Cristo no mundo.
O conhecimento da Palavra de Deus não nos será útil se não fortalecer a nossa
fé e nos levar a fazer o bem (Ef 2.10).
Extraído do comentário bíblico aplicação pessoal.
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