“E na
solidão que Deus entrega seus melhores pensamentos, e a mente precisa estar
calma e tranquila para recebê-los. ”
—
Charles R. Swindoll
“Uma das
maiores utilidades do Twitter e do Facebook será provar no Ultimo Dia que a
falta de oração não era por falta de tempo. ”
— John
Piper
Na
última noite de Jesus com seus discípulos, Ele os conduziu a um jardim. Um
lugar secreto, porém muito conhecido do Senhor. Um lugar de oração, de
comunhão, o jardim do Getsêmani, que ficava no Monte das Oliveiras.
A opção
de Jesus pelo jardim era frequente. Enquanto cada um se recolhia para
descansar, Jesus saía na escuridão da noite para buscar o Pai. Essa preferência
de Jesus pelo jardim da oração está espalhada em toda a Bíblia. Em João 7.53,
por exemplo, há a informação de que cada um foi para a sua casa, mas logo em
seguida, em João 8.1, está escrito: “Porém Jesus foi para o monte das
Oliveiras”.
Ocorre
que, no meio do caminho para o jardim, havia o “Ribeiro do Cedrom” — que
significa “escuro”. O jardim destilava aromas, mas antes de chegar ao Getsêmani
as densas trevas do “Cedrom” deveriam ser vencidas. Atravessá-lo demandaria
esforço. Está escrito: “Tendo Jesus dito estas palavras, saiu juntamente com
seus discípulos para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim; e aí
com eles” (Jo 18.1, ARA).
Assim, mais uma vez, depois de atravessar o vale escuro, Jesus entrou no jardim
do Getsêmani.
O que
aconteceu naquela última noite no jardim foi especial, pois foi ali que Jesus,
na companhia dos amigos, decidiu seu futuro entregando sua vida em sacrifício
por nós. O Calvário foi o resultado da entrega feita no Getsêmani. Foi naquele
horto que Jesus declarou sua dor, mas foi ali também que ele recebeu consolo
por um anjo, e que ele curou Malco, alguém que queria lhe fazer mal,
representando toda a humanidade.
Que
lugar especial é esse? E o lugar aonde Deus deseja nos levar diariamente. O
jardim do Getsêmani está perto de cada um de nós, logo após o “Cedrom” da
incredulidade e dos compromissos. Lá, desfrutaremos de ricos e decisivos
momentos com Jesus.
Estar a
sós com Deus no jardim, como acontecia frequentemente com Jesus, é uma
experiência transformadora. A. W. Tozer, ao comentar o texto de Isaías 30.15, afirma:
Inquestionavelmente,
parte do nosso fracasso hoje é a atividade religiosa que não é precedida de
momentos de solidão ou de inatividade.
Quero
dizer, realmente ficar a sós com Deus e esperar, em silêncio e quietude, até
que sejamos transformados pelo precioso e bendito Espírito de Deus. Então,
quando agirmos, a nossa atividade realmente significará algo, porque fomos preparados
para ela por Deus.
Assim,
viver no altar da presença de Deus, fazendo eco ao que dizia Tozer, produz
transformação e impele o discípulo a impactar este mundo tenebroso pela ação do
poder do Senhor.
I. 0 Segredo da Espiritualidade
Inaugurando
um novo tempo
Estar a
sós com Deus constitui-se em um privilégio inenarrável. Aliás, ter comunhão com
o Todo-Poderoso, mais que um privilégio, é, sem dúvida, uma necessidade, pois,
como anuiu o escritor americano Les Parrott, forte em C. S. Lewis: “Podemos
ignorar a presença de Deus, mas em lugar nenhum podemos nos esquivar. O mundo
está cheio dEle. Ele caminha incógnito em todos os lugares”.
Na
verdade, em todas as épocas, o homem teve pouco acesso à augusta presença do
Senhor, principalmente do ponto de vista litúrgico, pois, em regra, os contatos
eram mantidos por intermédio de sacerdotes, os quais eram os oficiais do templo
que ouviam a voz de povo e levavam-na a Deus; no lugar santíssimo, ademais,
eles só entravam uma vez por ano.
Entretanto,
quando Jesus entregou o espírito ao Pai no Calvário (Lc 23.46), oferecendo o
sacrifício perfeito, abriu um novo e vivo caminho em direção a Deus (Hb 10.20).
Os homens, a partir dali, poderíam estar face a face com o Senhor, sem o receio
da morte. Um novo tempo chegara. Emanuel! Deus estaria bem perto do seu povo
para sempre.
A sós com Deus na meditação da Palavra.
“Não se
aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite [...]” (Js
1.8), “Buscai no livro do Senhor e lede; nenhuma dessas coisas falhará [...]”
(Is 34.16), com apelos desse tipo, Deus, ao longo da história, conclama seu
povo a buscar orientação e intimidade com Ele por meio das Escrituras.
Realmente, a meditação constante na palavra de Deus gera um grau de
espiritualidade autêntico, não apenas na aparência, mas, sobretudo, no
conteúdo: a pessoa passa a conhecer o caráter do Senhor e recebe fé (Rm 10.17)
para viver com Deus, o que é indispensável, afinal, o justo viverá da fé (Rm
1.17).
Esse
caminho de profunda comunhão com Deus, por meio da leitura da Bíblia, foi
trilhado por inúmeros expoentes da fé cristã. Orlando Boyer, no célebre livro
Heróis da Fé, informa que Jerônimo Savonarola “alimentava continuamente a alma
com a Palavra de Deus. As margens das páginas da sua Bíblia estão cheias de
notas escritas enquanto meditava nas Escrituras”; acerca de Martinho Lutero, o
grande reformador, está escrito que aconselhava que ninguém se afastasse da
Bíblia sequer por um momento, caso contrário, “tudo estará perdido”; sobre John
Wesley, Boyer escreveu: “Explica-se o poder de Wesley pelo fato de ele ser
homounius libri, isto é, um homem de um livro, e esse Livro é a Bíblia”.
Os
biógrafos de George Müller, por seu turno, informam que ele leu a Bíblia mais
de duzentas vezes, sendo cem delas de joelhos e, por isso, alcançou uma obra de
fé tão extraordinária nos seus dias. Os casos são abundantes de pessoas que,
por estarem a sós com Deus na meditação das Escrituras, impactaram sobremaneira
o mundo em que viviam.
A sós com Deus na oração
Se há um
momento na vida de qualquer pessoa em que ocorre, de fato, uma verdadeira
guerra espiritual é no instante da oração a sós com Deus. C. S. Lewis percebeu
isso claramente, por esse motivo escreveu um livro no qual apresenta
ficcionalmente cartas de um demônio, de nome Fitafuso, a outro demônio, seu
sobrinho Vermebile, nas quais o tio maligno traça estratégias de como o
sobrinho afastar o “paciente” (homem) do “Inimigo” deles (Deus). Nessa ficção,
o tio maligno sugere:A melhor coisa a fazer, se possível, é afastar
completamente o paciente em questão da intenção de orar. Se o paciente é um
adulto, recém-convertido para o lado do Inimigo, como é o caso do nosso homem, conseguimos
tal feito quando o encorajamos sempre a lembrar-se, ou a pensar que se lembra,
do quanto suas preces na infância eram automáticas. Em contrapartida, você
talvez possa persuadi-lo a almejar algo totalmente espontâneo, introspectivo,
informal, livre de regras; e isso na verdade significará, para um iniciante, o
esforço para produzir em si mesmo um estado de espírito vagamente devocional no
qual a verdadeira concentração de vontade e inteligência não desempenham nenhum
papel. Um poeta deles, Coleridge, certa vez escreveu que não orava “movendo os
lábios e de joelhos”, mas simplesmente “dispunha seu espírito ao amor” e dava
lugar a um “sentimento de súplica”. E exatamente esse tipo de prece que
queremos. Já que ela tem uma semelhança superficial com a oração silenciosa
praticada por aqueles que já estão em estágio bem avançado ao lado do Inimigo,
os pacientes mais espertinhos e preguiçosos podem ser ludibriados por ela
durante um bom tempo. No mínimo, ficarão convencidos de que a posição do corpo
não faz a menor diferença quando oram — pois eles constantemente se esquecem (e
é o que você jamais deve esquecer) de que são animais, e que suas almas são
afetadas pelo que quer que seus corpos façam, (grifos acrescidos)
Como se
observa, Lewis aborda com profundidade uma questão muito importante: o tempo a
sós com Deus precisa ter qualidade, na oração. Os crentes preguiçosos (a maior
parte de nós) tendem a não desfrutar, por isso, do melhor de Deus. Lewis, com
sua inteligência, de modo reverso, demonstra que se o mal não puder dissuadir o
cristão a não orar, buscará que ele o faça de maneira pouco comprometida.
II. 0 Tempo dos Tempos
Um
convite
O
Senhor, em toda a Bíblia, convida seu povo continuamente para viver momentos de
comunhão, para estar a sós com Ele. Na Bíblia, muitos homens tiveram audiências
com Deus frequentemente, óbvio, a convite dEle. Isso aconteceu com Adão, nas virações
dos dias, até que, com a Queda, o homem teve medo de Deus e se escondeu, ao que
Altíssimo indagou: Adão, onde estás? (Gn 3.9). Abraão também foi levado a ter contato
mais íntimo com o Senhor. Está escrito: “Então, o levou fora e disse: Olha,
agora, para os céus e conta as estrelas [...]” (Gn 15.5). Em pelo menos outras
duas ocasiões, Deus falou com Abraão à noite e, logo de madrugada, ele cumpriu
o que o Senhor determinou (Gn 21.12-14; 22.3). Davi, de igual modo, mencionou
que foi convidado por Deus a ter uma vida de comunhão (SI 27.8), mesma
experiência citada por Jeremias (Jr 33.3).
Sobre a
capacidade de atender a esse convite celestial, é importante atentar para as
palavras de C. S. Lewis:
O que
quero dizer é o seguinte: o simples cristão ajoelha-se e faz suas orações,
tentando entrar em contato com Deus. Porém, se ele é cristão, sabe que o que o
induz a orar é também Deus: Deus, por assim dizer, dentro dele. E sabe também
que todo o conhecimento real que possui de Deus veio por meio de Cristo, o
Homem que foi Deus. Sabe que Cristo está de pé a seu lado, ajudando-o a orar,
orando por ele. Você vê o que está acontecendo? Deus é aquilo para o qual ele
ora — o objetivo que tenta alcançar. Deus é também aquilo, dentro dele, que o
impele — a força motriz. Deus, por fim, é a estrada ou a ponte que ele percorre
para chegar a seu objetivo. Assim, toda a vida tríplice do Ser tripessoal entra
em ação nesse quarto humilde onde um homem comum faz suas orações. O homem está
sendo capturado por um tipo superior de vida — o que chamei de zoé ou vida
espiritual: está sendo atraído para dentro de Deus pelo próprio Deus, sem
deixar de ser ele mesmo.
Assim,
conforme analisa Lewis, Deus é o único responsável pelo cristão estar a sós com
Ele. Para tanto, Ele faz convite e outorga a capacidade para o cristão buscar
algo superior, isto é, espiritual. Se alguém disser: “Eu não tenho condições de
orar tanto, Deus conhece minha estrutura física e psicológica”, tal assertiva
não será uma justificativa suficiente para se viver longe da presença de Deus.
O caminho está aberto e as condições foram oferecidas. Mister lembrar, aqui, a
frase atribuída ao pastor Leighton Ford: “Deus nos ama como somos, mas nos ama
demais para nos deixar do mesmo jeito”.
Uma necessidade
O sumo
sacerdote tinha a obrigação de estar a sós com Deus, em favor de si e do povo,
uma vez por ano (Hb 9.7). O pastor Silas Daniel, porém, lembra a exceção de
Moisés, que, diferentemente dos demais sumos sacerdotes, “entrava no Lugar Santíssimo
constantemente [,..]”.
Deus
tinha conversas particulares com Moisés no lugar mais sagrado frequentemente
(Êx 25.22), porque eram amigos íntimos (Ex 33.11; Nm 12.8). Que grande
privilégio Moisés tinha e, hoje, com o “véu rasgado” cf. Hb 10.19,20) cada
cristão pode ter!
Sem
dúvida, Moisés tinha uma verdadeira necessidade de estar com Senhor. Certa ocasião, inclusive, Deus
mencionou a possibilidade de sua presença não ir com o povo, ao que Moisés
respondeu que, caso isso acontecesse, que Ele não fizesse o povo sair daquele
lugar! A companhia de Deus era algo do qual Moisés não abriria mão.
Estar na
congregação, portanto, desfrutando da ambiência sagrada dos cultos deve ser uma
necessidade para todos. A Bíblia, por isso, recomenda que ninguém deixe de se congregar (Hb 10.25). Vale
citar, mais uma vez, o preclaro C. S. Lewis sobre a importância de estar sempre
na congregação: O
cristianismo é a história de como o rei por direito desembarcou disfarçado em
sua terra e nos chama a tomar parte numa grande campanha de sabotagem. Quando
você vai à igreja, na verdade vai receber os códigos secretos mandados pelos
nossos amigos: não é por outro motivo que o inimigo fica tão ansioso para nos
impedir de frequentá-la. Ele apela à nossa vaidade, preguiça e esnobismo
intelectual.
A
necessidade de ir aos cultos, destarte, deve nortear a vida de cada cristão,
porque é na igreja que se recebe “os códigos secretos” vindos dos céus, os
quais nos fazem conhecer melhor a Deus e garantem-nos uma vantagem
extraordinária na luta contra os inimigos do Reino. Josué, por isso, não se
afastava do lugar em que se celebrava a Deus (Êx 33.11); Davi, por sua vez,
tinha tanta alegria em ir ao culto, que pediu a Deus para morar ali (SI 27.4;
122.1). O próprio Senhor Jesus, ainda aos doze anos, ficou três dias no Templo
em Jerusalém e, quando questionado por seus pais por aquela conduta, respondeu
que era conveniente para Ele tratar dos assuntos do seu Pai (Lc 2.49). Ou seja,
os assuntos de Deus são
tratados na igreja, por isso não se deve deixar de congregar, por ser uma
imperiosa necessidade.
Um deleite
O último
estágio daquele que passa tempo sozinho com Deus é sentir-se deleitado em sua
presença, não com seus presentes. Há crianças que se deleitam quando seus pais
chegam de viagem... Depois de um breve abraço, correm e abrem logo as malas. O
prazer maior delas é a chegada dos eventuais presentes, e não o retorno
paternal. Uma inversão de valores. Muitos cristãos agem como meninos que
esperam pelas dádivas das “mãos” do Pai, mas não olham para o seu rosto!
O prazer
em servir a Deus deriva de uma alma amante pela sua presença. Isso não se dá
por predestinação, isto é, alguns nasceram irresistivelmente para serem adoradores e outros não.
Trata-se, verdadeiramente, de escolha, de decisão proveniente do âmago da alma.
É claro que é Deus quem estabelece a capacidade de o homem adorá-lo em espírito
e em verdade, mas somente por causa do livre-arbítrio em cada ser humano isso é
possível. Nesse aspecto, observe-se o seguinte:
Deus
criou coisas dotadas de livre-arbítrio: criaturas que podem fazer tanto o bem
quanto o mal. Alguns pensam que podem conceber uma criatura que, mesmo
desfrutando da liberdade, não tivesse possibilidade de fazer o mal. Eu não
consigo. Se uma coisa é livre para o bem, é livre também para o mal. E o que
tornou possível a existência do mal foi o livre-arbítrio. Por que, então, Deus
o concedeu? Porque o livre-arbítrio, apesar de possibilitar a maldade, é também
aquilo que torna possível qualquer tipo de amor, bondade e alegria. Um mundo
feito de autômatos — criaturas que funcionassem como máquinas — não valeria a
pena ser criado. A felicidade que Deus quis para suas criaturas mais elevadas é
a felicidade de estar, de forma livre e voluntária, unidas a Ele e aos demais
seres num êxtase de amor e deleite ao qual os maiores arroubos de paixão
terrena entre um homem e uma mulher não se comparam. Por isso, essas criaturas
têm de ser livres, (grifo acrescido)
Dessa
forma, Deus deve ser um deleite, e não um delírio (como quer Richard Dawkins).
E isso por opção pessoal! Estar a sós com o Senhor, portanto, mais que uma
necessidade, deve se constituir em um deleite, pois enquanto tal circunstância
não for realidade para o discípulo,
haverá uma grande falha no relacionamento com o Criador. Aliás, é
provável que sequer relacionamento real exista.
III. 0 Valor de Estar a Sós com Deus
Tempo de
comunhão
A
palavra comunhão (gr. koinonia) significa companheirismo ou parceria com outros
baseados em algo que se tenha em comum. Sem dúvida, momentos a sós com Deus geram identidade de
caráter, algo que foi mencionado em 2 Coríntios 3.18 — o cristáo sendo
transformado de glória em glória —, a fim de absorver, cada vez mais, a imagem
do Senhor. Isso é comunhão: ter algo em comum com Deus. Esse processo foi
vivenciado pelo Senhor Jesus, que tinha prazer em estar a sós com Deus, porque
naqueles momentos de comunhão havia diálogo no seio da Trindade (um mistério
inexpugnável). Em decorrência disso, em João 11.42, Jesus exarou sua convicção
de que o Pai o escutava sempre, fruto de quem goza de íntima comunhão.
Essa
comunhão apresenta-se indispensável para o cristão seguir em frente, pois
somente desfrutando do companheirismo com Deus é possível ser feliz na vida.
Querer viver longe da comunhão com o Senhor e mesmo assim manter o coração
feliz é algo que não condiz com a revelação escriturística. Aos ímpios, diz Deus, não há paz (Is
48.22).
Tempo de entrega
À
proporção que Deus vai se identificando com o discípulo pela comunhão, há
inexoravelmente uma entrega, uma morte diária do “eu”.
Essa
entrega, mencionada sempre que se ora “seja feita a tua vontade [...]”, vai
aumentando dia após dia. No Getsêmani, por exemplo, Jesus externou sua dor e
agonia (Mc 14.34; Lc 22.44), mas foi exatamente ali que Ele entregou sua
vontade nas mãos do Pai (Mc 14.36; Lc 22.42). Ao entregar-se completamente no
Getsêmani, aceitando que fosse feita a vontade do Pai, o único Homem Maravilhoso
(Is 9.6) que pisou na Terra cumpriu os mais sublimes propósitos do Altíssimo.
Os homens, por causa da entrega de Jesus, doravante, poderiam ter um novo
relacionamento com Deus. De filho para Pai. Agora, também, todos devem se
entregar diariamente para Deus, sem reservas e sem receios, pois um novo tempo
chegou pela entrega de Jesus.
Os
momentos de contrição com Deus, em oração, fazem parte de uma terapia divina. O
Senhor quer ouvir a dor, o gemido, de cada um, como aconteceu inúmeras vezes nas
Escrituras. O Senhor é suficientemente bom para entender que a estrutura humana
é frágil (SI 103.14) e o desabafo humilde de um filho que sofre para um Deus
que ama nunca é mal interpretado por Ele (1 Sm 1.10-17; Is 38.1-5; Mt
15.22-28).
Uma
coisa, porém, é certa: sempre que alguém se entrega nas máos de Deus, haverá um
grito de sofrimento, pois traduzirá a morte de algo bem vivo que deseja reinar
— a natureza humana. Entretanto, os frutos de alegria que seráo colhidos dessa
conduta trarão uma satisfação inigualável (Is 53.11), por saber que o melhor de
Deus foi feito para dos aqueles que estão ao redor. Paulo conclama a todos
nesse sentido em Romanos 12.1,2.
Tempo de consolação
A
consolação é inerente aos momentos na presença de Deus (1 Sm 1.18; SI 73.16,17;
Lc 22.43). O que faz com que momentos a sós com Deus tragam consolação à alma
aflita? A resposta foi dada por C. S. Lewis:
Se quer
a alegria, o poder, a paz e a vida eterna, tem de se aproximar ou mesmo
penetrar naquilo que as contém. Essas coisas não são prêmios que Deus poderia,
se quisesse, simplesmente conceder a qualquer pessoa. São uma grande fonte de
energia e de beleza que jorra a partir do próprio centro da realidade. Se você
estiver próximo da fonte, as rajadas de água o molharão; se se mantiver
afastado, continuará seco. Quando o homem está unido a Deus, como poderia não
viver para sempre? Quando está separado de Deus, o que pode fazer senão
definhar e morrer?
O lugar
em que se cultiva intimidade com Deus é, por isso, lugar de consolação. Não é à
toa que Pedro, estando preso e na iminência de ser morto, conseguia dormir um
sono profundo (At 12.5-7). Ele sentia-se consolado, pois estava a sós com Deus,
não obstante estivesse cercado por soldados.
Extraído do livro:
TEMPO PARA
TODAS
AS COISAS
Aproveitando
as Oportunidades que Deus nos dá .
REYNALDO ODILO.
ISBN: 978-85-263-1464-1
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