I. A MULHER NA NATIVIDADE
1. Uma
mensagem do céu (Lc 1.28,30,31). Nazaré, na
Galileia, era uma cidade sem grande importância política ou econômica.
Certamente, nunca recebia a visita de pessoas de destaque. Entretanto, num dia
especial, uma de suas filhas, a jovem Maria, recebeu nada menos que a visita de
um mensageiro, enviado diretamente do céu, para lhe anunciar a maior notícia
que o mundo jamais ouvira: O anjo Gabriel lhe saudou, dizendo: “Salve,
agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres... Maria, não
temas, porque achaste graça diante de Deus... eis que em teu ventre conceberás,
e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”. Era o início do
cumprimento da promessa que Deus fizera à mulher, em Gn 3.15.
2. O
milagre da encarnação. Pela ação
sobrenatural do Espírito Santo, Maria concebeu Jesus (Lc 1.34,35). Cumpria-se a
profecia de Is 7.14, que previra sua concepção virginal. No ventre de Maria,
Deus se fez presente entre os homens (Mt 1.23), redimindo a mulher da tremenda
mancha que lhe atingiu, no Éden, quando se tornou culpada, ao lado do homem,
pela entrada do pecado no mundo (Rm 5.12).
3. Nascido
de mulher. A promessa
feita a Eva, no Paraíso, teve seu cumprimento pleno, quando Maria “deu à luz
seu filho primogênito, a quem pôs-lhe o nome de JESUS” (Mt 1.15). Jesus não
nasceu antes nem depois da hora, “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus
enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).
II. MULHERES NO MINISTÉRIO DE
JESUS
1. Jesus
valorizou a mulher. Entre os
judeus, de modo geral, as mulheres eram vistas como inferiores aos homens. O
historiador Josefo relata que as mulheres podiam dar graças, desde que houvesse
um homem presente, e que cem mulheres não valeriam mais do que dois homens. A
mulher não podia ler as Escrituras na sinagoga, mas um escravo, homem, podia. Certos
rabinos desconfiavam até que a mulher tivesse alma. No entanto, Jesus valorizou
a mulher em seu ministério. Dialogava com elas, em diversas ocasiões (Mt
15.21-28; Jo 4); Enquanto o Talmude dizia que era preferível destruir a Torá
(Lei) do que transmiti-la às mulheres, Jesus lhes ministrava o ensino (Lc
10.38-42). Certo rabino escreveu a Deus: “Eu te agradeço porque não nasci
escravo, nem gentio, nem mulher”. Enquanto isso, Jesus ouvia as mulheres,
curava suas enfermidades (Lc 13.11), e usava-as como exemplo em suas parábolas
(cf. Lc 15.8-10; 18.1-8). Sem dúvida, ao nascer de uma mulher, Jesus dignificou
a maternidade (Lc 1.28; Gl 4.4).
2. Jesus
valorizou o trabalho da mulher. Ele as
admitiu como suas cooperadoras em seu ministério, até a sua morte (Mt 27.55b;
Mc 15.41). Quando andava pelas cidades e aldeias, pregando o evangelho, além de
seus discípulos, Jesus tinha a inestimável cooperação de mulheres, de diversas
classes sociais, incluindo Joana, esposa de um procurador do rei Herodes, além
de Maria Madalena, a quem libertou, Suzana e outras, cujos nomes a Bíblia omite
(Lc 8.1-3).
III. MULHERES NA MORTE E
RESSURREIÇÃO DE JESUS
1.
Diligência e coragem. Enquanto
os homens, como discípulos, estavam “com medo dos judeus” (Jo 20.19,26), as
mulheres estavam observando o triste espetáculo da crucificação. Diz Marcos: “E
também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também
Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé” (Mc
15.40), as quais serviam a Deus. Depois, diligentemente, foram ver o local, no
qual Jesus fora sepultado por Jose de Arimatéia (Lc 23.50,55,56). Passado o
Sábado, “Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram aromas para
irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo,
ao nascer do sol” (Mc 16.1,2). De certo, aí, vemos o cuidado e o desvelo
feminino, por parte daquelas mulheres, que foram beneficiadas por Jesus, o seu
Salvador. Ao vê-lo sepultado, quiseram demonstrar o carinho por Ele, levando
aromas para ungir seu corpo.
2. Espanto
e privilégio. Quando se
aproximaram do sepulcro, estavam preocupadas com a pedra que fora posta à sua
entrada (Mc 16.3). No entanto, não havia mais razão para tal, pois a pedra já
estava removida por um anjo por que Deus ressuscitara Jesus, (Mt 28.2; At 2.32;
3.15; 4.10). A experiência vivida pelas mulheres, ali, no Horto do Sepulcro,
talvez não tenha sido observada por outra pessoa. À direita do túmulo, estava
um anjo, que a Bíblia chama de “jovem”, “vestido de roupa comprida e branca, e
ficaram espantadas”. Elas foram as primeiras e únicas pessoas a ouvirem a
palavra tranquilizadora do anjo, dizendo: “Não vos assusteis; buscais a Jesus,
o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou”.
3.
Testemunhas especiais. Parece-nos
significativo o fato de Jesus, após sua ressurreição, ter aparecido,
“primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios” (Mc
16.9). Ele não apareceu a Pedro, a Tiago ou a qualquer dos seus discípulos, não
obstante ter compartilhado mais o seu ministério com eles. Após ouvirem a
mensagem do anjo, Maria Madalena correu a anunciar o auspicioso fato aos
discípulos, que estavam entristecidos e chorando. Lamentavelmente, quando
aqueles ouviram a notícia da ressurreição, da boca de uma mulher, não o creram
(Mc 16.11). Será que eles teriam perdido a fé? Ou será que descreram porque as
boas novas foram transmitidas por uma mulher? O fato é que as primeiras testemunhas
do grande milagre da ressurreição de Jesus foram as mulheres que o serviram em
seu ministério.
CONCLUSÃO
Os judeus,
acostumados numa sociedade oriental e patriarcal em que o homem tinha todos os
privilégios, enquanto a mulher era considerada como cidadã de segunda classe,
Jesus demonstrou interesse e atenção às mulheres, não só curando-as,
libertando-as, mas admitindo-as como cooperadoras em seu profícuo ministério.
Certamente, isso chocou a muitos, sendo, inclusive, considerado um desrespeitador
das leis do país em que vivia. Que o Senhor nos ajude a entender os ensinos
sábios do Mestre da Galileia.
Fonte Lições Bíblicas CPAD Ano 2000 2º Trimestre - Jovens e Adultos
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